{"id":51879,"date":"2026-05-18T16:08:50","date_gmt":"2026-05-18T19:08:50","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=51879"},"modified":"2026-05-18T16:08:53","modified_gmt":"2026-05-18T19:08:53","slug":"18-de-maio-dia-nacional-de-combate-ao-abuso-e-a-exploracao-sexual-de-criancas-e-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2026\/05\/18\/18-de-maio-dia-nacional-de-combate-ao-abuso-e-a-exploracao-sexual-de-criancas-e-adolescentes\/","title":{"rendered":"18 de maio: Dia Nacional de Combate ao Abuso e \u00e0 Explora\u00e7\u00e3o Sexual de Crian\u00e7as e Adolescentes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Brasil registra altos \u00edndices de viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes. Dados recentes apontam crescimento das den\u00fancias; especialistas explicam como identificar sinais e agir diante de suspeitas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O dia 18 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e \u00e0 Explora\u00e7\u00e3o Sexual de Crian\u00e7as e Adolescentes. A data foi institu\u00edda pela Lei Federal n\u00ba 9.970\/2000 com o objetivo de incentivar a sociedade a discutir e enfrentar esse tipo de viol\u00eancia. A legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m instituiu o Maio Laranja, campanha nacional voltada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes e ao est\u00edmulo \u00e0 den\u00fancia.<br>Segundo o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania, as den\u00fancias registradas pelo Disque 100 \u2014 canal oficial para recebimento de viola\u00e7\u00f5es de direitos \u2014 cresceram 195% em quatro anos. Entre janeiro e agosto de 2025, foram contabilizados 200.043 casos envolvendo v\u00edtimas dessa faixa et\u00e1ria.<br>A advogada Amanda Guedes Ferreira afirma que, no Brasil, a cada quatro minutos uma crian\u00e7a \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia ou explora\u00e7\u00e3o sexual. Ela destaca a import\u00e2ncia de diferenciar os dois conceitos, embora muitas vezes ocorram de forma associada.<br>\u201cO abuso sexual \u00e9 qualquer conduta que constranja a crian\u00e7a ou o adolescente a praticar ou presenciar atos de natureza sexual, com ou sem contato f\u00edsico e independentemente do uso de viol\u00eancia\u201d, explica, ressaltando que, em casos envolvendo menores de 14 anos, a legisla\u00e7\u00e3o presume a viol\u00eancia, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 relev\u00e2ncia jur\u00eddica no eventual consentimento da v\u00edtima.<br>J\u00e1 a explora\u00e7\u00e3o sexual envolve a utiliza\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ou adolescente com finalidade sexual em troca de vantagens, como dinheiro, presentes ou at\u00e9 abrigo. Nesses casos, enquadram-se como crimes de prostitui\u00e7\u00e3o e pornografia infantil.<br>A professora do curso de Direito da Est\u00e1cio observa que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira prev\u00ea puni\u00e7\u00f5es severas. \u201cO estupro de vulner\u00e1vel, por exemplo, tem pena inicial de oito anos de reclus\u00e3o, podendo chegar a 30 anos em casos que resultem em morte. J\u00e1 o favorecimento \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o infantil pode levar a penas de quatro a dez anos, com agravantes quando o crime envolve familiares ou pessoas pr\u00f3ximas\u201d, destaca.<br>A advogada alerta ainda para a gravidade dos n\u00fameros. \u201cSegundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em 2023 foram registrados mais de 83 mil casos de estupro de vulner\u00e1veis no pa\u00eds \u2014 cerca de 228 por dia. No entanto, os dados podem ser ainda mais preocupantes. Um levantamento do Ipea aponta que aproximadamente 90% dos casos de viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o s\u00e3o denunciados\u201d, afirma.