sex. set 17th, 2021

Morre o Laíla, um dos grandes nomes do carnaval carioca

O carnaval carioca sofre mais uma baixa para a Covid-19. O carnavalesco Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, que estava internado desde último fim de semana no Hospital Israelita Albert Sabin, no Maracanã, Zona Norte do Rio, morreu na manhã desta sexta-feira. O falecimento foi confirmado pela esposa dele, Marli da Silva Ribeiro. Por volta de 11h30, ele teve uma parada cardíaca, segundo familiares.
Laíla, de 78 anos, era uma das figuras mais importantes da folia carioca, com passagens por escolas como Beija-Flor, Vila Isabel, Unidos da Tijuca e União da Ilha, entre outras. Mas, segundo a mulher morreu triste porque ultimamente estava afastado do carnaval. A família ainda não tem informações sobre o sepultamento.
Laíla chegou a tomar a segunda dose da vacina contra o novo coronavírus há cerca de um mês, o que permite a proteção completa oferecida pelo imunizante. Além da viúva, ele deixa um casal de filhos.
— Tudo tem sua hora. Pena ele ter ido num momento de muita tristeza, porque estava afastado do carnaval, não só por não ter tido os desfiles (por conta da pandemia), mas pela falta de convites — lamentou a viúva.
Laíla começou sua carreira no Salgueiro e em 1975 foi para a Beija-Flor acompanhado pelo carnavalesco Joaosinho Trinta. Mas chegou a trabalhar também na Unidos da Tijuca, Vila Isabel e Grande Rio. Ele voltou para a escola de Nilópolis em 1995, quando ajudou a agremiação a conquistar oito títulos, incluindo o tricampeonato em 2003, 2004 e 2005 e um bicampeonato em 2007 e 2008.
Foi diretor de carnaval da Beija-Flor até 2018. A última escola em que esteve foi a União da Ilha. Laíla é o segundo maior vencedor da folia carioca. Ele só perde para Joãosinho Trinta, que tem nove conquistas.
A Beija-Flor de Nilópolis, escola onde Laíla atuou por cerca de três décadas, divulgou nota lamentando a perda:
“A perda de Laíla coloca em luto oficial, por tempo indeterminado, toda a família Beija-Flor (aqui representada pelo presidente de honra Anísio Abraão David e o presidente Almir Reis), ao mesmo tempo em que mobiliza toda a comunidade carnavalesca, já tão impactada com outras partidas significativas em meio à pandemia.Conhecido pela genialidade e a personalidade forte, Laíla carregou consigo o mérito de ter transformado os desfiles da Beija-Flor em um “rolo compressor” capaz de cruzar a Avenida sem perder décimos em praticamente todos os quesitos, principalmente os “de chão” (Harmonia e Evolução, intimamente ligados ao canto e a dança). Também merecem destaque o luxo e a suntuosidade das alegorias e fantasias que deixaram o barracão da Beija-Flor rumo ao estrelato diante de milhares de foliões”, diz a nota da escola.
Laíla teve três passagens diferentes pela escola de Nílópolis: entre 1975 e 1980, 1987 e 1992 e, por fim, 1994 e 2018. No período mais recente e duradouro, o laço se manteve por 23 anos e somou oito vitórias da Deusa da Passarela com Laíla comandando a Comissão de Carnaval.
Diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e filho do patrono da Beija-Flor Anísio Abraão David, Gabriel David disse que a relação de Laíla com a escola e sua família sempre foi tão próxima que ele nem se lembra quando foi a primeira vez que o viu na vida. A última que ele se recorda: foi na eleição para escolha da nova diretoria da liga, em março. Na sua opinião, revolucionou o conceito de desfile das escolas de samba e foi uma perda irreparável para o carnaval:
— Foi a perda de uma pessoa histórica para o samba, como um todo. Uma pessoa que ajudou a Beija-Flor a ser o que ela é. Para a gente é a perda de um amigo, de uma pessoa muito próxima, de alguém por quem a gente tem um carinho absurdo e eterno. Esse momento é difícil não só para a Beija-Flor. Todo mundo que gosta de carnaval está triste. É a perda de uma pessoa histórica para a Beija-Flor, sem dúvida. Nem me lembro a primeira vez que vi o Laíla pela primeira vez. Eu era criança ainda e convivi minha vida inteira com ele. A última vez que a gente esteve junto foi na eleição da liga e conversamos muito. Tive oportunidade de aprender muito com ele. Era como se fosse um tio para mim. Laíla revolucionou o conceito dos desfiles. Poucos artistas tinham uma visão tão ampla do desfile como ele. Muito do que ele criou foi replicado inclusive por outras escolas.

Fonte: Extra on Line

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