seg. out 18th, 2021

DOMINGO É DIA DE COMIDA, MEMÓRIA E HISTÓRIA: DESCOLONIZANDO A NUTRIÇÃO

Projeto valoriza a ancestralidade petropolitana e apresenta receitas
Verificar a influência da gastronomia dos povos originários e africanos na culinária brasileira, em especial naquilo que se come em Petrópolis, e não é atribuído aos ancestrais, mas que ocupa espaços em restaurantes, festas entre outros, é uma das missões da série de vídeos intitulados “Comida, Memória e História: Descolonizando a nutrição”, um dos projetos contemplados pelo Edital de Chamada Pública Simplificada Nº 03/2020, realizado pela Prefeitura Municipal de Petrópolis, IMCE – Instituto Municipal de Cultura e Esportes, Lei Aldir Blanc, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.
Em 05 (cinco) episódios inéditos, o internauta vai poder imergir no mundo da gastronomia, arte e cultura, neste domingo, 28 de março, às 10h, 12h, 14h, 16h e 18h e aprender a preparar receitas utilizando alimentos herdados das tradições originárias e africanas, tais como mandioca, milho, moranga, arroz e legumes. Apresentar às novas gerações as raízes indígenas que foram conhecidas pelos europeus 200 anos após o suposto descobrimento que, hoje, chama-se de invasão territorial é também uma das propostas do projeto veiculado pelas mídias da Xdaquestão Produções.
A série que conta com direção de Drica Madeira e Giulia de Araújo, concepção e pesquisas de Drica Madeira, Giulia de Araújo, Heloisa Buarque de Hollanda e Juliana Maradei, roteiro assinado por Drica Madeira e Juliana Maradei, bem como com a direção de produção de Maria Fernanda Miguel, quer fazer saltar aos olhos do expectador que o mordomo, Paulo Barbosa, que incumbiu o Major Julio Frederico Koeler a construção de uma estrada que pudesse garantir à nobreza a chegada até a fazenda, que hoje é Petrópolis, fez uso do trabalho de negros e negras escravizados, e que estes deixaram pelos veios da terra seu sangue, suor e lágrimas. “Destes que não sabemos nomes, está cravada nossa ancestralidade, pela cruz alocada, pela chegada da comunidade alemã no Palácio de Cristal, um dos atrativos turísticos da cidade, transformadas em encruzilhadas pelos ancestrais em diáspora que clamavam pela própria existência, apesar das marcas do corpo do povo negro não estar em nós, temos a responsabilidade ética de contar a história da forma como os silenciados de outrora insistem em permanecer, neste caso através da culinária”, ressalta Drica Madeira.
A diretora do projeto ainda ressalta que alguns ingredientes que ganharam o paladar dos brasileiros vieram com a colonização, em Petrópolis pode-se destacar, especialmente, a imigração italiana e alemã. “Atualmente, com a globalização, comemos comidas consideradas de todo o globo terrestre com algumas adequações feitas à brasileira. Comida japonesa, estadunidense, árabe, sírio-libanesa são alguns exemplos que podemos observar facilmente. Esse projeto vem para reforçar o entendimento do povo brasileiro, em especial dos petropolitanos, que não fomos descobertos, sendo assim, o povo chamado de originário que aqui vivia já tinha uma tradição culinária. Bem como, as pessoas escravizadas que vieram para as Américas em condições precárias e, ainda assim, resistiram através de seus corpos, ideias, tradições, religiosidade e da culinária. Esse esforço de reexistência hoje é considerado fundamental para a constituição da nossa nacionalidade por parte dos estudiosos descoloniais que discordam do mito da democracia racial ou da mestiçagem”, pontua a também diretora da séria Giulia de Araújo.
De acordo com a equipe, exatamente por uma necessidade de revisitar, sem voltar ao passado, mas agregando o que o passado traz para o presente, a culinária é uma forma de cultura que preserva tradições, traz dimensões de nacionalidade demonstradas através das diferenças produzidas por cada região de acordo com o clima, as crenças, a religiosidade e a adaptação do povo.
“Petrópolis tem em seu chão quatro quilombos, desses, somente um resistiu e se reafirma diariamente, o Quilombo da Tapera. Nosso cardápio tem forte influência negra: os temperos, o preparo e o ritual que para as religiões afro-brasileiras passa pelo alimento destinado a cada orixá. A alimentação cotidiana na África por volta do século XVI incluía arroz, feijão (feijão-fradinho), milhetos, sorgo e cuscuz. A carne era em sua maior parte da caça. Sendo assim, a criação de gado ovino, bovino e caprino, passaram de reservas destinada ao sacrifício e trocas para consumo dos mandatários das terras. Preparavam os alimentos, assando, tostando ou cozendo-os e para temperar a comida tinham apreço pelas pimentas, mas também utilizavam molhos de óleos vegetais, como o azeite de dendê que acompanhavam a maioria dos alimentos. A base da alimentação dos povos escravizados não variava de acordo com a função exercida, quer fosse nos engenhos, nas minas ou na venda. Sendo a base comum da alimentação a farinha de mandioca”, explicita Drica.
Drica ainda pontua a grande honra que foi trabalhar em mais este projeto com Heloisa Buarque de Hollanda. “Heloisa é um Orixá que tive a honra de conhecer em vida. Ela é um ícone das mulheres na luta pela aproximação da academia com a sociedade. É impressionantemente generosa, transparente, ela se deixa ser caminho, quase que uma escada para que pessoas como eu possam chegar a um espaço de destaque no âmbito profissional e intelectual. Toda a minha gratidão por ela ter aceitado meu convite e por tudo que trocamos para a realização desse sonho, que se tornou projeto e que agora é uma série”.
Com imagens de Giulia de Araújo, Joana Forster (Petrópolis); Arthur Sherman (receitas); Ben-Hur real (Boi); Pedro Rocha (Drone), narração de Rosemarie Borde Serafim, apresentação das receitas por Juliana Maradei, tendo como culinaristas Maria Ivanilda da Silva Rodrigues e Sueli Tomaz da Costa, direção de arte assinada por Drica Madeira e como designer Pri Garcia, os episódios serão veiculados conforme o cronograma abaixo:
10h – Episódio 01 – Da terra de ninguém à fazenda da mandioca
12h – Episódio 02 – Sertão ocupado por índios bravos
14h – Episódio 03 – O homem mais preto de toda a África, em razão de homem, é tão homem como o alemão mais branco da Alemanha
16h – Episódio 04 – Quilombo pela tapera e sua reinscrição na história e no espaço da cidade
18h – Episódio 05 – O avesso do mesmo lugar
“A execução desse projeto contou com muitas mãos empenhadas e eu preciso fazer um agradecimento oficial a Aline Pachamama, Renata Gaspar, César Nascimento, Débora Pena, Eva Lucia Casciano, Fernanda Kalume, 10Lumbre Produções e Carla Coelho”, finalizou Drica.
A veiculação do projeto que contou com a edição de vídeos de Giulia de Araújo, Gustavo Martins e Pedro Lucas, montagem de Pedro Lucas, som de Chico Sherman e Drica Madeira, trilha sonora de Pedro Lucas, participação especial de Julia Buarque, será realizada pelas plataformas digitais da Xdaquestão Produções no Facebook @xdaquestaoproducoes (https://www.facebook.com/xdaquestaoproducoes/), Instagram @xdaquestaoproducoes (https://www.instagram.com/xdaquestaoproducoes/) e ainda através do Youtube Xdaquestão Produções (https://www.youtube.com/channel/UC6MBZV6Wyy_k3i5RB4OFcDg).