<br>Al\u00e9m disso, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade indica que cerca de 70% dos abusos s\u00e3o cometidos por pessoas conhecidas da v\u00edtima, como pais, padrastos, parentes ou vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como agir em casos suspeitos<br><\/strong>Diante de suspeitas, Amanda orienta que a fam\u00edlia adote medidas com cautela.<br>\u201cA primeira \u00e9 evitar o confronto direto com o suposto agressor, para n\u00e3o comprometer provas. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recomendado pressionar a crian\u00e7a ou o adolescente a relatar os fatos. Por isso, existe uma lei espec\u00edfica que determina como a crian\u00e7a deve ser ouvida\u201d, explica.<br>A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar atendimento m\u00e9dico imediato em unidades de sa\u00fade ou centros especializados, que indicar\u00e3o os pr\u00f3ximos passos. Em seguida, \u00e9 fundamental registrar a ocorr\u00eancia em uma delegacia, preferencialmente em unidades especializadas, caso haja na cidade.<br>As den\u00fancias tamb\u00e9m podem ser feitas pelo Disque 100. O Conselho Tutelar, presente nos munic\u00edpios, tamb\u00e9m desempenha papel essencial no acolhimento e encaminhamento dos casos.<br>Outra recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar o acompanhamento de um advogado, que pode auxiliar a fam\u00edlia durante o processo. A profissional refor\u00e7a ainda que profissionais das \u00e1reas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o legal de comunicar suspeitas de viol\u00eancia. \u201cO sil\u00eancio protege o agressor, enquanto a den\u00fancia protege a v\u00edtima\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinais de alerta: como identificar poss\u00edveis casos<br>A professora do curso de Psicologia da Est\u00e1cio, Iara Farias, explica que muitas crian\u00e7as n\u00e3o conseguem compreender a situa\u00e7\u00e3o vivida. \u201cMuitas vezes a crian\u00e7a n\u00e3o consegue entender se o que est\u00e1 vivendo \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de perigo. Ela n\u00e3o consegue discernir isso com clareza\u201d, afirma.<br>Segundo a especialista, mudan\u00e7as de comportamento s\u00e3o sinais importantes.<br>\u201cO que os adultos precisam observar s\u00e3o mudan\u00e7as no comportamento, como medos que antes n\u00e3o existiam. Em alguns casos, a crian\u00e7a pode at\u00e9 criar maior proximidade com quem a abusa, por rela\u00e7\u00f5es de afeto, e acaba naturalizando o que acontece com ela\u201d, aponta.<br>De acordo com Iara, tamb\u00e9m s\u00e3o comuns comportamentos regressivos, como voltar a urinar na cama ou apresentar linguagem infantilizada. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 muito comum que a crian\u00e7a guarde segredos por estar sendo amea\u00e7ada. Por isso, \u00e9 fundamental que os adultos acolham o que ela diz, porque muitas vezes essa crian\u00e7a \u00e9 desmentida e ressignifica o trauma, pois al\u00e9m de ter sido abusada de alguma maneira, quando conta para algu\u00e9m que ela imagina ser de sua confian\u00e7a, \u00e9 desacreditada e o trauma se intensifica\u201d, explica.<br>Iara refor\u00e7a a import\u00e2ncia da escuta ativa. \u201c\u00c9 importante deixar a crian\u00e7a falar, acolher o que ela est\u00e1 dizendo e s\u00f3 depois buscar entender melhor a situa\u00e7\u00e3o\u201d, orienta.<br>Outros sinais incluem mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos, dificuldades na escola, altera\u00e7\u00f5es na conviv\u00eancia social e comportamentos inadequados para a idade relacionados \u00e0 sexualidade. Tamb\u00e9m podem surgir sinais f\u00edsicos, como machucados, ard\u00eancia ou sangue nas roupas \u00edntimas. \u201c\u00c9 fundamental que pais ou respons\u00e1veis estejam atentos para buscar apoio e saber como agir\u201d, destaca a psic\u00f3loga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil registra altos \u00edndices de viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes. 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