{"id":48185,"date":"2025-10-15T11:16:03","date_gmt":"2025-10-15T14:16:03","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=48185"},"modified":"2025-10-15T11:16:05","modified_gmt":"2025-10-15T14:16:05","slug":"no-mes-das-criancas-profissionais-convidam-a-reflexao-sobre-abandono-e-a-construcao-de-vinculos-para-criancas-com-down","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2025\/10\/15\/no-mes-das-criancas-profissionais-convidam-a-reflexao-sobre-abandono-e-a-construcao-de-vinculos-para-criancas-com-down\/","title":{"rendered":"No m\u00eas das crian\u00e7as, profissionais convidam \u00e0 reflex\u00e3o sobre abandono e a constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos para crian\u00e7as com Down"},"content":{"rendered":"\n<p>O nascimento de uma crian\u00e7a deveria ser sempre um motivo de celebra\u00e7\u00e3o. Para muitas fam\u00edlias, no entanto, o diagn\u00f3stico de S\u00edndrome de Down desperta medo, desinforma\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, abandono. A aus\u00eancia \u2014 f\u00edsica ou emocional \u2014 ainda atravessa lares em todo o pa\u00eds, atingindo de forma profunda m\u00e3es e beb\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o existem estat\u00edsticas oficiais detalhadas, mas um levantamento de 2025 do Instituto Mano Down, organiza\u00e7\u00e3o social sem fins lucrativos de Belo Horizonte (MG) que promove a inclus\u00e3o e a autonomia de pessoas com S\u00edndrome de Down e outras defici\u00eancias, aponta que 73% dos pais homens se afastam dos filhos antes dos cinco anos de idade. N\u00fameros semelhantes do Instituto Baresi, de 2012, indicam que 78% dos pais abandonam os filhos ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de uma defici\u00eancia. Por tr\u00e1s desses dados, existem hist\u00f3rias de ruptura, medo e solid\u00e3o \u2014 mas tamb\u00e9m de resist\u00eancia, amor e reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O psic\u00f3logo cl\u00ednico Bernardo Vieira explica que o abandono pode ser f\u00edsico ou emocional, e que ambos deixam marcas profundas. \u201cA aus\u00eancia f\u00edsica compromete a seguran\u00e7a da crian\u00e7a, enquanto a aus\u00eancia emocional mina o sentimento de valor pr\u00f3prio e a percep\u00e7\u00e3o de que ela \u00e9 digna de amor. Em ambos os casos, a autoestima e a capacidade de formar v\u00ednculos saud\u00e1veis ficam gravemente prejudicadas\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Bernardo, muitas dessas aus\u00eancias t\u00eam ra\u00edzes culturais. \u201cEm v\u00e1rios casos, o pai se afasta influenciado por um machismo estrutural que ainda associa cuidado e sensibilidade \u00e0 figura materna. \u00c9 preciso desconstruir essa ideia e incentivar a presen\u00e7a ativa desde cedo\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sinais de sofrimento podem ser sutis, mas reveladores: retraimento, tristeza constante, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es no sono e uma busca excessiva por aprova\u00e7\u00e3o. \u201cEsses comportamentos exp\u00f5em uma ferida afetiva. \u00c9 nesse ponto que o v\u00ednculo familiar e o amor cotidiano fazem toda a diferen\u00e7a\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos pais inseguros diante do diagn\u00f3stico, Bernardo deixa uma mensagem de esperan\u00e7a: \u201cO diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a, \u00e9 um mapa. O amor, o cuidado e o autoconhecimento dos pais s\u00e3o os maiores recursos terap\u00eauticos que uma crian\u00e7a pode ter.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O educador, ator e cineasta Rodolfo Medeiros, com mais de vinte anos dedicados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o inclusiva, transforma essa reflex\u00e3o em arte. Autor e diretor do curta-metragem \u201cOnde Mora a Saudade\u201d, ele aborda no filme o abandono e o amor resiliente nas fam\u00edlias de crian\u00e7as com Down.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO abandono deixa marcas que n\u00e3o se apagam. Quando uma crian\u00e7a \u00e9 deixada de lado, aprende cedo que o mundo pode ser um lugar que exclui. Isso afeta autoestima e aprendizado\u201d, observa Rodolfo. Para ele, o afeto \u00e9 o ponto de partida de qualquer processo educativo. \u201cQuando a crian\u00e7a se sente vista, ouvida e pertencente, ela aprende melhor, se comunica melhor e floresce. O contr\u00e1rio disso fecha caminhos, silencia e prejudica o desenvolvimento humano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O curta nasceu do desejo de dar voz ao que o sil\u00eancio costuma esconder. \u201c\u00c9 um filme sobre aus\u00eancias, mas tamb\u00e9m sobre a for\u00e7a do amor que permanece. Ele convida a olhar o abandono n\u00e3o apenas como aus\u00eancia f\u00edsica, mas como sil\u00eancio emocional. Mais do que falar de dor, fala de resist\u00eancia e da capacidade de amar apesar das feridas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Rodolfo refor\u00e7a que a inclus\u00e3o depende tamb\u00e9m de atitudes e pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes. \u201cInclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um favor, \u00e9 um direito. Para que se torne realidade, \u00e9 preciso investir em pol\u00edticas que apoiem as fam\u00edlias desde o nascimento, com acompanhamento psicol\u00f3gico, orienta\u00e7\u00e3o educacional e acesso \u00e0 escola inclusiva de qualidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre Petr\u00f3polis, ele acrescenta: \u201cA cidade tem voca\u00e7\u00e3o para acolher, mas precisa transformar isso em pr\u00e1tica. Garantir acessibilidade nas escolas, valorizar projetos culturais e criar espa\u00e7os de conviv\u00eancia entre crian\u00e7as com e sem defici\u00eancia s\u00e3o passos fundamentais. A inclus\u00e3o nasce do olhar: quando uma cidade aprende a olhar com empatia, torna-se, de fato, um lar para todos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O filme \u201cOnde Mora a Saudade\u201d tem pr\u00e9-estreia prevista para novembro deste ano em um cinema da cidade e convida o espectador a refletir sobre abandono e afeto, mostrando que presen\u00e7a, cuidado e sensibilidade s\u00e3o os caminhos mais potentes para a inclus\u00e3o e o fortalecimento de v\u00ednculos desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nascimento de uma crian\u00e7a deveria ser sempre um motivo de celebra\u00e7\u00e3o. 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