Protestos contra ação policial que baleou homem negro pelas costas crescem nos EUA

As ruas da cidade de Kenosha, em Wisconsin, no norte dos Estados Unidos, foram tomadas por atos antirracistas e contra a violência policial pela terceira noite seguida. A mobilização popular teve início no domingo (23) após Jacob Blake, um homem negro, ser baleado diversas vezes pelas costas durante abordagem policial.
Um video que circula nas redes sociais mostra o exato momento em que Blake, de 29 anos, anda até a porta de um carro seguido por dois policiais e, a curta distância, é baleado na frente de seus três filhos pequenos e de outras testemunhas que estavam no local. É possível escutar sete disparos à queima roupa, em plena luz do dia.
Blake sobreviveu mas ficou paralisado da cintura para baixo, de acordo com familiares. Ele sofreu perfurações no estômago e precisou retirar quase todo o cólon, assim como o intestino delgado. A vítima, que estava desarmada, segue internada e também enfrenta sequelas no rim e no fígado.
O homem tentava auxiliar em uma briga doméstica envolvendo terceiros, ocorrência para qual a policia foi chamada.

Reação
A multidão iniciou a onda de protestos poucas horas após o episódio, quando caminhões foram incendiados e prédios públicos danificados em repúdio à ação policial. Os agentes envolvidos, até o momento, foram apenas afastados de suas funções.
Os atos na noite desta terça (25) foram marcados por tensão e violência. Os manifestantes se reuniram perto do Tribunal de Kenosha, onde foram reprimidos por bombas de gás e balas de borracha pela polícia. Pedras e garrafas foram atiradas contra os agentes.
Após a dispersão, ao menos três pessoas foram baleadas e duas delas morreram em conflito entre um grupo de civis armados que protegiam um posto de gasolina na região e os ativistas.
O democrata Tony Evers, governador de Wisconsin, declarou estado de emergência e anunciou o envio de tropas da Guarda Nacional para a cidade.
As manifestações contra o caso de violência policial ocorrem poucos meses após o levante antirracista internacional contra o assassinato de George Floyd.
O homem negro de 46 anos morreu asfixiado no dia 25 de maio após ter seu pescoço pressionado pelo joelho de um policial branco em Minneapolis, município do estado de Minnesota.
Protestos contra a brutalidade e o racismo das forças de seguranças foram registrados em diversos países do mundo. Após a morte de Floyd, a articulação em defesa de reformas e do desfinanciamento do aparato policial nos Estados Unidos cresceu intensamente, pautando a corrida eleitoral para a presidência.
Em junho, Rayshard Brooks, outro homem negro, também morreu após ser alvejado por um tiro no estacionamento de uma unidade do restaurante Wendy’s em abordagem policial.
Os casos não são isolados. Segundo estudo da organização Mapping Police Violence (Mapeando a violência policial, em português), pessoas negras têm quase três vezes mais chances de serem mortas pela polícia do que brancos nos Estados Unidos.

Fonte: Brasil de Fato | Edição: Leandro Melito | Foto: Kamil Krzaczynski / AFP

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