O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fala à imprensa após reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Witzel afirma não ter como pagar advogados e manobra para tentar adiar sessão, mas tribunal nega

O governador afastado Wilson Witzel pediu para que o Tribunal de Justiça do Rio adiasse a sessão de depoimentos desta quarta-feira, mas o Tribunal Especial Misto (TEM) negou, por maioria de votos, a tentativa de manobra. Witzel anunciou ter revogado os advogados com o argumento de incapacidade financeira e pediu um prazo 20 dias para que pudesse constituir nova defesa. O pedido, no entanto, foi indeferido. Nesta quarta, o ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos será interrogado.
Antes da abertura da sessão, Witzel pediu a palavra ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Henrique Figueira, e anunciou a revogação de sua equipe de defesa. “Eu peço, senhor presidente, que me conceda o prazo de 20 dias para a apresentação de defesa. O processo é complexo, tenho dificuldade de contratar advogado por não ter capacidade financeira”, afirmou Witzel. Com o argumento de ser incapaz de pagar a defesa, o governador pontuou que, quando afastado, teve reduzido um terço do salário.
“Meus advogados não são remunerados. As remunerações foram pagas no início por mim, em valores simbólicos. Não tenho capacidade financeira de pagar um escritório de advocacia. Mas independentemente da capacidade financeira, o escritório da doutora Ana Teresa Basílio tem me assistido”, comentou o governador afastado.
Apesar de ter revogado a defesa, Witzel esteve acompanhado de um advogado que trabalha no próprio escritório da antiga defensora do governador afastado.
Durante os votos, os membros do tribunal utilizaram termos como “fora de ordem” e “tentativa de causar tumulto” para as manobras de Witzel. O desembargador Maldonado de Carvalho lembrou que o governador afastado já sabia previamente da data da sessão, e que o estatuto da OAB defende que só haja substituição de defesa quando for definido um novo advogado. “A medida é totalmente impertinente”, afirmou o desembargador.
Na última segunda-feira (5), a defesa do governador afastado tentou suspender o processo de impeachment, com o argumento de que não teve acesso ao conteúdo completo da delação do ex-secretário Edmar Santos. O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para Moraes, o direito ao acesso ao conteúdo foi, sim, assegurado.
O ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos também comparece e depõe pessoalmente nesta manhã, mas por determinação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a imprensa não poderá gravar o interrogatório, sob a justificativa de “proteção de sua imagem”.

Fonte: O Dia

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