{"id":37904,"date":"2024-01-08T20:11:50","date_gmt":"2024-01-08T23:11:50","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=37904"},"modified":"2024-01-08T20:11:52","modified_gmt":"2024-01-08T23:11:52","slug":"exposicao-lembra-historia-do-iconico-hotel-quitandinha-em-petropolis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2024\/01\/08\/exposicao-lembra-historia-do-iconico-hotel-quitandinha-em-petropolis\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o lembra hist\u00f3ria do ic\u00f4nico Hotel Quitandinha em Petr\u00f3polis"},"content":{"rendered":"\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o Da Kutanda ao Quitandinha, que fica aberta ao p\u00fablico at\u00e9 25 de fevereiro, relembra hist\u00f3rias do antigo hotel-cassino, inaugurado em 1944 e considerado o maior do g\u00eanero da Am\u00e9rica Latina. Em 1946, ap\u00f3s o presidente Eurico Gaspar Dutra proibir os jogos de azar no Brasil, passou a desenvolver somente atividade hoteleira. Um dos cart\u00f5es-postais mais conhecidos de Petr\u00f3polis, por causa de sua arquitetura, o Quitandinha faz 80 anos em 2024.<br>Desde 2007, a \u00e1rea pertence ao Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio do Estado do Rio de Janeiro (Sesc RJ) que, em 2023, a transformou em centro cultural.<br>Segundo o curador geral Marcelo Campos, a exposi\u00e7\u00e3o, que tem entrada gratuita, foi pensada na pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do Quitandinha e re\u00fane fotografias e imagens diversas. \u201cN\u00f3s reconstitu\u00edmos alguns mobili\u00e1rios originais. O p\u00fablico hoje pode sentar nos sof\u00e1s e cadeiras originais, que constituem uma parte da exposi\u00e7\u00e3o\u201d, disse Campos \u00e0 Ag\u00eancia Brasil nesta segunda-feira (8).<br>Al\u00e9m disso, foram buscados fatos hist\u00f3ricos em torno das artes visuais que tiveram como sede o Quitandinha, como a 1\u00aa Exposi\u00e7\u00e3o de Arte Abstrata, na qual a artista pl\u00e1stica Anna Bella Geiger se apresentou pela primeira vez, aos 18 anos de idade. \u201cIsso aconteceu no Quitandinha, organizado pelo D\u00e9cio Vieira, que era um dos artistas da mostra e morador de Petr\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Destaques<br><\/strong>Tamb\u00e9m s\u00e3o destaque os murais do artista Tom\u00e1s Santa Rosa, respons\u00e1vel por cen\u00e1rios de pe\u00e7as teatrais importantes, como Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. \u201cTemos uma ousadia ali que foi reconstituir a decora\u00e7\u00e3o de carnaval que Tom\u00e1s Santa Rosa fez em 1954, que eram os coretos da cidade do Rio de Janeiro. E n\u00f3s fizemos em escala natural, grande. No chamado Corredor das Estrelas, no Quitandinha, est\u00e3o as alegorias que aconteciam nas ruas do Rio, nos anos de 1950\u201d, disse Campos.<br>O curador da mostra tamb\u00e9m destacou a obra de Wilson Tib\u00e9rio, que tamb\u00e9m teve uma exposi\u00e7\u00e3o individual no Quitandinha. Era um pintor negro dedicado \u00e0s quest\u00f5es da cidade. \u201cTudo isso acontecia no Quitandinha que foi, realmente, um centro de excel\u00eancia para as artes, para o teatro, os espet\u00e1culos. Por l\u00e1 passaram nomes como [os cantores] Roberto Carlos e Elis Regina. Ent\u00e3o, \u00e9 muito impressionante recontar essa hist\u00f3ria.\u201d<br>Para isso, foi dado o nome \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o Da Kutanda ao Quitandinha, uma vez que o nome quitanda \u00e9 de origem africana, que caracterizava o com\u00e9rcio daquela regi\u00e3o, feito pelas quitandeiras. O territ\u00f3rio tem forte identidade afro-brasileira por conta dos quilombos formadores da cidade de Petr\u00f3polis. \u201cAssim desenhamos l\u00e1 essa exposi\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o curador geral, que lembrou um fato curioso: o primeiro momento do Furac\u00e3o 2000 foi no teatro do Quitandinha. \u201cAt\u00e9 o funk come\u00e7a no Quitandinha. \u00c9 muito impressionante isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Visitas<br><\/strong>O hotel cassino recebeu visitas de grandes personalidades do mundo art\u00edstico, entre as quais atores, diretores e atrizes como Errol Flynn, Orson Welles, Lana Turner, Henry Fonda, Maurice Chevalier, Greta Garbo, Carmen Miranda, Walt Disney e Bing Crosby, e nomes da pol\u00edtica, como Get\u00falio Vargas e a argentina Evita Per\u00f3n, por ocasi\u00e3o da Confer\u00eancia Interamericana de 1946, e o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman.<br>Marcelo Campos destacou ainda que, como o Quitandinha foi inaugurado nos anos de 1940, por ocasi\u00e3o da segunda guerra mundial, ali foram assinados v\u00e1rios tratados de paz. \u201cEra um lugar de encontros, mas um lugar de pacifica\u00e7\u00e3o do mundo.