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Bets drenam bilhões da renda das famílias e ampliam alerta para crise de saúde mental no Brasil

A expansão das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil tem levantado preocupações cada vez maiores entre economistas, autoridades de saúde e especialistas em comportamento. Enquanto o setor movimenta bilhões de reais e amplia sua presença em campanhas publicitárias, clubes de futebol e redes sociais, crescem também os sinais de que as chamadas “bets” estão afetando o orçamento das famílias e contribuindo para o aumento de problemas relacionados à saúde mental.
Dados do Banco Central mostram que os brasileiros chegaram a destinar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês às plataformas de apostas. Em um cenário de inflação, endividamento e perda do poder de compra, o volume chama a atenção pelo impacto que pode provocar na economia doméstica.
Levantamento divulgado pela Agência Brasil aponta que as famílias brasileiras perderam cerca de R$ 62,5 bilhões líquidos em apostas ao longo de 2025. O valor representa a diferença entre o dinheiro apostado e os prêmios recebidos pelos jogadores.
Para especialistas, a consequência é direta: recursos que poderiam ser utilizados na compra de alimentos, no pagamento de contas, no comércio local ou em atividades de lazer acabam sendo direcionados para plataformas digitais de apostas.
O fenômeno também alcança a população mais vulnerável. Em 2024, cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família realizaram apostas via Pix em apenas um mês, movimentando aproximadamente R$ 3 bilhões, segundo dados do Banco Central.
Além dos impactos econômicos, as apostas online têm gerado preocupação crescente na área da saúde. O Transtorno do Jogo, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é caracterizado pela incapacidade de controlar o impulso de apostar, mesmo diante de prejuízos financeiros, familiares e profissionais.
O Ministério da Saúde alerta que o comportamento compulsivo pode estar associado a quadros de ansiedade, depressão, insônia, irritabilidade e isolamento social. Em situações mais graves, o problema pode resultar em endividamento extremo, perda de patrimônio, rompimento de relacionamentos e aumento do risco de suicídio.
A facilidade de acesso às plataformas, disponíveis 24 horas por dia nos celulares, é apontada como um dos fatores que contribuem para o crescimento dos casos. A promessa de ganhos rápidos, somada a estratégias de marketing agressivas e à exposição constante de propagandas, cria um ambiente propício para o desenvolvimento da dependência, especialmente entre jovens e adultos de menor renda.
Os reflexos são percebidos em diferentes setores da sociedade. Pesquisadores relatam aumento na procura por ajuda psicológica relacionada ao vício em jogos, enquanto órgãos de defesa do consumidor registram relatos de pessoas que comprometeram salários, poupanças e até recursos destinados às despesas básicas da família.
Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima que os custos sociais e econômicos associados às apostas podem chegar a R$ 38,8 bilhões por ano, considerando despesas com saúde, perda de produtividade, afastamentos do trabalho e outras consequências indiretas. Embora representantes do setor contestem parte desses números e destaquem a geração de empregos e a arrecadação de impostos, o avanço das bets já é tratado por especialistas como um desafio que vai além do entretenimento.

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