Joedson Alves / Agência Brasil

Aumento do uso de cigarros eletrônicos preocupa especialistas da saúde

Estudos apontam riscos respiratórios, potencial de dependência e aumento de casos de lesões pulmonares principalmente entre jovens

Em 31 de maio é celebrado o Dia Mundial sem Tabaco, desde 1987. Criada pela Organização Mundial da Saúde, a data tem como objetivo alertar sobre doenças e mortes relacionadas aos tabagismo.
Pesquisas apontam que o tabaco é responsável por cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 160 mil mortes anuais são atribuídas ao consumo de derivados do tabaco, quase 450 mortes por dia.
Mas se por um lado o número de fumantes de cigarros tradicionais vem diminuindo graças as inúmeras campanhas de conscientização dos danos a saúde, o consumo de cigarros eletrônicos é cada vez maior, principalmente entre os jovens, o que tem acendido um alerta entre profissionais da saúde no Brasil e no mundo. Comercializados inicialmente como uma alternativa menos prejudicial ao cigarro tradicional, os vapes, popularmente chamados, ganharam popularidade nos últimos anos. No entanto, estudos científicos e relatos clínicos recentes apontam que o dispisitivo pode causar sérios danos ao sistema respiratório, além de apresentar alto potencial de dependência devido à presença de nicotina.
Embora não produzam alcatrão como os cigarros convencionais, os líquidos utilizados nos dispositivos contêm substâncias químicas, aromatizantes e compostos tóxicos que, ao serem aquecidos e inalados, podem provocar inflamações pulmonares, irritação das vias aéreas e redução da capacidade respiratória. Em casos mais graves, o uso está associado a lesões pulmonares severas e até insuficiência respiratória.
Segundo a fisioterapeuta e docente da Estácio, Dra. Ariana Lopes Portela, especialista em Fisioterapia Intensiva pela Assobrafir, a falsa sensação de segurança contribuiu diretamente para a popularização dos dispositivos. “Muitas pessoas começaram a usar o cigarro eletrônico acreditando que ele seria uma opção mais segura, mas hoje já existem evidências importantes mostrando os danos respiratórios causados pelo vape, inclusive em pacientes jovens”, afirma.
Entre os casos mais preocupantes está a EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos. A condição ganhou notoriedade em 2019 após um aumento expressivo de internações, principalmente entre jovens, com sintomas como falta de ar intensa, dor no peito, febre, tosse persistente e insuficiência respiratória.
Além disso, especialistas alertam para o agravamento de doenças respiratórias já existentes, como asma e bronquite. “Os aerossóis inalados causam irritação contínua nas vias aéreas e podem intensificar crises respiratórias em pacientes que já possuem algum comprometimento pulmonar”, explica Dra. Ariana.
Pesquisas laboratoriais também indicam que a exposição frequente ao vapor do cigarro eletrônico pode gerar estresse oxidativo e inflamação crônica, fatores associados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, incluindo pulmão, boca e garganta. O risco se torna ainda maior em usuários que combinam o vape com o cigarro tradicional.
Apesar da proibição da comercialização, importação e propaganda dos cigarros eletrônicos no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, os dispositivos continuam sendo vendidos ilegalmente em comércios físicos e plataformas online. Em abril de 2024, a agência reafirmou a proibição após consulta pública, mantendo o entendimento de que os produtos representam riscos à saúde pública.
Para os especialistas, a prevenção e a informação são as principais ferramentas para reduzir os impactos do uso dos cigarros eletrônicos. Campanhas educativas em escolas, universidades, redes sociais e serviços de saúde têm papel fundamental na conscientização da população, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.

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