A duas semanas do fim do verão, equipamento ainda está em fase de testes
A duas semanas do encerramento oficial do verão — estação historicamente marcada por episódios críticos de chuva na Região Serrana — o radar meteorológico de Banda X instalado no Morin ainda não entrou em operação. Anunciado como avanço estratégico para o monitoramento climático de curto prazo, o equipamento segue em fase de testes, ainda que sua instalação tenha sido iniciada em outubro e, desde dezembro, a prefeitura anuncie treinamento de equipes.
Adquirido por R$ 7,5 milhões por meio de acordo judicial com o Ministério Público, o radar, comprado na Finlândia, foi entregue em setembro de 2025 com a promessa de ampliar significativamente a capacidade de previsão nowcasting — modelo que permite identificar, em tempo quase real, a formação de núcleos de chuva intensa em baixa altitude. A tecnologia, considerada mais precisa para eventos localizados, ainda não está integrada de forma definitiva aos protocolos operacionais da Defesa Civil.
Para o Movimento Petrópolis 2030, o atraso compromete a efetividade do investimento e fragiliza a estratégia municipal de mitigação de riscos, sobretudo em um período de elevada instabilidade atmosférica. “Não se trata de uma obra comum. Estamos falando de uma ferramenta de proteção de vidas e de preservação da atividade econômica da cidade. Um radar dessa natureza não pode permanecer em caráter experimental enquanto atravessamos o período mais sensível do calendário climático”, afirma Cláudio Mohammad, uma das lideranças do Movimento Petrópolis 2030.
O grupo ressalta que, sem a plena operacionalização do equipamento, o município continua dependente majoritariamente de radares regionais mais distantes, cuja resolução espacial é menos eficaz para eventos de rápida formação típicos do relevo serrano. “O morador, o turista e o setor produtivo precisam de previsibilidade. Cada alerta emitido com antecedência adequada significa tempo para evacuação, para proteção de estoques, para organização logística. Segurança climática também é política de desenvolvimento econômico”, acrescenta Mohammad.
O Movimento defende que a Prefeitura apresente um cronograma público e detalhado para a integração definitiva do radar aos sistemas de monitoramento e emissão de alertas, incluindo metas técnicas e prazos objetivos. “Infelizmente, para este verão o radar não deve operar. O investimento foi alto e precisamos garantir governança, transparência e eficiência na operação. Petrópolis não pode iniciar o próximo ciclo de chuvas ainda discutindo fase de testes”, aponta.
O Petrópolis 2030, formado por 32 entidades empresariais e representativas da sociedade, reafirma que a modernização da infraestrutura de prevenção a desastres integra o conjunto de diretrizes estratégicas defendidas pela coalizão para preparar o município para a próxima década. “A tecnologia de ponta só cumpre seu papel quando está plenamente operacional e integrada à gestão pública”, completa Cláudio Mohammad.
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