{"id":49848,"date":"2026-01-31T13:39:23","date_gmt":"2026-01-31T16:39:23","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=49848"},"modified":"2026-01-31T13:39:25","modified_gmt":"2026-01-31T16:39:25","slug":"artista-de-petropolis-integra-exposicao-que-revisita-a-obra-de-jean-baptiste-debret-no-museu-do-ipiranga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2026\/01\/31\/artista-de-petropolis-integra-exposicao-que-revisita-a-obra-de-jean-baptiste-debret-no-museu-do-ipiranga\/","title":{"rendered":"Artista de Petr\u00f3polis integra exposi\u00e7\u00e3o que revisita a obra de Jean-Baptiste Debret no Museu do Ipiranga"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Al\u00e9m da mostra em S\u00e3o Paulo, Bruno Belo tamb\u00e9m participa da exposi\u00e7\u00e3o internacional \u201cMaterial Cartographies\u201d, em Miami.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artista de Petr\u00f3polis Bruno Weilemann Belo \u00e9 um dos 20 convidados a reinterpretar obras de Jean-Baptiste Debret na mostra &#8220;Debret em Quest\u00e3o \u2014 Olhares Contempor\u00e2neos&#8221;, em cartaz no<br>Museu do Ipiranga, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A mostra, dividida em dois blocos,<br><\/strong>re\u00fane pranchas litogr\u00e1ficas da s\u00e9rie Viagem Pitoresca e Hist\u00f3rica ao Brasil (1834\u20131839), nas quais Debret registrou aspectos do cotidiano do Rio de Janeiro imperial, com destaque para as rela\u00e7\u00f5es sociais, o trabalho e a viol\u00eancia estrutural da escravid\u00e3o, e obras de 20 artistas contempor\u00e2neos, entre eles Bruno Belo, em releituras desses registros do pintor franc\u00eas que ajudaram a moldar parte do imagin\u00e1rio sobre o Brasil e suas popula\u00e7\u00f5es no s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A interven\u00e7\u00e3o de Bruno Weilemann Belo<br><\/strong>Bruno Belo, que iniciou sua trajet\u00f3ria artistica como autodidata e mais tarde aprofundou sua forma\u00e7\u00e3o na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, participa com a obra &#8220;marque par une image d&#8217;enfance&#8221;, criada a partir da gravura &#8220;Cabocle: Indien civilis\u00e9&#8221;, de Debret. Em sua cria\u00e7\u00e3o, o artista mant\u00e9m a investiga\u00e7\u00e3o que marca sua produ\u00e7\u00e3o: a reconstru\u00e7\u00e3o fragmentada da mem\u00f3ria e das narrativas visuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A obra nasce a partir de duas pinturas que recriam a imagem do ind\u00edgena retratado por Debret. Realizadas em telas separadas, as figuras s\u00e3o executadas de forma extremamente delicada, com grafite em p\u00f3 aplicado com pincel de silicone. Essa primeira camada, de car\u00e1ter ef\u00eamero, \u00e9 ent\u00e3o fixada e selada por uma superf\u00edcie espessa de resina, que ao mesmo tempo protege e isola a imagem, como se fosse um tempo guardado sob outra mat\u00e9ria&#8221;, explicou Bruno.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre essa camada, o artista pinta uma nova superf\u00edcie em tinta a \u00f3leo, mais abstrata, com cores que sugerem uma paisagem em forma\u00e7\u00e3o. As duas telas s\u00e3o ent\u00e3o montadas como um d\u00edptico, um \u00fanico trabalho no qual os ind\u00edgenas aparecem espelhados, criando uma tens\u00e3o visual, como se um gesto se projetasse em dire\u00e7\u00e3o ao outro. A partir da\u00ed, o artista finaliza o processo de pintura, mas n\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o da obra. Em uma a\u00e7\u00e3o, agora mais pr\u00f3xima da performance, inicia um procedimento semelhante ao de um restauro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse momento \u00e9 quase de uma escava\u00e7\u00e3o. No lugar dos pinc\u00e9is, utilizei ferramentas como martelo, l\u00e2minas, form\u00e3o e fogo. \u00c9 como se eu buscasse reencontrar a figura que estava ali desde o in\u00edcio. A resina pintada se parte em cacos, peles, abrindo frestas e buracos que deixam a camada inicial voltar \u00e0 luz&#8221;, revelou o artista.