{"id":54450,"date":"2026-09-23T09:21:31","date_gmt":"2026-09-23T12:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/?p=54450"},"modified":"2026-09-23T09:21:37","modified_gmt":"2026-09-23T12:21:37","slug":"arvore-e-peca-chave-para-estimular-a-mobilidade-a-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/2026\/09\/23\/arvore-e-peca-chave-para-estimular-a-mobilidade-a-pe\/","title":{"rendered":"\u00c1rvore \u00e9 pe\u00e7a-chave para estimular a mobilidade a p\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Para arquiteto e urbanista, arboriza\u00e7\u00e3o precisa ser entendida como infraestrutura urbana capaz de tornar os deslocamentos a p\u00e9 mais confort\u00e1veis, seguros e atrativos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Dia Mundial sem Carro, celebrado em 22 de setembro, um dos principais desafios para estimular a popula\u00e7\u00e3o a deixar o autom\u00f3vel de lado pode estar menos relacionado \u00e0s campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e mais ao pr\u00f3prio desenho das cidades. Para o arquiteto e urbanista Marcelo Monteiro, especialista em planejamento urbano e mobilidade e docente da Est\u00e1cio, n\u00e3o basta pedir que as pessoas caminhem ou utilizem outros meios de transporte se o espa\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o oferece condi\u00e7\u00f5es adequadas para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNingu\u00e9m troca o conforto do ar-condicionado de um carro por uma caminhada sob um sol escaldante, em uma cal\u00e7ada \u00e1rida cercada por asfalto quente. Se queremos que as pessoas usem as pr\u00f3prias pernas, precisamos oferecer uma rota agrad\u00e1vel para caminhar\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A proximidade entre o Dia Mundial sem Carro e o Dia da \u00c1rvore, celebrado em 21 de setembro, ajuda a evidenciar essa rela\u00e7\u00e3o. Segundo o especialista, a arboriza\u00e7\u00e3o urbana n\u00e3o deve ser encarada apenas como elemento paisag\u00edstico, mas como parte da infraestrutura necess\u00e1ria para uma cidade mais caminh\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00e1rvore \u00e9 um equipamento p\u00fablico de conforto. Ela contribui diretamente para a cria\u00e7\u00e3o de microclimas mais favor\u00e1veis ao n\u00edvel do ch\u00e3o, oferecendo sombra, reduzindo a incid\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o solar e ajudando a amenizar o calor nas \u00e1reas urbanas\u201d, explica Monteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1rvores tamb\u00e9m contribuem para a redu\u00e7\u00e3o da temperatura por meio da evapotranspira\u00e7\u00e3o, processo natural pelo qual as plantas liberam vapor de \u00e1gua. Em \u00e1reas urbanas, onde o concreto e o asfalto absorvem e acumulam calor ao longo do dia, a presen\u00e7a de copas arb\u00f3reas pode ajudar a reduzir a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica nos espa\u00e7os destinados \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de pedestres.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do conforto t\u00e9rmico, a arboriza\u00e7\u00e3o pode colaborar para uma experi\u00eancia mais agrad\u00e1vel de deslocamento. \u00c1rvores de porte adequado ajudam a criar uma separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e visual entre pedestres e ve\u00edculos, al\u00e9m de contribu\u00edrem para a redu\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo e para a constru\u00e7\u00e3o de uma paisagem urbana mais acolhedora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma rua sombreada muda a rela\u00e7\u00e3o das pessoas com o espa\u00e7o. O pedestre tende a caminhar com mais conforto, desacelerar, observar o com\u00e9rcio, permanecer e ocupar aquele lugar. A arboriza\u00e7\u00e3o ajuda a devolver uma escala mais humana \u00e0 cidade\u201d, destaca o arquiteto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando a rua tamb\u00e9m precisa absorver a chuva<br><\/strong>A discuss\u00e3o sobre mobilidade ativa, que inclui principalmente os deslocamentos a p\u00e9 e de bicicleta, tamb\u00e9m