{"id":53880,"date":"2026-08-26T18:50:19","date_gmt":"2026-08-26T21:50:19","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=53880"},"modified":"2026-08-26T18:50:20","modified_gmt":"2026-08-26T21:50:20","slug":"agosto-lilas-atendimento-de-saude-pode-ser-o-primeiro-passo-para-a-mulher-romper-o-ciclo-de-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2026\/08\/26\/agosto-lilas-atendimento-de-saude-pode-ser-o-primeiro-passo-para-a-mulher-romper-o-ciclo-de-violencia\/","title":{"rendered":"Agosto Lil\u00e1s: atendimento de sa\u00fade pode ser o primeiro passo para a mulher romper o ciclo de viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Nem sempre a v\u00edtima chega dizendo que sofre viol\u00eancia; profissionais podem identificar sinais e oferecer acolhimento e acesso \u00e0 rede de prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a consulta por uma dor, uma les\u00e3o, uma crise de ansiedade, ins\u00f4nia ou, at\u00e9 mesmo, em um atendimento de rotina, o profissional de sa\u00fade pode identificar sinais de que a mulher esteja sofrendo algum tipo de viol\u00eancia, mesmo que ela n\u00e3o consiga ou n\u00e3o se sinta segura para falar sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste Agosto Lil\u00e1s, m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher, a aten\u00e7\u00e3o se volta tamb\u00e9m para o papel dos servi\u00e7os de sa\u00fade na identifica\u00e7\u00e3o e no acolhimento dessas situa\u00e7\u00f5es. O atendimento pode representar uma das primeiras oportunidades para que a v\u00edtima encontre escuta, orienta\u00e7\u00e3o e acesso a uma rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Juliana Cez\u00e1rio, enfermeira da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria em Sa\u00fade e docente da Est\u00e1cio, o sil\u00eancio durante o atendimento n\u00e3o significa necessariamente que a viol\u00eancia n\u00e3o esteja acontecendo. Medo, vergonha, depend\u00eancia emocional ou financeira e receio das consequ\u00eancias podem dificultar que a mulher relate espontaneamente o que est\u00e1 vivendo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA mulher que sofre viol\u00eancia nem sempre fala abertamente sobre isso quando chega ao servi\u00e7o de sa\u00fade. H\u00e1 vergonha, receio, medo por detr\u00e1s dessa situa\u00e7\u00e3o. Mesmo n\u00e3o sendo culpa da v\u00edtima, ela fica temerosa de se abrir com o profissional de sa\u00fade\u201d, explica Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a forma como o profissional conduz o atendimento pode fazer diferen\u00e7a. Mais do que fazer perguntas de maneira direta ou pressionar a mulher a revelar uma situa\u00e7\u00e3o para a qual ainda n\u00e3o est\u00e1 preparada, \u00e9 fundamental criar um ambiente de confian\u00e7a, privacidade e seguran\u00e7a, destaca a enfermeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO atendimento pode ser uma oportunidade para escutar sem julgar, acolher sem pressionar e identificar sinais de viol\u00eancia, garantindo privacidade e seguran\u00e7a para que a mulher possa falar quando se sentir preparada\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos sinais cl\u00e1ssicos de viol\u00eancia, o profissional de sa\u00fade tamb\u00e9m pode identificar manifesta\u00e7\u00f5es psicossom\u00e1ticas e psicol\u00f3gicas que, embora n\u00e3o sejam necessariamente relacionadas \u00e0 viol\u00eancia de forma isolada, podem indicar que algo n\u00e3o est\u00e1 bem. Entre elas est\u00e3o queixas cr\u00f4nicas sem causa aparente, como dores de cabe\u00e7a frequentes, tonturas, dores abdominais persistentes e fadiga intensa, al\u00e9m de sinais de ansiedade, sintomas depressivos, crises de p\u00e2nico, ins\u00f4nia e medo constante. A baixa ades\u00e3o ou o descumprimento recorrente dos tratamentos m\u00e9dicos propostos tamb\u00e9m pode ser um sinal de alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade da mulher, como abortamentos recorrentes, infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis e altera\u00e7\u00f5es ou dificuldades relacionadas \u00e0 sa\u00fade sexual e reprodutiva, tamb\u00e9m merecem aten\u00e7\u00e3o, principalmente quando aparecem associadas a outros sinais de sofrimento, vulnerabilidade ou suspeita de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esses elementos, isoladamente, n\u00e3o significam necessariamente que haja uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, mas podem contribuir para que o profissional amplie sua escuta e aten\u00e7\u00e3o ao contexto da paciente. Nesses casos, uma escuta atenta e acolhedora por parte do profissional de sa\u00fade pode ser fundamental para identificar poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e oferecer o encaminhamento adequado&#8221;, acrescenta Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher pode assumir diferentes formas, incluindo viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral. Nem sempre ela deixa marcas vis\u00edveis e pode ocorrer de maneira silenciosa e repetida. Por isso, sintomas f\u00edsicos e emocionais apresentados durante um atendimento podem estar relacionados a uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, ainda que a paciente n\u00e3o fa\u00e7a essa associa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o consiga verbaliz\u00e1-la naquele momento.<\/p>\n\n\n\n<p>O profissional de sa\u00fade, portanto, tem um papel que vai al\u00e9m do tratamento imediato de uma dor ou les\u00e3o. O acolhimento adequado pode ser uma porta de entrada para que a mulher conhe\u00e7a seus direitos e tenha acesso aos servi\u00e7os que comp\u00f5em a rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o cabe ao profissional perguntar de forma acusat\u00f3ria ou exigir que ela conte tudo. Cabe criar um ambiente em que ela perceba que ali ela pode falar abertamente sobre a situa\u00e7\u00e3o em que ela se encontra\u201d, afirma a profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de acolhimento tamb\u00e9m est\u00e1 presente em diferentes portas de entrada do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), desde unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade at\u00e9 servi\u00e7os de emerg\u00eancia e atendimentos especializados. Dessa forma, uma consulta que inicialmente n\u00e3o esteja relacionada \u00e0 viol\u00eancia pode se transformar em uma oportunidade de escuta e orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Agosto Lil\u00e1s tamb\u00e9m marca duas d\u00e9cadas da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 e considerada um marco no enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. Apesar dos avan\u00e7os alcan\u00e7ados desde ent\u00e3o, permanecem desafios relacionados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, ao reconhecimento das diferentes formas de viol\u00eancia e ao fortalecimento das redes de atendimento e prote\u00e7\u00e3o. Para Juliana, reconhecer a viol\u00eancia como uma quest\u00e3o que tamb\u00e9m atravessa a sa\u00fade \u00e9 fundamental para ampliar as possibilidades de cuidado e prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFaz 20 anos que a Lei Maria da Penha foi sancionada e j\u00e1 vencemos muitos obst\u00e1culos, mas ainda h\u00e1 muitos desafios a serem enfrentados. \u00c0s vezes, o primeiro passo para romper o ciclo da viol\u00eancia come\u00e7a em uma simples consulta. Viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o \u00e9 problema privado, \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica e de direitos humanos.\u201d, conclui a docente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem sempre a v\u00edtima chega dizendo que sofre viol\u00eancia; profissionais podem identificar sinais e oferecer<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53882,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53880"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53880"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53880\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53883,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53880\/revisions\/53883"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}