{"id":43906,"date":"2025-01-21T12:25:58","date_gmt":"2025-01-21T15:25:58","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=43906"},"modified":"2025-01-21T12:26:05","modified_gmt":"2025-01-21T15:26:05","slug":"psicologa-petropolitana-analisa-a-inclusao-da-sindrome-de-burnout-no-rol-de-doencas-ocupacionais-pela-oms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2025\/01\/21\/psicologa-petropolitana-analisa-a-inclusao-da-sindrome-de-burnout-no-rol-de-doencas-ocupacionais-pela-oms\/","title":{"rendered":"Psic\u00f3loga petropolitana analisa a inclus\u00e3o da S\u00edndrome de Burnout no rol de doen\u00e7as ocupacionais pela OMS"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde o in\u00edcio deste ano, o Brasil passou a adotar a nova Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID-11) da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Entre as mudan\u00e7as mais significativas est\u00e1 a inclus\u00e3o da S\u00edndrome de Burnout no rol de doen\u00e7as ocupacionais, um passo importante para reconhecer os impactos do esgotamento no ambiente de trabalho como quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. A partir dessa atualiza\u00e7\u00e3o, a s\u00edndrome passa a ser oficialmente reconhecida como uma doen\u00e7a relacionada ao ambiente de trabalho, impactando diretamente nas estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), aproximadamente 30% dos trabalhadores no Brasil s\u00e3o afetados pela condi\u00e7\u00e3o, colocando o pa\u00eds como o segundo no ranking mundial de casos. Estima-se que 33 milh\u00f5es de brasileiros convivam com o burnout, que j\u00e1 se tornou uma das principais causas de afastamentos e aposentadorias, com respaldo do INSS e da Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios para o mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga petropolitana Vanessa Siqueira analisa a relev\u00e2ncia dessa inclus\u00e3o no CID-11 e os desafios enfrentados pelos trabalhadores e empresas. \u201cO burnout \u00e9 um esgotamento f\u00edsico e emocional causado por estresse cr\u00f4nico no trabalho. Imagine um carro que nunca faz uma pausa para abastecer: cedo ou tarde, ele para de funcionar. Reconhecer a s\u00edndrome como uma doen\u00e7a ocupacional \u00e9 essencial, pois incentiva empresas e governos a tratarem o problema com a seriedade que ele exige\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, as condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho brasileiro t\u00eam contribu\u00eddo significativamente para o aumento dos casos. \u201cJornadas longas, metas irreais e a falta de pausas criam ambientes de alta press\u00e3o\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Profissionais da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis, devido \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de carga hor\u00e1ria extenuante, falta de recursos adequados e press\u00f5es constantes. \u201cImagine um professor que precisa dar conta de v\u00e1rias turmas, com recursos insuficientes, corrigir provas e ainda lidar com problemas emocionais dos alunos, sem ter recebido treinamento para tal. Isso sobrecarrega e aumenta o risco de burnout. H\u00e1 tamb\u00e9m a falta de pol\u00edticas efetivas para promover a sa\u00fade mental no trabalho, especialmente em setores altamente demandantes. No caso dos profissionais da sa\u00fade, por exemplo, eles t\u00eam que trabalhar em turnos longos, lidando com emerg\u00eancias e vidas em risco, sem tempo para se recuperar\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, houve um aumento de 1000% no n\u00famero de afastamentos do trabalho devido \u00e0 s\u00edndrome de burnout, segundo dados do INSS. Para a profissional de sa\u00fade, esse aumento pode ser atribu\u00eddo n\u00e3o apenas ao aumento da press\u00e3o no trabalho, mas tamb\u00e9m \u00e0 maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o tema. \u201cEsse aumento \u00e9 reflexo do ritmo de trabalho acelerado, da alta competitividade e do uso excessivo da tecnologia, que dificulta a desconex\u00e3o. Al\u00e9m disso, a maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a s\u00edndrome tem levado mais pessoas a buscar ajuda. Antes, muitos achavam que o cansa\u00e7o extremo era \u2018normal\u2019 e n\u00e3o buscavam tratamento. Hoje, \u00e9 mais f\u00e1cil identificar quando algo est\u00e1 errado, como a dificuldade em se desconectar do trabalho mesmo em casa\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sintomas e abordagens terap\u00eauticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os sinais mais comuns de burnout incluem exaust\u00e3o emocional, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, distanciamento mental do trabalho e sensa\u00e7\u00e3o de inefic\u00e1cia. Altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, como problemas de sono e dores musculares, tamb\u00e9m s\u00e3o frequentes. \u201cA terapia cognitivo-comportamental ajuda a ressignificar pensamentos disfuncionais, enquanto mudan\u00e7as no estilo de vida \u2013 como exerc\u00edcios, lazer, t\u00e9cnicas de relaxamento e apoio social \u2013 s\u00e3o fundamentais para a recupera\u00e7\u00e3o\u201d, explica a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>A inclus\u00e3o da s\u00edndrome de burnout no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), aprovada pela C\u00e2mara dos Deputados no ano passado, e o reconhecimento da doen\u00e7a como ocupacional pela OMS s\u00e3o avan\u00e7os importantes. Todavia, Vanessa acredita que as empresas brasileiras ainda t\u00eam um longo caminho a percorrer para enfrentar o problema. \u201cFalta preparo para lidar com a quest\u00e3o; elas precisam investir em programas de bem-estar, flexibilizar hor\u00e1rios, treinar l\u00edderes para desenvolver empatia e abrir espa\u00e7os de di\u00e1logo sobre sa\u00fade mental. Al\u00e9m disso, os C\u00edrculos de Di\u00e1logo e Media\u00e7\u00e3o de Conflitos podem ajudar na cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os seguros para escuta ativa e resolu\u00e7\u00e3o de problemas, promovendo rela\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis e colaborativas no trabalho\u201d, sugere.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m defende que, no SUS, \u00e9 necess\u00e1rio ampliar o n\u00famero de psic\u00f3logos e psiquiatras, oferecer programas de preven\u00e7\u00e3o em empresas e escolas, e criar campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o para aumentar o acesso ao tratamento. \u201c\u00c9 preciso desmistificar o estigma em torno da sa\u00fade mental. burnout n\u00e3o \u00e9 fraqueza, mas um reflexo de ambientes de trabalho que precisam ser repensados\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais sobre Vanessa Siqueira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com 20 anos de experi\u00eancia, Vanessa Siqueira \u00e9 psic\u00f3loga cl\u00ednica, mediadora de conflitos e facilitadora de C\u00edrculos de Di\u00e1logo. Membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, Artes, Hist\u00f3ria e Literatura (ABRASCI), ela tamb\u00e9m \u00e9 autora do livro \u201cO Campeonato das Emo\u00e7\u00f5es\u201d, publicado pela Editora Literare Books International.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o in\u00edcio deste ano, o Brasil passou a adotar a nova Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":43907,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i2.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/WhatsApp-Image-2025-01-21-at-11.27.03.jpeg?fit=1600%2C1066&ssl=1","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43906"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43906"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43906\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43908,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43906\/revisions\/43908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}