Paróquia do Alto da Serra inaugura o espaço de acolhimento Padre Francisco Montemezzo

Com objetivo de atender pessoas que vem à Petrópolis fazer tratamento contra o câncer e hemodiálise, a Paróquia Santo Antônio, no Alto da Serra, inaugurou no sábado, dia 10 de abril, o Espaço de Acolhida Padre Francisco Montemezzo. O nome foi escolhido para homenagear o pároco emérito da Paróquia, que por mais de 30 anos trabalhou no Alto da Serra onde acolhia os carentes e doentes de Petrópolis. O serviço estará funcionando a partir da segunda semana de maio.
A inauguração contou com a presença do bispo da Diocese de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, OSB, que presidiu a missa, concelebrada pelo Pároco, Padre José Celestino Coelho e acompanhada pelos fiéis na forma presencial, seguindo todas as regras de segurança sanitária e pelo canal do Youtube da Paróquia. Padre José Celestino agradeceu o apoio de todos, afirmando que a homenagem é merecida pelo grande trabalho realizado pelo Padre Francisco junto as pessoas carentes.

Dom Gregório e Padre Celestino abençoando o espaço.
Dom Gregório Paixão emocionou a todos ao fazer um relato sobre a atual situação de saúde do Padre Francisco, que se encontra internado no Hospital SMH onde vem recebendo todos os cuidados pela equipe médica. “Padre Francisco está nos evangelizando apenas com seu sorriso”, afirmou o bispo diocesano, relatando que neste momento o sacerdote não fala mais, é alimentado por uma sonda e recebe todos com um sorriso. Dom Gregório disse que, por determinação da equipe médica, a visita ao Padre Francisco está proibida para evitar que ele contraia algum tipo de infecção.
O Espaço de Acolhimento, segundo a Irmã Dilma Maria, assessora da Pastoral da Caridade, foi criado a partir do desejo do Padre José Celestino em ter um local par acolher os irmãos necessitados. Muitos são acolhidos pela casa da Associação Petropolitana dos Pacientes Oncológicos (APPO) e por outras instituições. Mesmo assim, a demanda é maior do que a existência de locais para acolhimento. Por isso, o espaço estará aberto a todas as pessoas, desde que atendam aos critérios de acolhimento e estejam acompanhadas por um cuidador.

Irmã Dilma Maria
Ainda segundo a Irmã Dilma, seguindo o desejo do Padre Celestino e com apoio da Assistente Social da Mitra Diocesana, Gisele Carvalho, o espaço foi criado e contaram com apoio de vários benfeitores e da comunidade católica do Alto da Serra que possibilitaram a construção do imóvel que conta com quatro quartos, cozinha, sala e banheiros. O espaço será mantido pela Pastoral da Caridade com alimentos, material de higiene e outros insumos necessários para o acolhimento. No entanto, cada acolhido deverá ter um acompanhante que será o responsável pela alimentação de cada paciente.
– Este é um serviço de caridade, de acolhimento seguindo o carisma do Padre Francisco e o desejo do Padre Celestino. Por isso, estamos preparando uma equipe que será responsável pelo acolhimento e contamos com o apoio de uma enfermeira voluntária” afirmou Irmã Dilma, ressaltando que profissionais de saúde interessados em serem voluntários neste trabalho, como fisioterapeuta e outros, podem entrar em contato com ela.

