sex. jan 21st, 2022

No decorrer da pandemia, pacientes curados da Covid apresentam sintomas de outras doenças, que não tinham antes

Distúrbios mentais, cardiovasculares, metabólicos, gastrointestinais, neurológicos, fraqueza e fadiga, são algumas das patologias que acometem os pacientes no pós-Covid, segundo médicos da clínica popular Clinipae, do Rio de Janeiro
Com lotação do SUS, as clínicas populares tornaram-se soluções acessíveis para que pessoas de baixa e média renda tenham acesso a serviços de saúde. De acordo com dados da Clinipae — Centro Médico e Odontológico da Riopae, empresa de assistência familiar, os atendimentos médicos e exames cresceram em 12,5%, comparando os meses de janeiro a maio de 2020 e 2021. Se o ritmo de crescimento continuar o mesmo, até o final de 2021, esse aumento pode chegar a 30%. Afinal, nunca antes houve tanta necessidade de atendimento médico no País, tanto para quem quer garantir a saúde e a imunidade, caso se contamine, como quem já sofreu com a doença e agora precisa administrar as sequelas. A clínica oferece consultas e exames com valores, em média, 40% menores do que os praticados em consultórios e clínicas particulares.
Os preços das consultas variam de R$ 10 a R$ 60 para associados e de R$ 60 a R$ 80 para pacientes particulares.
De acordo com um relatório da Fundação Perseu Abramo, a Baixada Fluminense, principal área de atendimento da Clinipae, é considerada uma das mais vulneráveis à Covid. Também é alto o índice de mortalidade. Segundo pesquisas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), seis cidades da Baixada Fluminense estão entre as 10 com as maiores taxas de letalidade da doença no estado do Rio de Janeiro – São João de Meriti e Nilópolis ficam com as maiores taxas, seguidas por Mesquita, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Seropédica. Entre os fatores que levam a esse resultado estão a maior vulnerabilidade e a alta densidade demográfica da região.
No início do ano passado, segundo dados da clínica, a procura maior foi para acompanhamento médico e consultas de rotina, já que o sistema público não estava dando conta de atender outras patologias, apenas Covid. Além disso, pessoas que não se preocupavam tanto com a saúde começaram a procurar as clínicas para fazer check-up, para fortalecer o sistema imune. Até o número de homens, que não costumam ter o mesmo cuidado com a saúde como as mulheres, aumentou em 40% nos serviços de medicina preventiva.
No entanto, no decorrer da pandemia, pacientes que se curaram da Covid começaram a apresentar sintomas de outras doenças, que não tinham antes. De acordo com o relato dos médicos da Clinipae, problemas como distúrbios cardiovasculares, metabólicos, gastrointestinais, neurológicos, anemia, dores articulares, fadiga, cefaleia e dispneia são alguns dos que acometem os pacientes no pós-Covid.
As doenças cardiovasculares estão entre os maiores atendimentos, de acordo com o Dr. Marcio Petrel Bermal, cardiologista da Clinipae e Diretor Médico da UPA – Unidade de Pronto Atendimento Jardim Iris, da Baixada Fluminense. Além do aumento do sedentarismo, estresse e tabagismo, o coronavírus desregula a pressão dos hipertensos, mesmo com uso de medicamento, o que pode facilitar a formação de coágulos e evoluir para complicações, como AVC e infarto. Ainda segundo o médico, houve casos de pacientes que contraíram o vírus e, mesmo sem histórico de doenças cardiovasculares, apresentaram cardiopatia dilatada – aumento da área global do coração – após se recuperarem da Covid.
“Diversos pacientes relatam cansaço excessivo, falta de ar e fraqueza extrema após a recuperação da Covid. Subir a escada de casa, uma ladeira da rua e fazer atividades que exigem pequenos esforços ficaram difíceis após a doença, o que mostra a necessidade de saber se há outras sequelas que precisam ser monitoradas e tratadas”, diz o especialista.
Houve também um aumento da demanda para a fisioterapia, aliada importante no processo de reabilitação pós-Covid. De acordo com a fisioterapeuta Michelle Lessa da Silva, especialista em fisioterapia respiratória da Clinipae, as dores articulares aumentaram em 50% nos pacientes que tiveram Covid. “A fisioterapia respiratória está presente em todo o processo de combate à doença, desde o momento em que o paciente é internado, começando pelos exercícios de fortalecimento dos músculos respiratórios para evitar a entubação, até a necessidade de Ventilação Mecânica”, explica.
Após a alta hospitalar, há pacientes que precisam de reabilitação, como a cinesioterapia, que envolve exercícios para fortalecimento da musculatura respiratória, treino de força, exercícios de equilíbrio, controle muscular e treinamento de marcha. O tratamento pode durar de seis semanas a seis meses, dependendo do nível de comprometimento e da evolução de cada paciente.
Outra consequência da pandemia foi o aumento de casos de doenças mentais. Segundo o Dr. Jonatas Davi Stroher, clínico geral pela Universidade Iguaçu (UNIG) e médico da Clinipae, 70% dos pacientes atendidos no consultório apresentam algum transtorno de saúde mental, como ansiedade, depressão e pânico, geralmente associados às perdas familiares, desemprego e falta de perspectiva. Medicamentos vendidos somente com prescrição médica também entraram na lista dos mais consumidos indiscriminadamente, como ansiolíticos e antibióticos, o que tem causado sequelas graves.
“Muitas pessoas não procuram ajuda profissional pela dificuldade de achar um médico com boa escuta e interesse pelos problemas do paciente. É fundamental que os profissionais deem mais atenção às queixas, até para que o diagnóstico seja preciso. Muitas doenças são originadas devido a problemas psicológicos e o tratamento médico precisa ir além dos sintomas”, pontua o médico.
Diante desse cenário e ainda sem estudos científicos e clínicos sobre as sequelas que essa doença pode gerar, o que se sabe é que o caminho a ser percorrido é longo e ainda pouco conhecido. Nesse sentido, o acompanhamento de quem contraiu a doença e está passando pela reabilitação deve incluir uma equipe multidisciplinar e bastante disposição dos profissionais e pacientes para vencer mais essa etapa.

Sobre a Clinipae
A Clinipae – Centro Médico e Odontológico – está localizada em São João de Meriti (RJ), Baixada Fluminense, e faz parte do grupo Riopae, empresa de assistência familiar e plano funeral com 21 anos de atuação. Com serviços médicos de qualidade e preço acessível a todos, a Clinipae conta com mais de 16 especialidades, além de realizar exames laboratoriais e de imagem. Atualmente, a clínica realiza, em média, 1700 atendimentos por mês para a população da Baixada Fluminense e Grande Rio.

Sobre a Riopae
Fundada em fevereiro de 2000, a Riopae começou a sua história com a oferta de planos funerários na cidade de São João do Meriti, na Baixada Fluminense. Atualmente, o Grupo atua na Região Metropolitana do Rio de Janeiro com a Riopae, que proporciona aos seus associados serviços de amparo ao luto e plano funeral, e também na cidade do Rio de Janeiro, por meio da Casa Funerária São João Batista, na Barra da Tijuca, com o serviço de assistência diferenciada e totalmente exclusiva. Recentemente, lançou a Prabem para atender o mercado paulista através do e-commerce de planos funerários. O Grupo investe fortemente em ações de responsabilidade social por meio do patrocínio de atletas da Baixada Fluminense de diversas modalidades, além de apoio a ABRINQ, Retiro dos Artistas e aos abrigos Novo Amanhecer e São Francisco de Assis.

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