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada vez que a obra era exposta, o processo era retomado, resultando em uma pintura que se apresenta como descoberta: uma superf\u00edcie composta por fragmentos e hist\u00f3rias sobrepostas \u2014 cacos, pl\u00e1stico, mem\u00f3ria, grafite, \u00f3leo e tela.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra faz parte do acervo da Aura Galeria (SP), que representa o artista no Brasil, e foi indicada para compor a exposi\u00e7\u00e3o Debret em Quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mostra coletiva em Miami<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bruno faz parte de um seleto grupo que integra a mostra coletiva &#8220;Material Cartographies&#8221; organizada pela Aura Galeria, em Miami. Com texto cr\u00edtico de Larry Ossei-Mensah, a exposi\u00e7\u00e3o, aberta no dia 29 de janeiro, leva aos Estados Unidos os trabalhos de 12 artistas representados, vindos de diferentes regi\u00f5es do Brasil, al\u00e9m de Portugal e da Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>As obras de Bruno apresentadas na mostra integram sua pesquisa desenvolvida nos \u00faltimos anos, em torno do Cerrado brasileiro. Nelas, a paisagem reaparece como mat\u00e9ria, assumindo uma fisicalidade pr\u00f3pria. O artista utiliza uma t\u00e9cnica autoral que, al\u00e9m da tinta a \u00f3leo, leva outros elementos, como cargas minerais e materiais naturais &#8211; alguns deles coletados no pr\u00f3prio Cerrado, resultando em uma superf\u00edcie densa, outra vez formada por m\u00faltiplas camadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trajet\u00f3ria do artista<br><\/strong>Nascido no Rio de Janeiro, Bruno veio para Petr\u00f3polis com poucos dias de vida, onde seus pais viviam. Autodidata no in\u00edcio da carreira, morou na cidade at\u00e9 os 18 anos, quando se mudou para o Rio de Janeiro, onde cursou arquitetura e urbanismo e posteriormente atuou como professor da disciplina de desenho no mesmo curso. Posteriormente ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Na capital fluminense, viveu parte importante de sua trajet\u00f3ria art\u00edstica antes de retornar \u00e0 Petr\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>O que inicialmente parecia um afastamento do &#8216;circuito&#8217; acabou se tornando f\u00e9rtil: foi no ateli\u00ea da serra que ele passou a trabalhar com madeira, ferro e objetos que hoje comp\u00f5em sua pesquisa h\u00edbrida entre pintura, escultura e processos de desconstru\u00e7\u00e3o da imagem.<br>&#8220;\u00c9 bom estar aqui e tamb\u00e9m estar com a cabe\u00e7a longe daqui. Abre-se um espa\u00e7o para outras ocorr\u00eancias&#8221;, frisou o artista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a exposi\u00e7\u00e3o Debret em Quest\u00e3o<br><\/strong>A mostra integra a Temporada Fran\u00e7a\u2013Brasil 2025, que celebra 200 anos de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Antes de chegar a S\u00e3o Paulo, uma vers\u00e3o reduzida foi exibida na Maison del\u2019Am\u00e9rique Latine, em Paris. A curadoria \u00e9 de Jacques Leenhardt e Gabriela Longman, em continuidade ao livro Rever Debret (Editora 34, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDebret em Quest\u00e3o \u2014 Olhares Contempor\u00e2neos\u201d fica aberta ao p\u00fablico at\u00e9 17 de maio de 2026,<br>de ter\u00e7a a domingo, das 10h \u00e0s 17h, com entrada gratuita<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da mostra em S\u00e3o Paulo, Bruno Belo tamb\u00e9m participa da exposi\u00e7\u00e3o internacional \u201cMaterial Cartographies\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":49849,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i2.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-30-at-15.12.28.jpeg?fit=1280%2C960&ssl=1","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49848"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49848"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49850,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49848\/revisions\/49850"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}