Com dólar mais alto desde o Plano Real, ceia de Natal tem carnes até 30% mais caras

A taxa de câmbio média do real para o dólar em 2020 está em R$ 5,15 até o momento. É a mais alta desde a implantação do Plano Real, no governo Itamar Franco, em 1994. A análise ano a ano foi feita pelo professor Tiago Sayão, do Ibmec RJ, que afirma que o impacto poderá ser sentido diretamente na ceia de Natal. Ele exemplifica que, mesmo se fosse mantido o preço de importação do quilo do bacalhau Gadus de 2019, o custo médio para a entrada do quilo no país já saltaria, no intervalo de um ano, de R$ 36,11 a R$ 47,11, com base apenas na conversão da cobrança em moeda americana para a brasileira.
— A realidade é que o preço de importação também subiu. Será um Natal de muitas restrições, visto que as outras opções em termos de proteína também ficaram mais caras. E com os itens que são complementos na ceia, como arroz, o movimento não foi diferente. Todos esses produtos são impactados pela valorização do dólar — observa o professor.
De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do FGV Ibre, que foca nos números que chegam ao bolso do cidadão, o queridinho desta época do ano, o bacalhau, ficou 12,15% mais caro no acumulado dos últimos 12 meses. Também de outubro a outubro, o pernil teve o preço elevado em 30,84%; o lombo, em 22,63%; e o frango, em 12,59%. André Braz, coordenador do IPC, explica que isso ocorre por estar mais vantajoso aos produtores brasileiros exportar as carnes, o que é bom para a balança comercial, mas desabastece o mercado nacional, pressionando os preços por aqui a aumentarem. Também há a influência do custo de criação dos animais, que subiu, já que as rações de suínos e frangos, à base de soja e milho, respectivamente, encareceram: 88,6% e 78,7%, respectivamente, nos últimos 12 meses.
Manter o padrão de acompanhamentos da refeição também será difícil, com as altas do arroz (51,99%) e do azeite (7,87%). O vinho é o item com menor variação no Natal de 2020: 1,27%.
— O preço da farinha de trigo, base do panetone e do pão de rabanada,subiu. Panetones estão de 6% a 7% mais caros neste ano. E as frutas secas, em geral, tiveram aumentos de 25% a 35% — complementa o consultor de varejo Marco Quintarelli.

Fonte: Extra on Line

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