{"id":52026,"date":"2026-05-25T13:06:11","date_gmt":"2026-05-25T16:06:11","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=52026"},"modified":"2026-05-25T13:06:13","modified_gmt":"2026-05-25T16:06:13","slug":"ruinas-de-igreja-construida-no-seculo-18-viram-simbolo-de-preservacao-historica-no-interior-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2026\/05\/25\/ruinas-de-igreja-construida-no-seculo-18-viram-simbolo-de-preservacao-historica-no-interior-do-rio\/","title":{"rendered":"Ru\u00ednas de Igreja constru\u00edda no s\u00e9culo 18 viram s\u00edmbolo de preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica no interior do Rio"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Tombada pelo Inepac, Capela de S\u00e3o Jos\u00e9 da Boa Morte guarda mem\u00f3rias de acontecimentos hist\u00f3ricos no munic\u00edpio de Cachoeiras de Macacu, tendo sido cen\u00e1rio de casamentos, batismos, sepultamentos e de lutas camponesas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cachoeiras de Macacu, munic\u00edpio do interior do Rio de Janeiro, ganha um novo cap\u00edtulo em sua hist\u00f3ria a partir deste ano. Um trabalho de preserva\u00e7\u00e3o das ru\u00ednas de uma Igreja constru\u00edda no s\u00e9culo 18 promete ser um s\u00edmbolo nacional de cuidado e prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e \u00e0 mem\u00f3ria coletiva. A Capela de S\u00e3o Jos\u00e9 da Boa Morte, de 1734, est\u00e1 passando por um processo de consolida\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o. Ainda neste ano de 2026, ser\u00e3o inaugurados no espa\u00e7o um centro comunit\u00e1rio e um espa\u00e7o cultural, abertos \u00e0 visita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria em torno das ru\u00ednas ocupa o imagin\u00e1rio coletivo da regi\u00e3o. Ela foi um importante espa\u00e7o religioso e hist\u00f3rico da cidade, tendo sido cen\u00e1rio de batismos, casamentos e sepultamentos at\u00e9 o s\u00e9culo 19. Desde 1989, \u00e9 tombada pelo Instituto Estadual do Patrim\u00f4nio Cultural (Inepac).<\/p>\n\n\n\n<p>As obras de interven\u00e7\u00e3o tiveram in\u00edcio em 2025, com projeto conduzido pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio da Lei de Incentivo \u00e0 Cultura. O investimento \u00e9 de R$ 18 milh\u00f5es. \u201cEste \u00e9 um projeto que preserva e dinamiza um ativo cultural importante da regi\u00e3o, que j\u00e1 foi cen\u00e1rio de in\u00fameros acontecimentos\u201d, afirma Wolney Unes, diretor da Elysium Sociedade Cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o alinhadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e valoriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do local, com a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde o refor\u00e7o estrutural at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um mirante que vai permitir que os visitantes tenham uma nova perspectiva da igreja. \u201cA ideia \u00e9 criar um espa\u00e7o de contempla\u00e7\u00e3o que ofere\u00e7a ao visitante uma nova vis\u00e3o do conjunto, sem interferir na estrutura original\u201d, explica o engenheiro Pedro Carim, respons\u00e1vel t\u00e9cnico pela obra.<\/p>\n\n\n\n<p>A arquiteta J\u00e9ssica Marques acrescenta que o trabalho foi planejado para preservar ao m\u00e1ximo a autenticidade das ru\u00ednas. \u201cCada a\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de forma controlada, garantindo que nada seja perdido nesse processo\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Erick Pettendorfer, CEO da NTS, afirma que a iniciativa busca tamb\u00e9m deixar um legado para a popula\u00e7\u00e3o local. \u201cAo investir na conserva\u00e7\u00e3o de bens culturais nos territ\u00f3rios onde atua, contribu\u00edmos para proteger a mem\u00f3ria coletiva, valorizar a identidade local e fortalecer o v\u00ednculo das comunidades com sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cachoeiras de Macacu \u00e9 uma cidade com quase 57 mil habitantes, segundo o \u00faltimo censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O entorno das ru\u00ednas \u00e9 cortado pelo Rio Macacu, e se destaca como destino para amantes do ecoturismo e esportes radicais, atraindo praticantes de trekking, montanhismo e rapel em meio a cen\u00e1rios naturais atravessados por picos e cachoeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 de que, com a inaugura\u00e7\u00e3o das ru\u00ednas, o turismo local seja impulsionado, atraindo pessoas de munic\u00edpios do Rio de Janeiro e tamb\u00e9m de outros estados. \u201cS\u00e3o Jos\u00e9 faz parte da rota Cen\u00e1rios e Sabores da cidade, uma experi\u00eancia que une turismo rural, ecol\u00f3gico e gastron\u00f4mico. Al\u00e9m disso, integra o circuito de ciclismo do Estado. Com o projeto, certamente a regi\u00e3o, que j\u00e1 \u00e9 muito frequentada pelos turistas, ser\u00e1 ainda mais ativada\u201d, acredita Paulo Schiavo Junior, secret\u00e1rio de Sustentabilidade, Clima, Recursos H\u00eddricos, Ecossistemas e Projetos Estrat\u00e9gicos de Cachoeiras de Macacu.<\/p>\n\n\n\n<p>A interven\u00e7\u00e3o nas ru\u00ednas traz ainda uma reflex\u00e3o profunda sobre a import\u00e2ncia do patrim\u00f4nio como interlocutor entre as gera\u00e7\u00f5es. \u201cEla \u00e9 uma ferramenta de interpreta\u00e7\u00e3o do passado e conex\u00e3o com o futuro. Para o presente, entregamos um conhecimento valioso sobre as formas de construir dos s\u00e9culos anteriores, da trajet\u00f3ria do territ\u00f3rio e do&nbsp;v\u00ednculo com a comunidade. Para o futuro, deixamos um exemplo de&nbsp;como preservar esse tipo de patrim\u00f4nio, fortalecendo a sensibilidade&nbsp;do olhar e o sentimento de pertencimento ao patrim\u00f4nio e \u00e0s<\/p>\n\n\n\n<p>hist\u00f3rias, imateriais, que ele guarda\u201d, acredita Rachel Wider, historiadora, especialista em Patrim\u00f4nio Cultural e colaboradora da Elysium.<\/p>\n\n\n\n<p>Rachel lembra que a primeira vers\u00e3o da igreja era extremamente&nbsp;simples. Em 1734, sua estrutura inicial foi constru\u00edda em pau a pique, t\u00e9cnica tradicional feita com barro e madeira. Anos depois, em 1758, o local j\u00e1 contava com pia batismal. Segundo ela, um sinal de que a comunidade come\u00e7ava a se consolidar ao redor da capela. \u201cPouco tempo depois, em 1768, foi benzido o cemit\u00e9rio, inicialmente com seis sepulturas e, em 1772, outras seis foram autorizadas. Parte dos enterros acontecia dentro da pr\u00f3pria igreja, pr\u00e1tica comum na \u00e9poca. Quanto mais pr\u00f3xima do altar a sepultura, maior o prest\u00edgio social do falecido e, segundo a cren\u00e7a, maiores seriam suas chances de salva\u00e7\u00e3o no ju\u00edzo final\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os registros encontrados durante toda a pesquisa documental mostram que a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da Capela de S\u00e3o Jos\u00e9 de Boa Morte estava perdida no passado. Com o projeto de consolida\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o de suas ru\u00ednas, ela ressurge como um espa\u00e7o que, ao mesmo tempo, resgata a mem\u00f3ria dos s\u00e9culos passados e come\u00e7a a contar uma nova hist\u00f3ria sobre o tempo presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tombada pelo Inepac, Capela de S\u00e3o Jos\u00e9 da Boa Morte guarda mem\u00f3rias de acontecimentos hist\u00f3ricos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":52027,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[42],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/jornaldeitaipava.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ruinas-Cachoeiras_Foto-Igor-Holderbaum-scaled.jpg?fit=2560%2C1706&ssl=1","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52026"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52026"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52026\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52028,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52026\/revisions\/52028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}