Manifesto com Chico Buarque quer aproximar autores de língua portuguesa

Um manifesto que vai ser divulgado durante o Festival Literário de Araxá, escrito por nomes como Milton Hatoum e Chico Buarque, propõe aumentar a circulação de ideias entre os autores de língua portuguesa ao redor do mundo.
“A língua não é um conceito geopolítico, a língua é a forma de nos fazermos entender, de pensar e de viver”, diz o texto.
A proposta é criar um movimento entre os artistas e comunidades que falam o idioma para intensificar o fluxo de cultura e ideias entre seus países, independentemente dos seus respectivos governos.
“A língua será tão mais viva quanto mais formos mais capazes de dialogar e fazer circular os nossos pensamentos, livros, canções, espetáculos e demais formas de expressão artística”, continua o manifesto.
“Tivemos essa ideia baseada numa coisa muito simples. Criar sinergia entre os autores de língua portuguesa, e não entre Estados e instituições, como a lusofonia se movimentou nesse tempo inteiro e fracassou”, afirma Afonso Borges, idealizador da Fliaraxá e outro dos autores por trás da carta, que também contou com a colaboração do escritor Sérgio Rodrigues, colunista deste jornal.
O texto não tem objetivo de pressionar pela unificação da língua portuguesa, como propõe o acordo ortográfico que completou uma década em vigor ano passado – o próprio Borges comenta que a grande maioria dos autores de fora do Brasil são contrários às normas de padronização.
O escritor Vítor Aguiar e Silva, premiado com o Camões nesta terça-feira, é uma voz ativa contra o acordo e um dos mais conhecidos signatários de uma petição contra a sua adoção que conta com mais de 100 mil assinaturas.
“Por que Portugal não vende tantos livros brasileiros quanto Valter Hugo Mãe vende aqui?”, pergunta Borges. “O mundo dos portugueses tem que dar essa resposta para a gente, da mesma forma que já demos a eles.”
Uma das ideias, por exemplo, é postar conteúdos e transmitir eventos simultaneamente nas redes sociais de organizações que trabalham a língua ao redor do mundo, sejam os embaixadores do português na França ou instituições ligadas à promoção do idioma em Angola.
A própria Fliaraxá tem uma tradição, desde a sua primeira edição em 2012, de trazer para o seu programa autores dos mais variados países lusófonos.
O evento já teve como homenageados o português Gonçalo Tavares, o moçambicano Mia Couto e o angolano José Eduardo Agualusa –que volta a ser celebrado na edição que começa nesta quarta, ao lado da brasileira Conceição Evaristo.
Todos estes participam da extensa programação virtual e gratuita que vai até domingo, reunindo personalidades de oito países que falam português, incluindo Valter Hugo Mãe, Ailton Krenak, Ondjaki, Antonio Fagundes e Nélida Piñon.

Do Folhapress

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