qui. jun 30th, 2022

Especialistas comemoram conquista do exame para toxoplasmose no Teste do Pezinho

Doença pode gerar complicações oftalmológicas e neurológicas se não diagnosticada precocemente


Uma portaria publicada na última semana, no Diário Oficial da União, ampliou o rastreamento de doenças através do teste do Pezinho no Sistema Único de Saúde, para também detectar a toxoplasmose congênita. Ao todo, mais de R$ 22 milhões serão investidos anualmente pelo Governo Federal, para os estados e municípios.
A toxoplasmose é uma infecção muito comum no Brasil. Um estudo da médica oftalmologista Ana Luísa Aleixo realizado com pesquisadores da Fiocruz, no Interior do Rio de Janeiro no início dos anos 2000, já revelava que pelo menos 65,9% da população já haviam sido infectados com o microorganismo.
A doença é causada por um protozoário e em boa parte dos casos, é adquirida por via oral, através da ingestão de água contaminada e de carnes cruas ou mal passadas que contêm cistos do parasita. Também pode ser transmitida através das fezes de gatos doentes e no solo contaminado com tais resíduos. Quando se manifesta de forma congênita, ou seja, transmitida na gravidez da mãe para o bebê, pode levar à perda de visão e múltiplos comprometimentos neurológicos, inclusive atraso no desenvolvimento da criança. Segundo a Drª Ana Luísa Aleixo, boa parte dos casos de infecção materna, são assintomáticos e o diagnóstico após o nascimento, é uma grande conquista.
“Essa inclusão simboliza um marco no diagnóstico e controle dessa doença no Brasil. Há décadas a França e outros países europeus já fazem isso. O diagnóstico pelo teste do pezinho possibilita tratar adequadamente e diminuir a chance de lesões oculares. Além disso vai permitir monitorar o número de casos para que outras medidas de controle possam ser tomadas. É uma doença que encontra muitos desafios diagnósticos e a triagem dessa forma é fundamental para proteger o bebê de danos maiores no futuro”, detalha a oftalmologista.
Ainda segundo a médica oftalmologista, a infecção é capaz de causar abortamento e lesões graves ao bebê, como cegueira, microcefalia, graus variáveis de deficit neurológico. A toxoplasmose pode ser tratada quando diagnosticada precocemente. No entanto, em casos graves, acaba gerando lesões destrutivas da retina, principalmente quando atinge zonas nobres.
“A maioria das pessoas não adoece seriamente por toxoplasmose. As situações mais críticas relacionadas a essa doença são em imunodeprimidos, grávidas e pacientes que apresentam manifestações oculares. A transmissão também pode se dar por ingestão de água contaminada, verduras, legumes e frutas contaminadas. Por isso é importante redobrar a atenção principalmente no que diz respeito à prevenção da infecção em gestantes.”, explica Ana Luísa.
O Teste do Pezinho é obrigatório e deve ser realizado em todos os recém-nascidos. O objetivo do exame é prevenir as complicações das doenças investigadas e que não apresentam sintomas no período neonatal (0 a 28 dias de vida), podendo levar a deficiências ou afetar gravemente a saúde da criança. No último ano, o programa de triagem testou 2.2 milhões de bebês, em cerca de 29 mil pontos de coleta em todo país, segundo o Ministério da Saúde.

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