passa pela forma como as cidades lidam com a \u00e1gua das chuvas. Para Monteiro, repensar as ruas significa integrar mobilidade, arboriza\u00e7\u00e3o e drenagem urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, ganham espa\u00e7o as chamadas Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza (SbN), estrat\u00e9gias de engenharia e urbanismo que utilizam processos naturais para enfrentar problemas urbanos. Entre elas est\u00e3o os jardins de chuva e os canteiros de infiltra\u00e7\u00e3o, estruturas vegetadas que ajudam a absorver e filtrar a \u00e1gua antes que ela alcance a rede de drenagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA l\u00f3gica tradicional \u00e9 tentar retirar a \u00e1gua da cidade o mais rapidamente poss\u00edvel por meio de tubula\u00e7\u00f5es e canais. Quando temos eventos de chuva intensa, essa infraestrutura pode ficar sobrecarregada. Ao permitir que parte da \u00e1gua seja absorvida pelo pr\u00f3prio solo, conseguimos trabalhar com a natureza, e n\u00e3o contra ela\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o especialista, esse tipo de solu\u00e7\u00e3o pode ser incorporado ao redesenho das pr\u00f3prias cal\u00e7adas e vias, inclusive em espa\u00e7os hoje ocupados por \u00e1reas excessivas de asfalto ou vagas residuais. Al\u00e9m de contribuir para a drenagem, canteiros vegetados podem ampliar a presen\u00e7a de \u00e1reas verdes no percurso dos pedestres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cal\u00e7adas acess\u00edveis e ruas para todos<br><\/strong>Para que a mobilidade a p\u00e9 deixe de ser apenas uma recomenda\u00e7\u00e3o e se torne uma alternativa efetiva de deslocamento, o planejamento urbano tamb\u00e9m precisa colocar o pedestre no centro das decis\u00f5es sobre o espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das refer\u00eancias nesse sentido s\u00e3o as chamadas Ruas Completas, conceito de planejamento que prop\u00f5e vias capazes de atender com seguran\u00e7a e conforto diferentes usu\u00e1rios: pedestres, ciclistas, usu\u00e1rios do transporte p\u00fablico e motoristas, sem priorizar exclusivamente a velocidade dos autom\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFalar em sustentabilidade urbana exige repensar a ideia de que a rua existe principalmente para o carro. Uma via precisa ter cal\u00e7adas largas, acess\u00edveis, arborizadas e seguras. Se a pessoa n\u00e3o se sente confort\u00e1vel para caminhar, dificilmente vai deixar o autom\u00f3vel em casa apenas porque existe uma campanha dizendo que deveria fazer isso\u201d, afirma Monteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o arquiteto, a proximidade entre as duas datas do calend\u00e1rio refor\u00e7a que arboriza\u00e7\u00e3o e mobilidade n\u00e3o s\u00e3o pautas isoladas. Ambas est\u00e3o relacionadas \u00e0 qualidade ambiental e \u00e0 forma como as pessoas vivenciam as cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Dia da \u00c1rvore e o Dia Mundial sem Carro tratam, em diferentes perspectivas, da qualidade do ar, do conforto dos deslocamentos e da sa\u00fade coletiva. Uma cidade n\u00e3o se torna caminh\u00e1vel apenas com discursos de conscientiza\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a come\u00e7a tamb\u00e9m no desenho da rua: plantar a esp\u00e9cie adequada, no lugar adequado da cal\u00e7ada, pode ser um dos primeiros passos para convidar as pessoas a viverem a cidade a p\u00e9\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para arquiteto e urbanista, arboriza\u00e7\u00e3o precisa ser entendida como infraestrutura urbana capaz de tornar os<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54451,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54450"}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54450"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54450\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54452,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54450\/revisions\/54452"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldeitaipava.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}