{"id":38906,"date":"2024-03-25T10:00:44","date_gmt":"2024-03-25T13:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=38906"},"modified":"2024-03-25T10:00:46","modified_gmt":"2024-03-25T13:00:46","slug":"filme-revive-adoniran-ao-lado-de-personagens-criados-pelo-sambista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2024\/03\/25\/filme-revive-adoniran-ao-lado-de-personagens-criados-pelo-sambista\/","title":{"rendered":"Filme revive Adoniran ao lado de personagens criados pelo sambista"},"content":{"rendered":"\n<p>Um casar\u00e3o \u00e9 demolido, enquanto um grupo de pessoas observa da cal\u00e7ada. O im\u00f3vel abandonado havia servido de moradia para os sem-teto, at\u00e9 que foi derrubado para dar lugar a um edif\u00edcio. A cena, que poderia ser vista na cidade de S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1950, ou nesta semana, \u00e9 eternamente lembrada na composi\u00e7\u00e3o Saudosa Maloca, do sambista Adoniran Barbosa.<br>\u201cAdoniran \u00e9 um cronista dessas situa\u00e7\u00f5es, em especial, com um olhar humanista muito importante que aproxima a gente das camadas mais carentes da popula\u00e7\u00e3o e dessa vida dif\u00edcil do paulistano\u201d, diz o ator e m\u00fasico Paulo Miklos, que interpreta o sambista no filme Saudosa Maloca. A com\u00e9dia musical, que estreou nesta semana nos cinemas de todo o pa\u00eds, revive o compositor junto com os personagens de suas can\u00e7\u00f5es.<br>\u201cNo filme, n\u00f3s temos o Arnesto, temos os personagens todos das m\u00fasicas: a Iracema, o Joca e o Mato Grosso. Esses personagens todos entram em cena\u201d, conta Miklos. \u201cAl\u00e9m de tomarem vida, eles est\u00e3o entrela\u00e7ados na mesma trama, com a presen\u00e7a do criador. Ent\u00e3o, \u00e9 o criador e as criaturas\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Samba e progresso<br><\/strong>Como coadjuvante, est\u00e1 a cidade de S\u00e3o Paulo e as transforma\u00e7\u00f5es vividas entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980. \u201cO filme tem o samba versus o barulho das demoli\u00e7\u00f5es, da cidade em movimento, feroz, que s\u00e3o temas muito caros para o Adoniran. A especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, o avan\u00e7o do progresso, o \u2018pogr\u00e9cio\u2019, como ele dizia\u201d, enfatiza o ator.<br>\u00c9 uma experi\u00eancia que, na opini\u00e3o de Miklos, s\u00f3 pode ser sentida em todos os seus aspectos dentro da sala de cinema. \u201cPorque no cinema voc\u00ea tem um som perfeito, voc\u00ea tem essa imers\u00e3o sonora\u201d, afirma.<br>\u201cA gente p\u00f4de entender como realmente era S\u00e3o Paulo nessa \u00e9poca e por que o progresso incomodava tanto as pessoas que estavam ali, pacificamente, querendo apenas viver suas vidas\u201d, conta a atriz Leilah Moreno, que interpreta Iracema, personagem da can\u00e7\u00e3o de mesmo nome. \u201cEle [o filme\u2019] realmente transporta a gente para os anos 50. Se voc\u00ea perceber, as falas t\u00eam um tempo diferente de resposta, t\u00eam um tempo para as pessoas pensarem, para respirar. N\u00e3o \u00e9 um filme da Marvel [de super-her\u00f3is], com tudo cortado r\u00e1pido\u201d, acrescenta Leilah, ao falar de suas impress\u00f5es sobre o longa-metragem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hist\u00f3ria de fam\u00edlia<br><\/strong>Vinda de uma fam\u00edlia de sambistas do Vale do Para\u00edba, no interior paulista, Leilah n\u00e3o chegou sozinha para a produ\u00e7\u00e3o. \u201cA minha fam\u00edlia tem uma hist\u00f3ria muito forte com Adoniran Barbosa. Quando souberam que eu ia fazer o teste para o filme, minha m\u00e3e e minha tia gravaram um v\u00eddeo para o diretor, Pedro [Serrano]\u201d, lembra.