{"id":47645,"date":"2025-09-12T15:50:53","date_gmt":"2025-09-12T18:50:53","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=47645"},"modified":"2025-09-12T15:50:54","modified_gmt":"2025-09-12T18:50:54","slug":"solidao-e-risco-a-saude-diz-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2025\/09\/12\/solidao-e-risco-a-saude-diz-especialistas\/","title":{"rendered":"Solid\u00e3o \u00e9 risco \u00e0 sa\u00fade, diz especialistas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Estudo da OMS alerta para impactos na mortalidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um relat\u00f3rio divulgado recentemente pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) aponta que a solid\u00e3o atinge uma em cada seis pessoas no mundo e est\u00e1 associada a cerca de 100 mortes por hora, totalizando mais de 871 mil vidas perdidas anualmente. Segundo o documento, a solid\u00e3o surge da lacuna entre conex\u00f5es sociais desejadas e as efetivamente mantidas, enquanto o isolamento social corresponde \u00e0 falta objetiva de contatos significativos. Ambos os fatores impactam diretamente a sa\u00fade f\u00edsica e mental, aumentando riscos de doen\u00e7as cardiovasculares, AVC, diabetes, decl\u00ednio cognitivo e depress\u00e3o, al\u00e9m de elevar a mortalidade precoce.<br>A OMS destaca que os grupos mais afetados incluem jovens, pessoas de baixa renda, idosos e minorias sociais, como LGBTQIA+, refugiados, ind\u00edgenas e pessoas com defici\u00eancia, que enfrentam barreiras adicionais \u00e0 conex\u00e3o social. Entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos relataram se sentir solit\u00e1rios, sendo os adolescentes os mais vulner\u00e1veis. O \u00edndice chega a 24% entre pessoas de pa\u00edses de baixa renda, mais que o dobro da taxa registrada em pa\u00edses de alta renda (11%). J\u00e1 os idosos e adolescentes apresentam taxas de isolamento social ainda mais preocupantes, com uma em cada tr\u00eas pessoas idosas e um em cada quatro adolescentes afetados.<br>Raul Cam\u00edlo Garc\u00eda, docente de Psicologia da Est\u00e1cio, refor\u00e7a que \u201cSomos seres greg\u00e1rios. A vida social e comunit\u00e1ria faz parte da nossa integralidade humana. A dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria desse nosso \u2018estado\u2019 natural gera consequ\u00eancias na adaptabilidade, levando a poss\u00edveis sensa\u00e7\u00f5es de vazio ou n\u00e3o pertencimento, o que afeta negativamente nossa sa\u00fade e bem-estar\u201d. O especialista explica que a aus\u00eancia de v\u00ednculos significativos provoca respostas neurobiol\u00f3gicas semelhantes \u00e0s de uma amea\u00e7a f\u00edsica, elevando n\u00edveis de cortisol e promovendo inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, al\u00e9m de afetar a sa\u00fade mental. Psicologicamente, a solid\u00e3o corr\u00f3i o senso de pertencimento e identidade, podendo gerar depress\u00e3o, ansiedade e, em casos extremos, idea\u00e7\u00e3o suicida.<br>O estudo ainda alerta para o impacto da tecnologia digital no bem-estar. O uso excessivo de telas ou intera\u00e7\u00f5es online negativas, principalmente entre jovens, pode intensificar sentimentos de solid\u00e3o. Por outro lado, conex\u00f5es digitais seguras e saud\u00e1veis podem auxiliar na manuten\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos, desde que n\u00e3o substituam completamente o contato humano presencial. A OMS enfatiza que a conex\u00e3o social protege a sa\u00fade ao longo da vida, tornando comunidades mais resilientes,<br>seguras e pr\u00f3speras, e contribui para a preven\u00e7\u00e3o de mortes prematuras.<\/p>\n\n\n\n<p>Redes de apoio e pol\u00edticas p\u00fablicas: estrat\u00e9gias para enfrentar a solid\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ressaltam que identificar quando a solid\u00e3o se torna prejudicial \u00e0 sa\u00fade \u00e9 essencial. Raul Cam\u00edlo Garc\u00eda explica que \u201cA solid\u00e3o se torna um problema de sa\u00fade quando atende a tr\u00eas crit\u00e9rios principais: dura\u00e7\u00e3o, intensidade e preju\u00edzo funcional\u201d. Isso inclui per\u00edodos prolongados de isolamento, sofrimento emocional intenso e impactos negativos na rotina, no trabalho e no autocuidado.