{"id":53159,"date":"2026-07-22T18:03:54","date_gmt":"2026-07-22T21:03:54","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=53159"},"modified":"2026-07-22T18:03:55","modified_gmt":"2026-07-22T21:03:55","slug":"91-dizem-que-o-dialogo-e-o-ideal-mas-violencia-ainda-faz-parte-da-educacao-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2026\/07\/22\/91-dizem-que-o-dialogo-e-o-ideal-mas-violencia-ainda-faz-parte-da-educacao-infantil\/","title":{"rendered":"91% dizem que o di\u00e1logo \u00e9 o ideal, mas viol\u00eancia ainda faz parte da educa\u00e7\u00e3o infantil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Levantamento mostra que 50% dos brasileiros consideram aceit\u00e1vel dar tapas em crian\u00e7as. Pedagoga e psic\u00f3loga explicam por que pr\u00e1ticas punitivas seguem sendo reproduzidas e como romper esse ciclo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caso recente de um pai, flagrado por c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia agredindo a filha de apenas 3 anos com um chute no rosto, reacendeu um debate recorrente no Brasil: quais s\u00e3o os limites da educa\u00e7\u00e3o infantil e at\u00e9 que ponto pr\u00e1ticas punitivas ainda s\u00e3o vistas como formas leg\u00edtimas de disciplinar crian\u00e7as?<br>A discuss\u00e3o ganha for\u00e7a diante dos resultados da pesquisa Atitudes e percep\u00e7\u00f5es sobre a inf\u00e2ncia e viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, realizada pelo Instituto Futuro \u00e9 Inf\u00e2ncia Saud\u00e1vel (Infinis), em parceria com a Quaest.<br>O levantamento mostra uma contradi\u00e7\u00e3o no comportamento dos brasileiros: embora 91% afirmem que conversar explicando os erros \u00e9 a forma ideal de educar, 50% consideram aceit\u00e1vel dar um tapa, 37% acham aceit\u00e1vel gritar e 35% concordam com amea\u00e7as de agress\u00e3o f\u00edsica.<br>Para a professora do curso de Pedagogia da Est\u00e1cio, Lorena Bezerra Vieira, esse contraste revela uma contradi\u00e7\u00e3o que ainda faz parte da forma como muitas fam\u00edlias brasileiras educam seus filhos.<br>&#8220;H\u00e1 uma ades\u00e3o discursiva \u00e0s teorias pedag\u00f3gicas modernas, que defendem o di\u00e1logo e o respeito \u00e0 inf\u00e2ncia. No dia a dia, por\u00e9m, ainda prevalece uma vis\u00e3o adultoc\u00eantrica, que enxerga a crian\u00e7a como um sujeito subjugado. Isso evidencia uma dist\u00e2ncia entre o que a educa\u00e7\u00e3o prop\u00f5e e a realidade de muitas fam\u00edlias, ainda marcada por rela\u00e7\u00f5es de poder e pr\u00e1ticas punitivas que atravessam gera\u00e7\u00f5es&#8221;.<br>Segundo a pedagoga, essa l\u00f3gica afeta diretamente o desenvolvimento infantil e pode comprometer tanto a aprendizagem quanto as rela\u00e7\u00f5es sociais da crian\u00e7a.<br>&#8220;Pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias colocam a crian\u00e7a em um estado constante de alerta, prejudicando fun\u00e7\u00f5es como aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e concentra\u00e7\u00e3o, essenciais para a aprendizagem. Al\u00e9m disso, quem cresce em um ambiente marcado pela viol\u00eancia pode apresentar dificuldades de socializa\u00e7\u00e3o, alternando entre a extrema passividade e a agressividade\u201d.<br>Para ela, o di\u00e1logo e o afeto s\u00e3o os verdadeiros pilares da autonomia. Quando a viol\u00eancia \u00e9 usada para resolver conflitos, a crian\u00e7a aprende que a for\u00e7a \u00e9 o caminho, podendo perpetuar esse comportamento nas rela\u00e7\u00f5es com outras pessoas.<br>Lorena tamb\u00e9m faz uma distin\u00e7\u00e3o importante entre estabelecer limites e aplicar puni\u00e7\u00f5es.<br>&#8220;Enquanto a puni\u00e7\u00e3o busca o controle pelo medo ou pela priva\u00e7\u00e3o, o limite promove conscientiza\u00e7\u00e3o e autonomia. A crian\u00e7a precisa compreender a l\u00f3gica das regras e ser incentivada a reparar as consequ\u00eancias de suas a\u00e7\u00f5es, em vez de apenas ser penalizada.&#8221;<br>Na avalia\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga especialista em neuropsicologia e professora da Est\u00e1cio, Mariana Passamani Almeida, a diferen\u00e7a entre o que os adultos defendem e a forma como realmente agem est\u00e1 ligada, muitas vezes, aos modelos de educa\u00e7\u00e3o vivenciados na inf\u00e2ncia.<br>&#8220;H\u00e1 uma distor\u00e7\u00e3o entre a forma como a pessoa se percebe e como realmente age. Muitas vezes, ela acredita que educa pelo di\u00e1logo, mas, diante do estresse, acaba reagindo de forma autom\u00e1tica, repetindo modelos que aprendeu ao longo da vida. Quem est\u00e1 de fora costuma perceber esses comportamentos com mais facilidade, enquanto a pr\u00f3pria pessoa, por estar emocionalmente envolvida na situa\u00e7\u00e3o, tem dificuldade de reconhecer suas rea\u00e7\u00f5es e refletir sobre elas&#8221;, explicou.<br>A especialista destaca que gritos, amea\u00e7as e outras formas de viol\u00eancia psicol\u00f3gica podem deixar marcas profundas, mesmo sem causar les\u00f5es f\u00edsicas. Viver em um ambiente marcado por viol\u00eancia verbal, pode, por exemplo, deixar a crian\u00e7a em constante estado de alerta, sem saber quando uma nova amea\u00e7a, cr\u00edtica ou grito pode surgir.<br>\u201cIsso gera inseguran\u00e7a emocional e pode afetar sua autoestima, sua motiva\u00e7\u00e3o e sua capacidade de confiar nas pessoas. Muitas crian\u00e7as crescem acreditando que n\u00e3o s\u00e3o capazes ou que precisam aceitar rela\u00e7\u00f5es desrespeitosas para receber afeto e aten\u00e7\u00e3o, o que pode impactar seus relacionamentos na vida adulta.&#8221;<br>Para Mariana, romper esse ciclo exige que os adultos desenvolvam novas formas de lidar com os pr\u00f3prios sentimentos e assumam o papel de refer\u00eancia emocional para os filhos.<br>&#8220;O adulto \u00e9 a principal refer\u00eancia da crian\u00e7a. Refletir sobre a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, buscar informa\u00e7\u00f5es sobre desenvolvimento infantil, fazer terapia quando necess\u00e1rio e aprender estrat\u00e9gias de educa\u00e7\u00e3o baseadas no respeito s\u00e3o caminhos importantes para interromper esse padr\u00e3o. O medo afasta; o afeto acolhe. \u00c9 por meio dessa seguran\u00e7a que a crian\u00e7a aprende a lidar melhor com os limites e os desafios do desenvolvimento.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento mostra que 50% dos brasileiros consideram aceit\u00e1vel dar tapas em crian\u00e7as. Pedagoga e psic\u00f3loga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53160,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53159"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53159"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53159\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53161,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53159\/revisions\/53161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}