AS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES: DIÁLOGO E CONHECIMENTO

Maria Angela Gomes*

Às vésperas das eleições municipais, uma discussão que pode e deve ser levantada na esfera nacional ou em cada grupo de amigos, é: como voltar a dialogar? Após eleições extremamente polarizadas em 2018, escândalos de FakeNews em eleições não só no Brasil, mas no exterior, como podemos, atualmente, diante de novas eleições, dialogar com tudo isso? Como devemos nos comportar diante dos candidatos que nos são apresentados em um ano de pandemia? Como devemos nos comportar diante de novas eleições, ainda que municipais, debatendo de forma saudável, em um mundo completamente destruído? É possível?

Diante de tantas questões que tendem a nos sufocar, um bom caminho, é sempre a História. O Brasil possui uma tradição de polarização com raízes. Em nossa história recente tivemos uma divisão profunda de 1961 a 1964, que inclui a morte de um estudante como marco histórico. Revivemos períodos de polarização em campanhas, como por exemplo, entre Fernando Collor e Lula, em 1989. O que nos difere na atualidade de qualquer exemplo, ainda que recente, é a internet, os fenômenos das FakeNews, mas que ainda sim, se fazem novos pelo meio, mas não pelo fato. Durante a Revolução Francesa inúmeros panfletos difamatórios foram distribuídos pela França assim como as pichações em Pompeia, ou seja, ideias contrárias e mentiras sempre existiram e existirão, fazem parte dos seres humanos que vivem em sociedade. A novidade é que o acesso a informação é também o acesso a desinformação, a tecnologia que torna tudo mais rápido, dinâmico e até mesmo manipulável, tende a tornar até mesmo a verdade relativa, a ciência se torna opinião e ao final nada mais é certeza. Como podemos quebrar ciclo? É possível? A resposta repleta de muito otimismo é sim! É possível através do conhecimento!

Conhecer os candidatos as eleições este ano, os partidos aos quais são vinculados, suas ideias, seus projetos, é uma excelente forma de alinhar ideias; mas mais do que isso, precisamos compreender os conceitos que não nos foram explicados; reconhecer que muitas vezes repetimos discursos que nos foram impostos mas que não compreendemos com totalidade. O brasileiro repete para si um discurso de povo pacifico e genuinamente cordial, no entanto, ao logo de nossa história podemos comprovar que somos divididos e muitas vezes violentos, e será mesmo que toda nossa simpatia é o suficiente para tornar nossa terra um bom lugar? Algo em nós precisa mudar, e só o conhecimento, a educação, a leitura, a compreensão daquilo que foi privado de nós, pode mudar nosso mundo! Conhecer é o primeiro passo.

Maria Angela é Petropolitana. Atualmente mestranda em História Social pela UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em Formação de Professores. Pós-graduada em História Militar Brasileira com um trabalho de pesquisa em escravidão no Brasil, recorrente desde a graduação na Universidade Católica de Petrópolis. É professora de História e atua na área de reforço escolar desde 2015 com trabalhos multidisciplinares com crianças, jovens e adultos.

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