\u201d<br>Outros eventos de sucesso realizados no Quitandinha foram os concursos de beleza para escolha da Miss Brasil nos anos de 1950. No local, em 1954, a baiana Martha Rocha foi a vencedora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00facleos<br><\/strong>Exposi\u00e7\u00e3o conta hist\u00f3ria do hotel cassino Quitandinha, em Petr\u00f3polis. Foto: Sesc Quitandinha<br>Nome do hotel vem da palavra kutanda, de origem africana &#8211; Sesc Quitandinha<br>A mostra est\u00e1 dividida em seis n\u00facleos, distribu\u00eddos pelos diferentes sal\u00f5es do hotel. O primeiro, com curadoria de Filipe Graciano e Renata Aquino, traz fotografias, pinturas e v\u00eddeos que remontam \u00e0 origem hist\u00f3rica da presen\u00e7a africana naquele territ\u00f3rio. O nome Quitandinha tem origem no quimbundo, l\u00edngua falada em Angola, lugar de origem de muitos dos africanos que formaram a popula\u00e7\u00e3o afro-brasileira. Nesse espa\u00e7o, destacam-se obras de artistas novos, como Ana Beatriz Almeida, PV Dias, G\u00ea Viana, Rafaela Pinah, Wallace Pato e Aline Castella.<br>O segundo n\u00facleo homenageia Tom\u00e1s Santa Rosa, primeiro cen\u00f3grafo moderno brasileiro e diagramador e ilustrador de livros, com curadoria de Marcelo Campos e Bruno Pinheiro. As obras de Santa Rosa ganharam tratamento e restauro e poder\u00e3o ser vistas na piscina, na Galeria das Estrelas e no jardim de inverno. O visitante poder\u00e1 apreciar cria\u00e7\u00f5es de diversas fases da carreira do artista, livros ilustrados por ele e maquetes de cen\u00e1rios de sua autoria. Outro destaque \u00e9 a cenografia alusiva aos adere\u00e7os criados por ele para o carnaval de rua de 1954.<br>Outro n\u00facleo expositivo tem curadoria e pesquisa de Bruno Pinheiro e presta homenagem a Wilson Barcelos Tib\u00e9rio, artista ga\u00facho radicado no Rio de Janeiro, que teve sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual no Quitandinha, em 1946. As telas expostas retratam o interesse cont\u00ednuo do pintor em documentar o cotidiano de pessoas negras.<br>Para celebrar os 70 anos da primeira exposi\u00e7\u00e3o de arte abstrata do Brasil, realizada em 1953 no ent\u00e3o Hotel Quitandinha, esse n\u00facleo apresenta pe\u00e7as de artistas que participaram da mostra, com destaque para Anna Bella Geiger, que, aos 90 anos, \u00e9 um dos nomes mais importantes em atividade no pa\u00eds. O p\u00fablico ter\u00e1 acesso a trabalhos exibidos em 1953 e a produ\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas.<br>Na varanda, pode ser vista exposi\u00e7\u00e3o de imagens, documentos, \u00e1udios e objetos dos primeiros anos de funcionamento do hotel. Com pesquisa e o desenvolvimento de Ana Cunha, Fl\u00e1vio Menna Barreto e Jeff Celophane, esse n\u00facleo conta a hist\u00f3ria e mostra diferentes facetas do empreendimento, em um ambiente com sons e m\u00fasicas de \u00e9poca. Inaugurada um ano antes do fim da segunda guerra mundial, a edifica\u00e7\u00e3o foi palco da Confer\u00eancia Interamericana para a Manuten\u00e7\u00e3o da Paz e da Seguran\u00e7a no Continente, em 1947.<br>A sexta parte \u00e9 um elemento novo. \u201cA gente convida um artista do grafite que cria, inspirado em Tom\u00e1s Santa Rosa, seres marinhos. Ele faz uma grande \u00e1gua-viva de quase dez metros de altura. \u00c9 um trabalho infl\u00e1vel que ocupa o grande sal\u00e3o azul\u201d, informou Marcelo Campos. Iluminada por luzes LED, a arte ocupa o Sal\u00e3o Mau\u00e1, a c\u00fapula do centro cultural. Assinada pelo artista pl\u00e1stico paulistano Felipe Yung, a pe\u00e7a dialoga com as obras de Tom\u00e1s Santa Rosa, que, inspiradas no livro Vinte mil l\u00e9guas submarinas, de Julio Verne, decoram a piscina interna do edif\u00edcio. O espa\u00e7o, at\u00e9 ent\u00e3o fechado ao p\u00fablico, \u00e9 aberto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o pela primeira vez para aprecia\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Multicultura<br><\/strong>Marcelo Campos informou ainda que a programa\u00e7\u00e3o inclui tamb\u00e9m shows musicais, bailes e espet\u00e1culo de teatro, al\u00e9m de semin\u00e1rios, palestras e oficinas. O acesso \u00e0s atividades pode ser feito por meio do Instagram.<br>A exposi\u00e7\u00e3o estar\u00e1 aberta de ter\u00e7a-feira a domingo, das 11h \u00e0s 18h, no Centro Cultural Quitandinha. A entrada \u00e9 franca para todas as atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o Da Kutanda ao Quitandinha, que fica aberta ao p\u00fablico at\u00e9 25 de fevereiro,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37905,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[42],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i2.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/QUITANDINHA.png?fit=1031%2C602&ssl=1","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37904"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37904"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37906,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37904\/revisions\/37906"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}