{"id":45877,"date":"2025-05-21T13:31:49","date_gmt":"2025-05-21T16:31:49","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=45877"},"modified":"2025-05-21T19:20:32","modified_gmt":"2025-05-21T22:20:32","slug":"fenomeno-dos-bebes-reborn-levanta-debates-sobre-os-limites-entre-afeto-fantasia-e-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2025\/05\/21\/fenomeno-dos-bebes-reborn-levanta-debates-sobre-os-limites-entre-afeto-fantasia-e-saude-mental\/","title":{"rendered":"Fen\u00f4meno dos beb\u00eas reborn levanta debates sobre os limites entre afeto, fantasia e sa\u00fade mental"},"content":{"rendered":"\n<p>Eles t\u00eam peso, textura e fei\u00e7\u00f5es que imitam um rec\u00e9m-nascido. Os beb\u00eas reborn, bonecas hiper-realistas que reproduzem beb\u00eas humanos, v\u00eam ganhando popularidade entre adultos, principalmente entre mulheres, e despertam tanto fasc\u00ednio quanto pol\u00eamica. O fen\u00f4meno vem desafiando fronteiras entre realidade e representa\u00e7\u00e3o, exigindo um olhar atento \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a psic\u00f3loga Val\u00e9ria Figueiredo, docente do curso de Psicologia da Est\u00e1cio, \u00e9 preciso entender o contexto em que a busca pelo hiper-real se intensifica. \u201cNa era do imagin\u00e1rio, onde a imagem ganha o centro do capitalismo, precisamos nos perguntar: o que \u00e9 real?\u201d, provoca. Para ela, vivemos uma \u201cinfla\u00e7\u00e3o semi\u00f3tica\u201d, marcada por s\u00edmbolos descolados de significados concretos. \u00c9 nesse cen\u00e1rio que os beb\u00eas reborn ocupam espa\u00e7o: \u201cO real perde espa\u00e7o para o hiper-real.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"958\" data-attachment-id=\"45890\" data-permalink=\"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2025\/05\/21\/fenomeno-dos-bebes-reborn-levanta-debates-sobre-os-limites-entre-afeto-fantasia-e-saude-mental\/whatsapp-image-2025-05-20-at-11-02-47\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?fit=1004%2C1504&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1004,1504\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"WhatsApp Image 2025-05-20 at 11.02.47\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?fit=200%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?fit=640%2C958&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?resize=640%2C958\" alt=\"\" class=\"wp-image-45890\" style=\"width:316px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?resize=684%2C1024&amp;ssl=1 684w, https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w, https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?resize=768%2C1150&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i1.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-20-at-11.02.47.jpeg?w=1004&amp;ssl=1 1004w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Val\u00e9ria explica que, do ponto de vista psicol\u00f3gico, o apego a esses bonecos pode ter v\u00e1rias camadas de significado. Uma delas est\u00e1 ligada ao instinto de cuidado. \u201cPara mulheres que n\u00e3o puderam ter filhos, vivenciaram perdas gestacionais ou est\u00e3o lidando com a s\u00edndrome do ninho vazio, o beb\u00ea reborn pode funcionar como uma forma simb\u00f3lica de express\u00e3o do maternar\u201d, afirma. Ao simular os gestos cotidianos de cuidado, como dar colo, vestir, alimentar, essas mulheres podem encontrar conforto e prop\u00f3sito emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto relevante est\u00e1 relacionado ao luto. Em situa\u00e7\u00f5es de perda, o boneco pode ser um objeto de transi\u00e7\u00e3o, ajudando na elabora\u00e7\u00e3o do sofrimento. \u201cA semelhan\u00e7a com um beb\u00ea real oferece um foco para o afeto e a saudade, permitindo uma externaliza\u00e7\u00e3o do sentimento\u201d, observa Val\u00e9ria. No entanto, ela alerta: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio acompanhamento profissional nesses casos, para evitar que a fantasia substitua a realidade da perda e torne o luto mais dif\u00edcil de ser elaborado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A solid\u00e3o tamb\u00e9m aparece como uma motiva\u00e7\u00e3o recorrente. Em tempos de v\u00ednculos fr\u00e1geis e conex\u00f5es digitais, o beb\u00ea reborn pode representar companhia e estimular intera\u00e7\u00f5es em comunidades online. \u201cMesmo inanimado, o boneco pode gerar rotina, conversas e uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento\u201d, comenta a psic\u00f3loga. Em certos contextos, ele tamb\u00e9m representa controle: \u201cO beb\u00ea reborn pode ser aquilo que eu desejo no momento \u2014 algo que posso controlar, diferente da imprevisibilidade das rela\u00e7\u00f5es reais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a \u00f3tica da teoria do apego, o boneco pode suprir necessidades de seguran\u00e7a e proximidade emocional. Pessoas com hist\u00f3rico de traumas ou com padr\u00f5es de apego inseguros podem encontrar nos reborns uma forma de contato afetivo previs\u00edvel e livre de riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, nem sempre a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. \u201cQuando o v\u00ednculo com o boneco substitui rela\u00e7\u00f5es humanas significativas ou se torna uma fuga para n\u00e3o lidar com dores emocionais reais, \u00e9 sinal de que pode haver sofrimento ps\u00edquico\u201d, aponta Val\u00e9ria. Nesses casos, o acompanhamento psicol\u00f3gico \u00e9 fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate sobre os beb\u00eas reborn convida a uma an\u00e1lise mais ampla sobre os limites entre o simb\u00f3lico e o real, a fantasia e a necessidade de afeto. \u201cCompreender as motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s desse v\u00ednculo \u00e9 essencial para que possamos olhar para essas experi\u00eancias com empatia, mas tamb\u00e9m com responsabilidade cl\u00ednica\u201d, conclui a psic\u00f3loga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles t\u00eam peso, textura e fei\u00e7\u00f5es que imitam um rec\u00e9m-nascido. 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