sex. maio 20th, 2022

Pets: Como amenizar estresse dos animais domésticos no fim de ano?

Correria, festas, trovões, entra e sai das casas e os temidos fogos ainda são os principais motivos de incidentes com animais quando chega dezembro. Para amenizar o problema, há várias atitudes que precisam ser tomadas pelos tutores de animais domésticos. Para melhor adaptação, é importante acostumar o animal aos poucos, dias antes da virada, que é quando geralmente acontecem os piores barulhos.
Em Petrópolis, no dia 3 de dezembro de 2021, foi regulamentado o novo decreto da lei 7.956/2020, que proíbe fogos de artifício barulhentos no município. De acordo com informações da Prefeitura, a multa pelo descumprimento da lei municipal pode variar entre R$ 130 e R$ 26 mil, a depender da gravidade. Denúncias podem ser recebidas pelos números (24)2246-9257 e 153.
Além de fogos barulhentos, que também prejudicam pessoas com deficiência, crianças e idosos, há outros barulhos amedrontadores aos animais muitos comuns neste período: as trovoadas de verão. Segundo a médica veterinária Priscila Mesiano, da Clínica Amigo Bicho, em Petrópolis, os animais possuem capacidade auditiva muito superior à nossa. Por isso, sentem tanto incômodo com artefatos utilizados nas celebrações. “Cães, gatos e até silvestres sofrem com o problema, mas enquanto gatos ficam quietinhos, cachorros começam a tremer, ficam nervosos e procuram um lugar para se esconder”, avalia.
Estar presente junto aos animais domésticos e manter um som ambiente no dia mais barulhento do ano, é considerado o comportamento ideal para Priscila: “Além de evitar utilizar os artefatos e permanecer com os animais no interior da residência, é importante não confirmar o medo do peludo, digo, se o responsável percebe o sentimento no animal, não deve acariciá-lo neste momento”, ressalta a profissional, que orienta donos a deixarem nome e telefone em plaquinhas de identificação ou até mesmo escrito a caneta nas coleiras de cães e gatos, pois a agitação causada pelos fogos, somada ao entra e sai das visitas, costuma ser grande motivo de fugas. Também é fundamental não deixá-los acorrentados, pois podem se enforcar, provocando a morte do animal.
Outra técnica que pode ser utilizada é a de dessensibilização sonora sistemática. Consiste em trabalhar com um aplicativo de celular que simula estampidos de fogos e uma caixinha de som via Bluetooth. Aos poucos e gradativamente, coloca-se o barulho perto dos cães do nível um ao nível 10, sendo a cada dois dias um nível, variando também os tipos de fogos. Ao fazer o exercício, observar se o animal está se acostumando ou não e aí vai se limitar ou não o volume do aplicativo. A dica é importante para dessensibilizar o animal diante destes sons. Além disso, é fácil e não há custos extras.
Para a protetora Mariana Davies, fundadora da ONG Somos Todos Protetores, as pessoas devem se precaver contra os fogos, mesmo com a nova regulamentação no município. “É preciso continuar protegendo os animais do barulho dos fogos porque a lei foi regulamentada, mas ainda não se sabe como vai ser a fiscalização. Até porque também é fundamental que se proíba a venda. Além disso, quais as garantias de não haver retaliações em casos de denúncia? Enfim, tudo isso pode ser organizado para o fim de 2022, mas para 2021 ainda há uma série de dúvidas. As pessoas, em vez de gastar com fogos de artifício, poderiam doar ração ou ajudar um grupo de proteção que seria muito melhor”, sugere.
Infelizmente, existem casos que o sofrimento do animal é tão extremo que eles podem vir a óbito, não só por ferimento, brigas e enforcamento, como também por parada cardíaca. Por isso, Priscila ressalta ainda a adoção de outros hábitos para proteger os animais. Evitar a aglomeração de muitos animais que podem brigar pelo stress e levar a graves consequências. Colocar seu animal em cômodo seguro, com portas e janelas fechadas. Se possível colocar rádio ou TV ligada em programação calma. Existem também playlists no Spotify e canais no Youtube com horas de músicas dedicadas apenas a relaxar cães e gatos. Deixar o ambiente em meia luz. Dar alimentação leve, para evitar distúrbios estomacais.
É importante não ceder à tentação de oferecer comidas natalinas ao animal, já que os doces típicos podem causar insuficiência renal e as carnes tendem a provocar vômito e diarreia. Colocar cobertores ou edredons nas portas e janelas para abafar o som dos fogos. Se o animal permitir, colocar algodão nos ouvidos. No caso de aves, cobrir as gaiolas. Para gatos, procurar promover esconderijos seguros, como caixas de papelão, guarda roupas, entre outros.
Para amenizar o estresse, encontra-se em pet shop, difusores de odores sintéticos e rações com funções relaxantes. Além disso, também é possível ministrar florais para medo, ansiolíticos ou fitoterápicos. “Ainda há tempo de proteger o animal ao realizar um tratamento, começando dias antes do evento, por meio de uma avaliação clínica para indicar o melhor medicamento”, alerta Priscila, acrescentando ser válido procurar um especialista em comportamento animal, como adestradores, caso a ansiedade ou o medo sejam crônicos. A médica veterinária complementa: “Quando o animal tem muita fobia e fica muito ansioso, a gente receita medicação contínua para evitar acidentes”, esclarece.
No caso de pessoas que precisam estar ausentes, o recomendado é separar os animais com temperamento dominante, desde que não seja em ambientes com portas de vidro e objetos cortantes à disposição, como a cozinha, por exemplo, já que o animal acuado e agitado pode se debater contra a porta ou fazer algo cair, provocando ferimentos. Se a pessoa for viajar com o animal, é preciso atentar para o Código de Trânsito Brasileiro que obriga o uso de cadeirinhas, cintos de segurança e caixa de transporte para os animais. A hipertermia – excesso de calor – também é preocupante e deve ser evitada, não deixando o animal trancado no veículo ou em local com pouca ventilação. Em caso de viagens para a região dos lagos, os animais devem se prevenir contra o verme do coração, transmitido pelo mosquito palha, muito comum em localidades litorâneas, podendo utilizar injeção uma vez ao ano ou outras formas de prevenção, ficando a critério do médico veterinário a melhor alternativa para cada situação.

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