sáb. set 18th, 2021

Mirando na Marvel, Netflix inaugura império de super-heróis de HQs

Entre as habilidades especiais dos super-heróis do século 21, o poder de monopólio de mercado parece ser um dos mais almejados pelos seus criadores.
No ano anterior à explosão da pandemia que fechou os cinemas, o de 2019, “Vingadores: Ultimato” se tornou a maior bilheteria do mundo. No fim de semana em que estreou nos Estados Unidos, 90% de todos os ingressos de cinema foram comprados para o longa da Marvel. Por aqui, o filme chegou a ocupar 80% das salas brasileiras.
Agora é a vez da Netflix tentar a sorte nessa seara. Em 2017, a empresa de streaming comprou a editora de quadrinhos Millarworld, do quadrinista britânico Mark Millar, que conta com um universo fictício de 20 franquias diferentes. A primeira delas a ser exibida será “O Legado de Júpiter”, transformada em série, que estreia nesta semana.
O criador da Millarworld, que teve passagens pela Marvel e pela DC e já teve obras como “Kickass” e “Kingsman” adaptadas para o cinema, não descarta um futuro em que suas franquias tenham uma força comercial equiparável à da Marvel, no formato audiovisual.
“O caminho das pedras que aprendemos com a Marvel foi juntar o seu melhor material com os melhores profissionais criativos que você conseguir encontrar. É essa mesma estratégia que aplicamos aqui”, diz Millar.
Mas esse avanço de grandes franquias de HQ em direção a filmes e séries não pode resultar num mercado ainda mais oligopolizado? “O que eu acho que isso faz é trazer dinheiro para os estúdios. Com isso, os estúdios podem investir em mais produtos audiovisuais”, responde o quadrinista.
Mesmo que sua obra esteja sendo adaptada para o streaming, Millar faz uma analogia com as salas de cinema. “Uma grande rede de cinema é a melhor amiga do cinema independente”, diz Millar. “Quando eu era criança, os cinemas tinham três salas, no máximo. Então, se você tem um pequeno filme independente, você não teria chance de entrar numa dessas salas. Mas, se todo mundo está indo ver um filme da Marvel, da DC ou um ‘Transformers’, provavelmente haverá mais três telas passando outros tipos de filme. Então acho que tem sido muito bom para todos.”
Segundo ele, os blockbusters de super-herói também têm sido um catalisador para que as pessoas, em plena era de ouro do streaming, cultivem o hábito de assistir a filmes nos cinemas. E, com isso, “percebem que é uma experiência tão boa que continuam indo para ver outras coisas”.
Nos quadrinhos ou nos filmes e séries, aliás, já faz algum tempo que não é possível dizer que histórias de super-heróis se limitam só a homens adultos de collant trocando socos com vilões de pouca profundidade dramática.

Fonte: Folhapress

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