História do Padre Francisco
Francisco Montemezzo, nasceu em 13 de julho de 1937, na região da Bastia, localizada a 20 Km de Pádua, na Itália. Filho do casal Egídeo e Letícia. O segundo em quatro irmãos – Antônio, Fábio e Sérgio – Padre Francisco sempre falou com alegria e orgulho de seus irmãos, cunhadas e sobrinhos. No dia 18 de julho do mesmo ano, foi batizado por um padre que era primo de seu pai, que fora ordenado dois dias antes de seu nascimento.
Francisco teve uma infância modesta, ao lado de três irmãos, cercado do carinho de sua família, que era muito fervorosa. Todos os dias, à noite, quando sua mãe terminava as tarefas domésticas, sua avó reunia em torno dela todas as crianças da família. Na sala iluminada por uma palha de milho que queimava, rezavam o terço e repetiam todo o catecismo.
Desde pequeno, ele dizia para ao padre de sua comunidade, que gostaria de ser padre como ele. Todos os dias de manhã cedo, Francisco ia a missa, sendo que a igreja, ficava a dois quilômetros de sua casa. Depois da missa voltava para casa, tomava seu café e andava mais dois quilômetros para ir à escola.
À tarde voltava para a igreja para ir ao catecismo. Aos sete anos, Francisco fez sua primeira comunhão, quando usou, pela primeira vez um terninho branco de linho que foi tecido e confeccionado pela sua mãe.  Depois, tornou-se coroinha e no rigoroso frio do inverno, sua avó o cobria com o seu xale para aquecê-lo ao longo do caminho da igreja.
Com 12 anos, ele pediu ao pai para ir para o seminário.  O pai disse que não podia, porque tinha outros irmãos e não tinha como mantê-lo.  Francisco chorou por não poder ir para o seminário.  Até que sua mãe resolveu criar coelhos e assim conseguia custear seus estudos no seminário. Ela criava entre 80 e 90 coelhos, que quando cresciam eram vendidos.
Quando seminarista, ao vir em casa nas férias, ajudava seu pai na lavoura. Colhia milho e uva. Num dos momentos de férias, teve dúvida sobre se voltava ou não para o seminário. Certa manhã, depois de uma noite mal dormida, cheio de dúvidas, ele abriu seu Evangelho e contando com a pouca claridade que entrava por uma fresta na janela, leu a seguinte passagem onde Cristo dizia a Pedro e seu irmão André: “Vinde comigo, farei de vós pescadores de homens”.
Esse trecho esclareceu suas dúvidas, fazendo com que ele assumisse definitivamente sua vocação. Durante o período no Seminário de Pádua, certa vez, um sacerdote missionário, que havia cortado a própria língua para não renunciar a sua fé em Jesus Cristo, pois havia sido preso num país que fazia missão, deu testemunho de sua vida aos seminaristas.
Naquela noite, saindo do dormitório escondido e com medo de ser pego, Francisco foi ao quarto do missionário e lhe entregou o único dinheiro que tinha, pedindo que o padre rezasse para que ele fosse também um missionário.
Francisco foi ordenado padre em 8 de julho de 1962 no Seminário Diocesano de Pádua, na Itália, aos 25 anos. Sua primeira missa foi no Santuário de Nossa Senhora Montenérico, cuja capela fica sob o manto de uma grande imagem de Nossa Senhora. Seu primeiro ano como padre passou na Itália. Durante este período pediu ao bispo para ser missionário e como resposta foi enviado para ser vigário numa paróquia. Um ano depois recebeu do bispo a autorização para ser missionário e, aos 27 anos foi para o Equador.
Neste país, chegou em 16 de dezembro de 1963, depois de 21 dias viajando de navio, desembarcou no porto de Guaiaquil na cidade do Equador Capital Quito. Foi vigário da Paróquia Baeza permaneceu por dois anos e, depois, foi nomeado para Archidona, onde permaneceu por nove anos no meio dos índios, províncias de Nabo do Equador.
Durante este período, construiu nove escolas, além de outras iniciativas, principalmente a catequese para os índios. A língua oficial era o espanhol, o Quecha (idioma) dos incas, grupos dos índios chamados Yumbos. Para se comunicar com os índios aprendeu rapidamente a língua deles e por isso, no horário da missa onde havia grande participação dos índios, a pregação era feita sempre pelo Padre Francisco.