<br>Mesmo descrente, a atriz, que tamb\u00e9m \u00e9 cantora, mostrou o v\u00eddeo para a produ\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 que ajudou mesmo?\u201d, diz Leilah. A equipe do filme, depois que ela foi selecionada, disse que parecia importante que pessoas realmente ligadas ao universo do samba estivessem na produ\u00e7\u00e3o.<br>Mais tarde, a fam\u00edlia da atriz foi convidada para participar fazendo o coro em algumas m\u00fasicas. A m\u00e3e de Leilah, no entanto, havia sofrido um acidente vascular cerebral durante o per\u00edodo de filmagens. \u201cEla [a m\u00e3e] falou assim: \u2018eu tamb\u00e9m quero cantar, ent\u00e3o eu vou ficar boa\u2019. Ela acreditou nisso. E realmente, no dia que n\u00f3s fomos para o est\u00fadio, ela estava l\u00e1, sentada, mas conseguiu cantar, conseguiu colocar a voz. Uma das vozes que mais aparecem no coro \u00e9 dela\u201d, relata a atriz.<br>O processo de Saudosa Maloca come\u00e7a com o curta-metragem D\u00e1 Licen\u00e7a de Contar, lan\u00e7ado em 2015, que tamb\u00e9m tem Pedro Serrano como diretor e Miklos no papel do sambista. O elenco j\u00e1 contava com Gero Camilo e Gustavo Machado, tamb\u00e9m presentes no longa-metragem que acaba de chegar aos cinemas. Uma novidade no elenco do novo filme \u00e9 Sidney Santiago Kuanza.<br>Em 2018, Serra lan\u00e7ou ainda o document\u00e1rio Meu Nome \u00e9 Jo\u00e3o Rubinato, tamb\u00e9m sobre o m\u00fasico, trazendo no t\u00edtulo seu nome de batismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Linguagem pr\u00f3pria<br><\/strong>\u201cCriamos uma cumplicidade muito grande naquele momento\u201d, diz Miklos a respeito da experi\u00eancia com o primeiro filme. \u201cTodas as descobertas desse primeiro ensaio, vamos chamar assim, que foi o curta-metragem, inclusive premiado, n\u00f3s levamos agora para o longa\u201d, destaca ao falar de elementos como a linguagem, que chama de adonir\u00eas.<br>\u201cPara mim, como ator, \u00e9 fundamental ter um personagem que fala uma l\u00edngua pr\u00f3pria. Isso j\u00e1 aproxima, e a gente j\u00e1 mergulha no personagem. O adonir\u00eas \u00e9 falado no filme fluentemente. N\u00f3s estudamos o adonir\u00eas para poder improvisar no filme, nas cenas, est\u00e1 muito com naturalidade\u201d, diz sobre a linguagem extremamente coloquial, que se distancia da norma culta, muito presente nas m\u00fasicas do compositor.<br>Apesar da grande identifica\u00e7\u00e3o com as hist\u00f3rias contadas por Adoniran, Leilah Moreno admite que nunca havia se imaginado como int\u00e9rprete de Iracema, a personagem destinada a morrer atropelada.<br>\u201cA m\u00fasica Iracema era uma das que eu mais amava quando ele cantava. Eu ficava tentando imaginar quem era Iracema, como ela era, como \u00e9 que era o rosto, o f\u00edsico, a cor da pele, o cabelo. Eu nunca tinha imaginado a Iracema, uma mulher como eu. Nunca, jamais. Veio at\u00e9 como meio que um soco no est\u00f4mago, de a gente come\u00e7ar a pensar que pode estar em todos os lugares, ser todas as pessoas e ocupar tudo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um casar\u00e3o \u00e9 demolido, enquanto um grupo de pessoas observa da cal\u00e7ada. 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