Encontros online promovidos pela Fiocruz-Petrópolis incentivam trocas de saberes pela agroecologia

No fim da tarde da próxima quarta-feira, 4 de novembro, o Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde, unidade da Fiocruz em Petrópolis, realizará a roda de conversa Olhares pela agricultura urbana. Este encontro trará como tema os “Avanços e Entraves para a promoção da Saúde e da segurança alimentar” e reunirá tanto convidados que já militam pelos princípios e práticas da agroecologia no Brasil quanto representantes de comunidades petropolitanas que, com apoio do Fórum Itaboraí e em articulação em seus territórios, estão transformando olhares e práticas comunitários a partir da abordagem da agroecologia.
A iniciativa integra os esforços da Rede Fiocruz de Agroecologia Urbana, formada pelo Campus Fiocruz Mata Atlântica, a Escola Politécnica Joaquim Venâncio e também o Fórum Itaboraí. Segundo o agrônomo Claudemar Mattos, da equipe da Fiocruz-Petrópolis e membro da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ), “o tema da agroecologia é de interesse da sociedade porque envolve princípios de uma sociedade mais justa e mais equitativa, além dos princípios técnicos, pelo cultivo de alimentos sem agrotóxicos e sem adubos químicos e, portanto, mais saudáveis e sustentáveis”. Ainda, segundo o agrônomo, “esta prática comunitária, feita na cidade, pode resgatar e aproximar a relação campo-cidade e contribuir com a segurança alimentar e com a saúde não apenas do indivíduo que cultiva, mas da família, da comunidade, do município”.
De acordo com Claudemar, o desenho e dinâmica concebidos para estas rodas de conversa visam promover trocas de saberes e experiênciaspara ampliar e fortalecer a promoção da saúde, a segurança alimentar e a organização comunitária, por meio do incentivo e apoio às práticas de agricultura urbana e gestão dos resíduos sólidos. “Queremos conhecer sobre a experiência de outros territórios e pessoas que militam pela agricultura urbana com base na agroecologia, entender que obstáculos e conquistas os acompanham. E, por outro lado, ouvir das comunidades de Petrópolis como isso vem acontecendo em seus territórios. Acreditamos que estes elementos que chegarão à roda, além de promoverem a reflexão e a discussão coletiva, também podem dar referências e fortalecer as comunidades petropolitanas e, sobretudo, a prática em rede”, conclui o agrônomo.
Em Petrópolis, desde fevereiro de 2020, o Fórum Itaboraí vem trabalhando em articulação com 11 comunidades (em cinco delas, com apoio do CNPq) tanto para trocas de conhecimento técnico em agricultura urbana – incluindo o cultivo propriamente e a gestão de resíduos orgânicos – quanto para o fortalecimento de laços comunitários, para o incremento da segurança nutricional e para a redução da vulnerabilidade socioambiental dos moradores dos territórios envolvidos. “Na vila Frei Davi, na comunidade do Amazonas, por exemplo, esta experiência já aponta para cerca de uma tonelada de resíduos domésticos que deixou de ir para o aterro sanitário, porque foram compostados pelos moradores”, conta Claudemar.
Na roda de conversa estarão: Bernadete Montesano, da Rede Carioca de Agricultura Urbana; Aline Kinast, do Coletivo Roots Ativa e Articulação Embaúba, de Belo Horizonte-MG; Robson Patrocínio, do Campus Fiocruz Mata Atlântica; Dalva Oliveira, da comunidade Amazonas; e Vagner Teixeira, da comunidade da Glória, ambos de Petrópolis, sob a mediação de Claudemar Mattos. O encontro será transmitido pelo canal do Fórum Itaboraí no Youtube, às 18h (https://youtu.be/i_DI2NarLpg).

Fórum Itaboraí – Fiocruz
Inaugurado em 18 de outubro de 2011, como um programa especial da Presidência da Fiocruz, o Palácio Itaboraí abriga o Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde. O Fórum é um espaço permanente de reflexão e geração de ideias, que tem como principal objetivo reunir intelectuais, cientistas, artistas, gestores e usuários de educação e saúde do Brasil e do estrangeiro, para gerar formulações de políticas e práticas tendentes a reduzir as desigualdades sociais na saúde. O Fórum também desenvolve ações comunitárias que permitam pôr em prática atividades inter e transetoriais. Entre essas práticas se destacam: o Programa de Biodiversidade e Saúde, cujos principais projetos envolvem plantas medicinais, além da Trilha do Arboreto, uma trilha urbana de 808 metros, com um acervo de mais de 400 espécies de plantas vivas e identificadas, sendo a maior parte delas medicinais, que visam disseminar e resgatar os conhecimentos tradicionais e populares do cuidado na saúde; a Orquestra de Câmara do Palácio Itaboraí – OCPIT; o desenvolvimento e aplicação de tecnologias sociais (como o Diagnóstico Rápido Participativo – DRP, o Teatro do Oprimido e a cartografia participativa) para o estudo participativo dos determinantes de saúde de territórios em Petrópolis e atuação articulada com outros setores, como o poder público e universidades, para o desenvolvimento local; incluem-se, ainda, a Biblioteca Livre do Palácio Itaboraí, com acervo focado nos Programas do Fórum e disponibilização de acesso a bibliotecas virtuais; atividades de apoio à capacitação tecnológica para trabalhadores de saúde; a investigação-ação participativa no campo da promoção da saúde; debates culturais, projetos, eventos e exposições de artes e cultura, entre outras.

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