Nesta comunidade visitou todos os índios e quando anoitecia, dormia na casa de um índio. A cama era de bambu cortada ao meio com um colchão fino. Para se adaptar a esta realidade, Padre Francisco pediu que fizesse uma cama igual para a casa paroquial, com isso não sentia diferença quando dormia na casa dos índios.
Depois do Equador, voltou a Itália para ver seus familiares e em 26 de abril de 1975, Padre Francisco chega ao Brasil indo para a Paróquia São José do Itamarati, na Diocese de Petrópolis. Nesta paróquia realizou diversos trabalhos e, aproveitando a experiência do Equador, visitou cada família da Paróquia, fossem católicas ou não. Um de seus grandes trabalhos foi com a catequese, a formação dos jovens e formação de grupos para rezar na casa das pessoas, aproveitando sempre a Campanha da Fraternidade e a Novena de Natal.
Os grupos criados pelo Padre Francisco na Paróquia São José hoje são incentivados pela Igreja, como está previsto no Documento de Aparecida, como pequenas comunidades. Em cada rua da Paróquia, havia um grupo com 12 ou mais pessoas que procurava visitar e rezar na casa de família. Para este trabalho, Padre Francisco contou sempre com a presença de seminaristas diocesanos, lazaristas e religiosos e religiosas. Os movimentos da Igreja, como Cursilho, ECC, Jovens e tantos outros sempre tiveram apoio e seu incentivo.
Paralelo ao seu trabalho religioso, Padre Francisco nunca se esqueceu daqueles que hoje Papa Francisco chama invisíveis da sociedade. Sempre ajudou os mais necessitados, visitando-os em suas casas, levando a Palavra de Deus e a ajuda material. Visitando os doentes nos hospitais e em suas casas e atendendo a todos que batiam a sua porta pedindo uma ajuda material ou espiritual. Este é um trabalho que realizou até ficar doente de um AVC.
Em 1984, a pedido do então bispo da Diocese de Petrópolis, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Padre Francisco assume a Paróquia Santo Antônio do Alto da Serra. Nesta Paróquia, Padre Francisco encontrou uma comunidade estruturada e por isso, como pastor deu continuidade ao trabalho, fazendo as mudanças necessárias e ampliando o trabalho da paróquia. Uma de suas realizações durante o período que ficou à frente da Paróquia do Alto da Serra foi anteceder ao Documento de Aparecida incentivando a instalação de pequenas comunidades, além das cinco grandes, incentivando que se reuniam semanalmente para rezar e meditar a Palavra. Padre Francisco fazia questão de uma vez por mês celebrar missa em cada uma delas. Por conta disto, todos os dias tinha missa numa pequena comunidade.
Com a Paróquia estruturada, com todas as pastorais e movimentos atuando, Padre Francisco aproveitou para ampliar seu trabalho de visita as famílias e aos mais necessitados e com isso criou campanhas como do coberto para o inverno das famílias carentes e da cesta básica. O seu trabalho na Paróquia do Alto da Serra era intenso, pois sempre deixava sua “porta aberta” para atender quem lhe procurava e não eram poucas.
No domingo, entre uma missa e outra, sempre atendia confissão, visitava um doente, atendia a família de algum falecido e sempre após a missa da noite, mesmo cansado, nunca deixava de atender as pessoas, fossem elas paroquianos ou não, morador de rua ou alguém que necessitava de ajuda. Este é o resultado de seu ministério sacerdotal, doar-se por inteiro para aqueles que necessitam do anúncio da Palavra e do pão nosso, a exemplo de Cristo que alimentou o povo com pão e peixe e os alimentou também com sua palavra.
Ele ficou à frente da Paróquia do Alto da Serra até 20 de outubro de 2015, quando foi nomeado Pároco Emérito da Paróquia Santo Antônio do Alto da Serra e Vigário da Paróquia Nossa Senhora do Amor Divino. Indo residir no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino.
Paralelo ao seu trabalho como pároco, desde sua chegada a Diocese de Petrópolis foi confessor e diretor espiritual no Seminário Diocesano. Desta forma, ao longo destes 45 anos tem contribuído de forma direta na formação dos sacerdotes diocesanos. Nos últimos anos, pela convivência diária, os seminaristas têm a oportunidade, não apenas ouvir suas histórias e ver sua atenção ao povo de Deus, mas de testemunhar sua espiritualidade, seu cuidado com o celebrar e seu amor a Virgem Maria.

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