Rio é o terceiro estado com mais pessoas diagnosticadas com autismo
O Rio de Janeiro é o terceiro estado com mais pessoas diagnosticadas com autismo: são quase 215 mil. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, em 2022, incluiu pela primeira vez essa informação no Censo. Para o vereador Fred Procópio (MDB), o número pode ser ainda maior, já que o sistema de saúde pública ainda não conseguiu absorver de forma satisfatória a demanda por diagnóstico e atendimento aos casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“O Estado do Rio não está preparado para oferecer assistência adequada às crianças e aos adolescentes com TEA. Falta uma rede estruturada e integrada para fazer esse diagnóstico de forma mais rápida e assertiva. Os municípios contam com os poucos recursos do Governo Federal e com o apoio de organizações sem fins lucrativos. O Estado precisa criar um aparato para auxiliar os municípios nesse cenário que tantas famílias enfrentam”, critica o vereador.
Os 92 municípios do RJ contam com apenas um Centro Estadual de Diagnóstico para Transtorno do Espectro Autista (CedTEA), que fica na Gávea, na capital. As crianças e suas famílias viajam de suas cidades e, ao receberem o diagnóstico positivo, são encaminhadas de volta para casa para dar início às terapias especializadas indicadas, começando uma nova batalha para conseguir o atendimento municipal.
“A inclusão dessas crianças na rede pública de educação sacrifica os profissionais e os próprios alunos pela falta de um ambiente preparado e adequado para eles. As famílias, em especial as mães, acabam tendo de anular a própria vida para poder se dedicar ao desenvolvimento dessa criança pela falta de políticas públicas adequadas”, explica Fred.
Hoje, todo o atendimento às pessoas com TEA oferecido na rede pública é feito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e dos Centros Especializados em Reabilitação (CER), além de organizações sem fins lucrativos que atendem gratuitamente às famílias. Os recursos para esses serviços vêm das prefeituras, do Governo Federal e de emendas parlamentares.
“Tem muita gente boa trabalhando nisso. As Apaes, por exemplo, estão dedicadas integralmente a essas questões, mas falta estrutura, falta recurso. O Estado do Rio de Janeiro investiu menos de meio por cento do seu orçamento em 2025 em saúde mental. Um valor irrisório diante da realidade enfrentada por milhares de famílias fluminenses”, diz o parlamentar.
Fred Procópio está em seu terceiro mandato de vereador em Petrópolis e é candidato a deputado estadual pelo MDB. Sua principal pauta de trabalho é a ampliação de recursos para o atendimento em saúde mental e a criação de uma rede estruturada de assistência às famílias atípicas. Presidiu a Comissão Especial de Reestruturação da Saúde Mental, que teve forte atuação após a tragédia climática ocorrida em Petrópolis em 2022. O trabalho resultou na reorganização e na expansão do atendimento na rede pública municipal.
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