Covid-19: como o Reino Unido fez número diário de mortos desabar de 1,3 mil para 36

Apesar de ser inferior ao número atual no Brasil — na terça-feira (23/03) foram registradas 3.251 mortes no país — em termos proporcionais, considerando o tamanho das populações, a covid matava em janeiro 30% a mais no Reino Unido do que o que acontece agora no Brasil.
O Reino Unido vivia na época uma tempestade perfeita que contribuía para a disseminação da doença em um ritmo muito mais acelerado do que durante a primeira onda, com diversos fatores influindo: campanha de vacinação ainda no começo, nova variante do vírus mais infecciosa e letal, e auge do inverno.
Mas apenas dois meses depois, na última segunda-feira (22/03), o país registrou somente 36 mortes por covid em um dia. Após um longo inverno de restrições e lockdowns, os britânicos agora traçam planos para voltar à uma vida um pouco parecida com a que tinham antes da pandemia.
Escolas foram reabertas no começo do mês, e até o dia 15 de abril o Reino Unido pretende ter dado uma dose de vacina para toda a sua população com mais de 50 anos de idade. A meta é vacinar todos os adultos até 31 de julho.
or vacinas. Os resultados estão aparecendo agora: o país vacinou duas vezes mais pessoas do que a Alemanha e três vezes mais do que a França.
Esse esforço parece estar tendo recompensas agora, com o Reino Unido levando vantagem em relação ao resto da Europa na reabertura da economia.
“Se você comparar os lockdowns que foram implementados — o de março do ano passado com o de janeiro deste ano — vai perceber que na primeira vez a queda no número de casos foi bem mais lenta”, disse à BBC News Brasil a pesquisadora Julii Brainard, da Norwich Medical School, na University of East Anglia.
“Agora os números caíram bem mais rapidamente, apesar de as condições serem diferentes. E qual foi a grande diferença entre os dois lockdowns? É que agora temos a vacinação acontecendo, o que acelerou a queda.”
O lockdown definitivamente teve impacto na redução dos números, mas as vacinas ajudaram a acelerar o processo.
Ela alerta que mesmo com muitas pessoas recebendo a primeira dose da vacina, estudos recentes indicam que a população pode estar relaxando nos seus hábitos.
“As pessoas não estão indo a grandes eventos e aglomerações, mas elas estão começando a retomar o contato com pessoas mais próximas e circulando mais. Isso precisa ser feito com cuidado.”

Não acabou
Mesmo com o número de mortes tendo caído substancialmente, o Reino Unido ainda está longe de ter se livrado do lockdown.
A maioria dos estabelecimentos considerados não-essenciais continua fechada e só reabrirá a partir de 12 de abril, se houver condições para isso.
Um calendário para reabertura gradual da economia prevê que até meados de junho boa parte das atividades já tenham sido retomadas. No entanto, o governo frisou que esse calendário só será cumprido caso não haja imprevistos no caminho — como atrasos na vacinação ou repique no número de casos, hospitalizações ou mortes.
“Em todos os cenários, se levantarmos o lockdown muito repentinamente, toda a modelagem sugere que teríamos um aumento substancial enquanto muitas pessoas ainda não estão protegidas”, alerta o principal assessor de saúde do governo, Chris Whitty.
“Muitas pessoas podem pensar que tudo isso acabou. É muito fácil esquecer a rapidez com que as coisas podem piorar.”
O Parlamento britânico debate agora sobre a possibilidade de estender as leis de emergência contra o coronavírus até o final de setembro.
O governo não descarta que o país pode ter uma nova onda de coronavírus no final do ano, quando o outono começar. E pesquisadores acreditam que existe a possibilidade de uma nova mutação do vírus surgir que seja imune às vacinas.

Fonte: BBC Brasil

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