Douglas Mattos encontrou no automobilismo um novo caminho e compartilha, no Paralisia em Foco, em Teresópolis, a trajetória que o levou do kart à busca por recordes mundiais pelo Guinness
A paralisia cerebral ainda é cercada por prognósticos e crenças que insistem em determinar até onde uma pessoa pode chegar. Douglas Mattos decidiu desafiar esses estereótipos no automobilismo e transformou as pistas no lugar onde constrói, volta após volta, uma trajetória que hoje inspira outras pessoas a enxergarem novas possibilidades.
Aos 38 anos, o piloto natural de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, ocupa atualmente a quarta colocação no Campeonato Carioca de Kart e se prepara para disputar a segunda metade da temporada da AMG Cup Brasil, campeonato de turismo com carros Mercedes-Benz. Paralelamente, iniciou a preparação para homologar placas do Guinness como o primeiro piloto do mundo com paralisia cerebral a pilotar, sem adaptações, veículos de tração traseira, tração dianteira, kart e rally.
O automobilismo entrou na vida de Douglas em 2022, quando buscava um recomeço após enfrentar um período de depressão. O que começou como uma forma de retomar a confiança rapidamente se transformou em dedicação ao esporte. Em poucos anos, passou a disputar competições oficiais, acelerou em Interlagos e hoje direciona a rotina de treinos para consolidar espaço no automobilismo nacional.
“Meus próximos desafios como piloto são dar início à segunda metade da AMG Cup Brasil para conseguir mais visibilidade e mais possibilidades. Também vou começar a preparação para as minhas placas do Guinness como o primeiro piloto do mundo com paralisia cerebral a pilotar um carro de tração traseira, tração dianteira, no kart e no rally, sem adaptação”, afirma.
No dia 30 de agosto, Douglas será um dos convidados da quarta edição do Paralisia em Foco, realizada no UNIFESO – Centro Universitário Serra dos Órgãos, em Teresópolis. Diante de profissionais de saúde, estudantes, pesquisadores, famílias e pessoas com paralisia cerebral, ele pretende mostrar que o esporte também pode ser uma ferramenta para ampliar horizontes e romper barreiras. “Quero abordar minha história e mostrar para todos que dá para fazer. Não é impossível. É muito difícil e complicado viver sendo neurodivergente, mas dá para viver, dá para ter qualidade de vida e dá para conseguir administrar as coisas boas que a vida leva.”
Mais do que contar a própria experiência, Douglas espera que sua participação deixe uma mensagem de esperança para famílias e pessoas que convivem com a paralisia cerebral. “O que eu mais quero que essas famílias levem para casa é esperança, oportunidade e que não desistam da vida. Muita gente entrega limitação onde eu enxerguei possibilidade.”
Para o piloto, a corrida principal ainda acontece fora das pistas. “A maior barreira que precisa ser quebrada é o preconceito, a aceitação e o sistema. Você tem que brigar com esses três sempre. O psicológico tem que estar bem evoluído para a gente conseguir e não desistir nunca dos nossos objetivos.”
Criado em 2025, o Paralisia em Foco chega à quarta edição como um dos poucos encontros do país dedicados exclusivamente ao debate multidisciplinar sobre a paralisia cerebral. O evento reúne profissionais da saúde, pesquisadores, estudantes, famílias e pessoas com a condição para discutir temas como diagnóstico precoce, reabilitação, ortopedia, terapia ocupacional, comunicação, nutrição e tecnologia assistiva.
O Paralisia em Foco será realizado nos dias 29 e 30 de agosto, no UNIFESO – Centro Universitário Serra dos Órgãos, em Teresópolis. As inscrições estão abertas pela plataforma Sympla pelo link: https://www.sympla.com.br/evento/paralisia-em-foco-teresopolis-rj/3451367?share_id=copiarlink
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