Candidatos que seriam protegidos pela milícia são intimados a depor

Candidatos às Eleições de 2020 para cargos municipais na Zona Oeste do Rio e na Baixada Fluminense serão chamados para prestar depoimento, a partir de amanhã, na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), para esclarecer um possível relacionamento com milicianos. O DIA confirmou que os primeiros a serem intimados serão candidatos de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Uma força-tarefa criada pela Polícia Civil investiga a suspeita de exclusividade de curral eleitoral em área de atuação de grupos paramilitares.
Desde o início dos anos 2000, as ações dessas organizações criminosas são investigadas. Elas são conhecidas pelo uso de violência e cobram pela suposta segurança a moradores. Nas eleições, os milicianos atuam com promessas financeiras para ajudar na vitória dos políticos nas urnas, além de garantirem currais eleitorais.
“Temos informações de certos candidatos que têm acesso exclusivo a uma determinada localidade. A gente recebe esse tipo de notícia, principalmente pelos outros candidatos que avisam que não têm como acessar determinada área. Essas notícias chegam direto na Secretaria de Polícia Civil ou via Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A gente vai trazer essas pessoas para serem ouvidas, no sentido de explicarem porque eles têm trânsito exclusivo em determinado local. Serão convocados lá na Draco para que expliquem o porquê disso”, disse o delegado Rodrigo Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da corporação.
A força-tarefa foi criada após o assassinato dos candidatos a vereador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Mauro Miranda da Rocha, no dia 30 de setembro, e Domingos Barbosa Cabral, no último dia 10. De acordo com o delegado, a Polícia Civil não descarta a possibilidade de que as mortes tenham motivação política.
“Essas duas investigações estão sendo feitas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense e são mantidas em sigilo. Mas a linha do processo eleitoral não é uma linha de investigação que está descartada, há de se considerar, sim, essa possibilidade. O que a gente não pode afirmar é que um homicídio tem a ver com o outro, apesar de ambos terem acontecido no mesmo município, num espaço de tempo pequeno”, explicou o delegado.

Fonte: O Dia

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