Boicote de jogadores da NBA contra violência policial nos EUA repercute mundialmente

Em repúdio a mais um caso de violência policial contra a população negra nos Estados Unidos, atletas do Milwaukee Bucks não entraram em quadra nesta quarta-feira (24) e paralisaram a NBA (National Basketball Association), o campeonato norte-americano de basquete.
A suspensão da partida, que aconteceria contra o Orlando Magic, é um boicote histórico no mundo do esporte e ganha repercussão internacional. A decisão foi tomada pelos atletas após Jacob Blake, um homem negro de 29 anos, ser alvejado com sete tiros pelas costas por policiais brancos em Kenosha, no estado de Wisconsin, no último domingo (23).
Blake, que estava desarmado e sequer estava envolvido diretamente na ocorrência atendida pela policiais, foi baleado na frente de seus três filhos e perdeu o movimento das pernas em consequência dos ferimentos. Ele segue internado e, de acordo com familiares, os danos podem ser irreversíveis.
Direto do vestiário, os jogadores leram um comunicado denunciando o racismo das forças de segurança nos EUA.
“Os últimos quatro meses lançaram luz sobre as injustiças raciais em curso que as comunidades afro-americanas enfrentam. Cidadãos de todo o país têm usado suas vozes e plataformas para se manifestar contra esses delitos. Apesar do apelo esmagador por mudança, não houve nenhuma ação. Nosso foco hoje não pode estar no basquete”, começa o texto, em referência ao levante antirracista que ganhou o mundo após o assassinato de George Floyd.
Os jogadores Serlng Brown e George Hill leram o pronunciamento do Milwaukee Bucks para a imprensa após a decisão de não entrar na quadra / Foto: Jesse D. Garrabrant/AFP
“Estamos pedindo justiça para Jacob Blake e exigindo que os oficiais sejam responsabilizados. Para que isso ocorra, é imperativo que o Legislativo do Estado de Wisconsin se reúna após meses de inação e tome medidas significativas para tratar de questões de responsabilidade policial, brutalidade e reforma da justiça criminal. Incentivamos todos os cidadãos a se educarem, a tomarem medidas pacíficas e responsáveis ​​e a se lembrarem de votar em 3 de novembro”, leram os jogadores.
Os outros dois jogos que aconteceriam na quarta (26) entre Houston Rockets e Oklahoma City Thunder, e Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers, também foram adiados. Frente ao boicote, que deve ser mantido por outros times, a organização da NBA estuda qual medida tomar em relação aos playoffs, torneios eliminatórios da liga.
A diretoria dos Bucks emitiu uma nota apoiando a decisão dos jogadores. “Embora não soubéssemos de antemão, teríamos concordado com eles mesmo assim. A única maneira de conseguir mudanças é colocar luz às injustiças raciais que estão acontecendo diante de nós. Estaremos ao lado deles para exigir responsabilidade e mudança”, diz o texto.

Reação em cadeia
As jogadoras da Women’s National Basketball Association (WNBA), liga profissional de basquete feminino, também fortaleceram o boicote. Elas usaram camisas brancas com alusão às marcas dos tiros contra Jacob Blake, se reuniram no centro da quadra e ficaram de joelhos. Em seguida, deram os braços e exibiram o nome da vítima.
A organização da WNBA, por sua vez, seguiu o mesmo caminho da NBA e suspendeu os jogos que aconteceriam nesta quarta-feira (26).
Partidas de beisebol também foram boicotadas por iniciativa dos atletas. Os Milwaukee Brewers e o Cincinnati Reds, da Major League Baseball (MLB), por exemplo, se recusaram a jogar após o movimento iniciado pelo Bucks.
A liga de futebol americana também remarcou todas as partidas em protesto contra o racismo.
Com a repercussão do boicote, o torneio de tênis de Cincinnati anunciou a suspensão das partidas marcadas para esta quinta-feira (27) em solidariedade às manifestações.
A decisão foi tomada conjuntamente pela Federação de Tênis dos Estados Unidos e organizações responsáveis após a tenista japonesa Naomi Osaka declarar adesão ao boicote.

“Queremos mudança”
Nas redes sociais, jogadores de outros times da NBA apoiaram a decisão dos Bucks. Entre eles LeBron James, astro do time Los Angeles Lakers.
“Queremos mudanças, estamos cansados disso”, escreveu em seu perfil no Twitter. Em meio à onda de protestos antirracistas após o caso George Floyd, James e outros atletas da liga se posicionaram publicamente e participaram dos atos de rua.

Do Brasil de Fato | Foto: reprodução

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