Passando pelo câncer de próstata e reposição hormonal, urologista do Hospital Santa Teresa explica a importância do acompanhamento regular para prevenção de doenças
Sob uma perspectiva comportamental, o público masculino não gosta de ir ao médico e cuida pouco da própria saúde. Segundo uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 46% dos homens acima de 40 anos só procuram atendimento médico quando sentem algum sintoma. O número aumenta para 58% quando o indivíduo só pode ser atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o Dr. André de Sá Earp, urologista do Hospital Santa Teresa, existe uma questão cultural muito forte nesse processo, que também é atravessado pelo medo de descobrir alguma doença. “No geral, eles procuram menos o médico quando estão se sentindo bem e costumam chegar ao consultório por insistência da esposa ou dos filhos”, comenta.
No entanto, o perigo aparece, principalmente, quando as doenças são silenciosas no início, como é o caso do câncer de próstata: a fase da doença com maior possibilidade de cura não apresenta sintomas. “Por isso, precisamos mudar essa ideia de que só se procura o médico quando alguma coisa dói ou não está funcionando bem. Prevenção é cuidar da saúde enquanto estamos bem”, afirma o urologista.
De forma geral, o acompanhamento da saúde masculina depende da idade, histórico familiar e fatores de risco de cada paciente. Para os jovens, a prioridade é investigar questões relacionadas à saúde sexual, infecções sexualmente transmissíveis, alterações no testículo, fertilidade e varicocele (dilatação anormal dos vasos sanguíneos que drenam o sangue dos testículos). Ao longo dos anos, também é preciso levar em conta a pressão arterial, glicemia, colesterol, peso e risco cardiovascular, além dos rastreamentos específicos para cada idade, como o câncer colorretal.
A avaliação da próstata, com acompanhamento médico regular e individualizado, ganha importância a partir dos 50 anos, com exceção dos homens de maior risco e com histórico familiar de câncer de próstata, que devem buscar atendimento mais cedo. Caso haja necessidade, o urologista pode solicitar o exame tradicional e o Antígeno Prostático Específico (PSA).
Para o Dr. André, os sintomas mais ignorados pelos homens são os urinários por conta da percepção de que seriam apenas consequências da idade. Jato mais fraco, necessidade de levantar várias vezes a noite para ir ao banheiro, dificuldade para urinar, sangue na urina (mesmo que aconteça uma única vez e sem dor), nódulo, endurecimento ou aumento do testículo são sinais de alerta para a necessidade de investigação médica.
Além disso, existe uma relação muito próxima entre saúde cardiovascular e saúde sexual. Aquilo que faz bem para o coração e para os vasos sanguíneos também ajuda a preservar a função erétil. “Também devemos prestar atenção às alterações persistentes da ereção. A disfunção erétil não é apenas uma questão sexual. Em alguns homens, ela pode ser uma das primeiras manifestações de doença vascular e servir de alerta para investigar a saúde cardiovascular”, comenta.
Outro tópico que vem sendo bastante discutido no consultório é a reposição de testosterona. Apesar da forte divulgação associada a ganho de massa muscular, disposição, libido e rejuvenescimento, a reposição deve ser considerada quando há sintomas compatíveis e a confirmação adequada de que os níveis do hormônio estão realmente baixos. Nesse cenário, também é importante entender o motivo da queda. Segundo o especialista do Hospital Santa Teresa, a reposição traz benefícios relevantes quando é bem indicada, mas o uso sem acompanhamento médico é perigoso. A testosterona é capaz de engrossar o sangue pelo aumento dos glóbulos vermelhos, diminuir a produção de espermatozoides, comprometer a fertilidade e inibir a produção natural do hormônio. “Por isso, não devemos encarar a testosterona como uma forma de rejuvenescimento. É um tratamento médico que, quando necessário, deve ser feito com indicação correta e acompanhamento regular”, explica.
Para cuidar da saúde de forma constante, além de procurar atendimento médico regular, o público masculino deve adotar hábitos saudáveis na rotina como atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso e dormir de forma adequada, evitando o cigarro e o excesso de álcool. Cuidar da saúde mental também é fundamental, considerando que ansiedade, depressão, estresse e problemas de sono podem interferir diretamente na disposição, na libido, na ereção e na qualidade de vida.
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