<br>Para enfrentar os efeitos da solid\u00e3o, pesquisadores recomendam fortalecer v\u00ednculos familiares, participar de atividades comunit\u00e1rias, a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias e manter intera\u00e7\u00f5es sociais regulares, mesmo que parcialmente virtuais. O especialista enfatiza que, embora a sociabilidade online ofere\u00e7a oportunidades, \u00e9 preciso cuidado para que o anonimato ou comportamentos inadequados n\u00e3o aumentem sentimentos de desconex\u00e3o.<br>A cria\u00e7\u00e3o de redes de apoio tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. Elas funcionam como um \u201ccapital social\u201d, oferecendo suporte emocional, instrumental e senso de pertencimento, protegendo o indiv\u00edduo de impactos psicossociais e fisiol\u00f3gicos adversos. Pol\u00edticas p\u00fablicas e iniciativas sociais, como o trabalho do Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) no Brasil, demonstram a import\u00e2ncia de sistemas estruturados de acolhimento e preven\u00e7\u00e3o. Garc\u00eda ressalta, no entanto, que \u201cembora essas iniciativas sejam de imensa import\u00e2ncia, a filantropia n\u00e3o pode e n\u00e3o deve substituir a responsabilidade institucional do Estado na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas especialmente na abrang\u00eancia da sa\u00fade coletiva\u201d.<br>Especialistas defendem que governos podem se inspirar em modelos internacionais, como os minist\u00e9rios da solid\u00e3o criados no Reino Unido e no Jap\u00e3o, tratando o fen\u00f4meno com a seriedade de uma epidemia. A implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas voltadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o social, combate \u00e0 exclus\u00e3o e fortalecimento de comunidades \u00e9 apontada como medida estrat\u00e9gica para reduzir o impacto da solid\u00e3o sobre a mortalidade e promover bem-estar coletivo.<br>Al\u00e9m disso, estrat\u00e9gias simples do dia a dia podem contribuir de maneira significativa. A OMS recomenda pr\u00e1ticas como realizar refei\u00e7\u00f5es coletivas com familiares ou amigos, passeios a parques e pra\u00e7as, e engajamento em atividades volunt\u00e1rias. Grupos socialmente vulner\u00e1veis, como pessoas com defici\u00eancia, popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ e imigrantes ou refugiados, podem se beneficiar ainda mais dessas iniciativas, que ajudam a restabelecer o senso de pertencimento e fortalecer a resili\u00eancia emocional.<br>O relat\u00f3rio refor\u00e7a que o investimento em sa\u00fade mental e na sociabilidade deve ser cont\u00ednuo e abrangente, envolvendo fam\u00edlias, comunidades e pol\u00edticas p\u00fablicas estrat\u00e9gicas. Ao priorizar a conex\u00e3o social como fator de sa\u00fade, \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o apenas reduzir os efeitos da solid\u00e3o, mas tamb\u00e9m construir sociedades mais saud\u00e1veis, integradas e menos vulner\u00e1veis a crises emocionais e f\u00edsicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da OMS alerta para impactos na mortalidade Um relat\u00f3rio divulgado recentemente pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":47646,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i2.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-12-at-10.36.06.jpeg?fit=1600%2C1067&ssl=1","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47645"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47645"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47647,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47645\/revisions\/47647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}