qui. out 21st, 2021

Paula Fernandes desacelera carreira e diz ignorar haters

Em quase 29 anos de carreira, Paula Fernandes, 36, diz ser a primeira vez que fica mais de um ano sem fazer show presencial. Se por um lado tem sido doloroso estar longe dos palcos, por outro, a cantora sertaneja afirma que aproveita o período para fazer uma reflexão.
“O grande barato é que eu tive mais tempo para colocar na balança o que é realmente prioridade na minha vida a partir de agora”, diz ela, que trocou a boneca pelo violão aos oito anos e, desde então, não parou mais.
Paula Fernandes afirma ter concluído que precisa ter mais equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Isso significa uma desaceleração no ritmo da carreira. “Sempre vivi 24 horas para o meu trabalho e não me arrependo disso. Tudo foi válido, porque eu conquistei, cheguei ao ponto em que eu queria, ultrapassei barreiras do preconceito contra mulher e outras muitas barreiras”, diz ela, em entrevista por telefone ao F5.
Ela pondera que não quer mais abdicar dos momentos de lazer em família que têm experimentado durante esse período de recesso forçado. São situações simples, como ajudar a enteada em uma lição da escola, tomar café da manhã com calma, tirar um cochilo no meio da tarde ou até dormir oito horas seguidas.
“É encontrar o equilíbrio entre estar na estrada e estar com os meus fãs, porque isso é vital para mim como artista, mas, também, ter tempo para ser somente a Paula Souza [sobrenome que ela não usa na carreira artística].”
“Eu sempre senti muito falta, mas nunca tivera tempo para pensar e vivenciar isso. E é muito gostoso poder simplesmente ser eu. Gosto de despir do personagem para estar em casa, sabe”, afirma com seu leve sotaque mineiro.
Ela revela ser uma “necessidade” deixar a Paula Fernandes cantora “lá fora para voltar a ser eu mesma”. “Com o meu coque, de chinelo, sem maquiagem e sem me preocupar com os julgamentos”. A sua versão artista tem um público bem fiel e conseguiu mais de 3 milhões de visualizações em um mês do lançamento do clipe do seu single mais recente, “Promessinha”.
Paula diz ser tímida e que essa foi a maior dificuldade que encontrou na carreira, que exige que ela seja “mais falante”. Com 4,3 milhões de seguidores no Instagram, ela afirma gostar desse contato mais próximo com os fãs, de “bater papo e receber carinho”.
Criou inclusive um grupo no Telegram para estreitar esse relacionamento. E os haters? Ela diz adotar a tática de ignorar. “A vida é finita. Eu vou ficar perdendo tempo com hater? Tenho coisas para fazer”, salienta, aos risos. Ela ressalta que as pessoas precisam entender que o artista não tem a obrigação de expor toda a vida pessoal.
Na avaliação dela, há uma cobrança muito grande para que a cantora ou a atriz tenha um comportamento exemplar. “E não tem nada a ver não. Nós somos indivíduos que estamos em processo de evolução, assim como todo o mundo. Vamos separar as coisas.”
Antes de contar, por exemplo, que tirou uma soneca recentemente no meio da tarde, ela já previu que poderia ser alvo de críticas. “Como o mundo anda chato, se eu falar que fiquei à toa, vão falar: ‘Está vendo porque vida de artista é fácil, isso é sorte’. E não é questão de sorte, eu sempre trabalhei muito.”
Paula Fernandes relembra que já fez 220 apresentações em um ano, o que diz ter sido importante na época, mas que provocou efeitos negativos. “Não há psicológico que suporte a ideia de você não ter vida social nenhuma. Você fica de cidade em cidade, sempre presa em um quarto. De certa forma, já era um isolamento.”
Agora, a cantora se mostra feliz na sua vida pessoal. Com a pandemia e a impossibilidade de ficar na ponte aérea, passou a morar em São Paulo com o namorado, Rony Cecconello. É a primeira vez que divide o teto em um relacionamento amoroso.
A convivência, destaca, tem sido “ótima”. “A frase para mim é: o casal que suportar a pandemia é um casal para sempre (risos). Está sendo muito bom para gente se conhecer, potencializou, acelerou o processo”.
Mas nada de casal perfeito. “Longe disso”, faz questão de ressaltar. “As pessoas pensam que eu levo a vida de conto de fadas, não é. Tem as nossas dificuldades, tem os nossos desencontros também. Ninguém nasceu preparado para ninguém. Relacionamento é construção. Um dia está bom, outro dia não está. E assim vai, como qualquer outro casal.”
Cecconello tem dois filhos, uma menina de nove anos, e um menino de oito anos. “Eu brinco que peguei a família pronta já.” Perguntada se pretende ser mãe, ela diz que nunca foi o seu sonho, mas congelou seus óvulos para “poder ter essa paz” se tiver vontade mais tarde.
“Peguei responsabilidade tão cedo, virei arrimo de família com dez anos, então, eu sempre fui mãe de certa forma.” Ao lado dos enteados, ela afirma ser uma moleca, que brinca com eles de videogame e propõe atividades lúdicas. “Mas o meu [filho] não sei. O instinto maternal não gritou ainda.”
E oficializar a união? Ela afirma que isso deve acontecer em algum momento, mas que não pensa em casamento ou grandes festas agora, diante das muitas mortes e dificuldades que o país enfrenta. “Já estou com ele. Estamos morando na mesma casa e já tem esse comprometimento de coração”, afirma.

PARCERIAS
Embora em um ritmo mais leve, Paula Fernandes prepara lançamentos para 2021. Além de “Promessinha”, ela planeja apresentar outros singles e duetos ao longo do ano. Afirma que tem conseguindo compor um “pouco mais” mais durante a pandemia, já que tem mais períodos ociosos.
“Nunca fui dessas de sentar todos os dias e compor. Aqui o esquema é um pouco mais difícil”, afirma, aos risos. “O meu processo é na hora que ele vem, eu tenho que estar disponível para ele”, completa.
“Promessinha”, por exemplo, é uma parceria com o DJ Bruno Martini e Elias Inácio, que nasceu durante o isolamento. A canção marca a entrada de Paula Fernandes na bachata, gênero latino derivado do bolero que tem sido incorporado pelos sertanejos brasileiros nos últimos anos, em especial por Gusttavo Lima.
“Foi uma coisa que nasceu naturalmente. Quando íamos compor uma bachata na vida? Mas eu penso que isso é o barato de ser compositor: não se limitar. Tenho o coração muito aberto para as minhas canções. O que vem é sempre muito bem recebido.”
A bachata é definida pelo ritmo constante e por violões que lembram guitarras. Na letra de “Promessinha”, um clássico sobre um amor não correspondido. “Agora você vem com a mesma promessinha para me envolver/Ficar mais uma noite para te dar prazer/ Já deu, parei/ Melhor não te querer”, canta Paula.
Ela afirma que escreve com base em “algumas promessinhas” que já escutou não só em relacionamentos afetivos. A cantora diz ainda não saber se fará outras composições no ritmo, e salienta que não gosta de seguir modismos só para fazer sucesso.
“Tem as pessoas que fazem a repetição do que já está no ar. E tem as pessoas que trazem as tendências. Eu fico com a segunda opção, porque vou acertar, vou errar, mas o importante é ser original”, defende.
Para ela, o essencial é cantar o que “vem do coração”. “Não é todo o mundo que vai gostar, mas também ninguém tem a obrigação de gostar”, destaca. “Se eu fizer a repetição, aí acaba tudo igual. Que coisa mais sem graça.”

Do Notícias ao Minuto

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