SERVIÇO
“COMIDA, MEMÓRIA E HISTÓRIA: DESCOLONIZANDO A NUTRIÇÃO”
05 episódios inéditos
Data: domingo, 28 de março de 2021
Horários: 10h, 12h, 14h, 16h e 18h.
10h – Episódio 01 – Da terra de ninguém à fazenda da mandioca
12h – Episódio 02 – Sertão ocupado por índios bravos
14h – Episódio 03 – O homem mais preto de toda a África, em razão de homem, é tão homem como o alemão mais branco da Alemanha
16h – Episódio 04 – Quilombo pela tapera e sua reinscrição na história e no espaço da cidade
18h – Episódio 05 – O avesso do mesmo lugar

Ficha técnica:
Direção: Drica Madeira e Giulia de Araújo
Concepção e Pesquisas: Drica Madeira, Giulia de Araújo, Heloisa Buarque de Hollanda e Juliana
Maradei
Roteiro: Drica Madeira e Juliana Maradei
Direção de Produção: Maria Fernanda Miguel
Imagens: Giulia de Araújo, Joana Forster (Petrópolis); Arthur Sherman (receitas); Ben-Hur real
(Boi); Pedro Rocha (Drone)
Narração: Rosemarie Borde Serafim
Apresentação Receitas: Juliana Maradei
Culinaristas: Maria Ivanilda da Silva Rodrigues, Sueli Tomaz da Costa
Direção de Arte: Drica Madeira
Designer: Pri Garcia
Edição de vídeos: Giulia de Araújo, Gustavo Martins e Pedro Lucas
Montagem: Pedro Lucas
Som: Chico Sherman e Drica Madeira
Trilha sonora: Pedro Lucas
Participação especial: Julia Buarque
Agradecimentos: Aline Pachamama, Renata Gaspar, César Nascimento, Débora Pena, Eva Lucia

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