Presidente da Anvisa diz que agência não sofre interferência política

O presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, disse na quinta-feira (22), em entrevista à Rádio Bandeirantes, que eventuais embates políticos que envolvam as vacinas contra a covid-19 não interferem no trabalho da agência.
Ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro, que o indicou para o cargo de diretor da agência, não influencia nas decisões da autarquia. Antônio também disse ter tranquilidade em trabalhar conforme a consciência dele.
“Sempre tive na minha vida a capacidade de separar as coisas. O que é relacionamento pessoal e o que é trabalho. O que eu estou fazendo aqui é um trabalho. Eu fui nomeado. Eu fui indicado para me submeter ao Senado duas vezes, aliás. A primeira vez como como diretor da Anvisa no ano passado e dessa feita agora em 2020, indicado como diretor-presidente, e submetido ao Senado Federal que me aprovou tanto naquela vez quanto desta vez. E é claro, nas duas vezes a indicação foi do presidente Jair Bolsonaro e todos os diretores de agências são indicados pelos presidentes que estão no cargo naquele momento. Devo dizer, até como uma tranquilização de todos, que não há nenhuma influência. Nunca houve um pedido, uma sugestão, uma orientação, nada do presidente Bolsonaro tenha feito em relação às minhas atitudes na Anvisa. Em momento algum. Inclusive neste momento que estamos vivendo. É o motivo pelo qual tenho tido a tranquilidade de trabalhar e de votar de acordo com minha consciência. Reiterando aqui e mantendo a minha palavra, a qual eu prezo muito, não estamos sofrendo nenhum tipo de interferência”, disse Antônio Barra Torres.
O diretor da Anvisa afirmou que na 4ª feira (21.out.2020), teve uma reunião com o governador de São Paulo, Joao Doria, nenhum tipo de pressão foi feita e são reuniões de rotina. “Não devemos ter mais essa intranquilidade. Já temos muitas na cabeça. Eu acho que o cidadão tem que ter, pelo menos, a minha garantia de que essas questões políticas não são influências que atuam dentro da agência, dentro dos votos da diretoria colegiada. A Anvisa se pauta por ciência.”
Na quarta- feira (21), Antonio Barra disse que a agência reguladora se manterá “fora da discussão política” e que está empenhada em dar respostas à população brasileira sobre a vacina o quanto antes.
“Para nós, pouco importa de onde vem a vacina ou qual é o seu país de origem. O nosso dever constitucional é fornecer a resposta de que esses produtos têm ou não a eficácia”, disse Barra. O diretor-presidente afirmou ainda que é dever da Anvisa a dedicação integral ao trabalho técnico e científico.
De acordo com ele, o trabalho da Anvisa visa a aferição da qualidade do produto, buscando garantir a eficácia da imunização. “A Anvisa não participa de nenhuma compra feita pelo governo federal. De nenhum medicamento ou insumo, como também as políticas públicas de saúde são da competência do Ministério da Saúde”, afirmou.
O presidente Jair Bolsonaro decidiu cancelar o acordo firmado pelo Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, a vacina contra covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. Ele justificou sua decisão dizendo que o imunizante precisa antes ter sua eficácia contra a covid-19 comprovada cientificamente.

Fonte: BandNews

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