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Adeus ao campo de futebol? Brasileiros aderem aos esportes na areia

Crescimento de até 379% em praticantes, expansão para cidades sem litoral e alto gasto calórico impulsionam a popularidade das modalidades na areia

Os esportes de areia vivem um dos maiores crescimentos já registrados no Brasil. Modalidades como beach tennis, vôlei de praia, futevôlei e futebol de areia deixaram de ser exclusividade do litoral e se tornaram febre em capitais, cidades do interior, academias, clubes e até condomínios residenciais.

Entre 2023 e 2024, o número de usuários ativos nessas modalidades aumentou 379%, enquanto os check-ins quase quadruplicaram, segundo dados de plataformas de bem-estar corporativo, como TotalPass e Wellhub (antigo Gympass). O movimento reflete uma mudança no comportamento da população, cada vez mais interessada em atividades físicas ao ar livre e dinâmicas.

Segundo Oscar Brandão, atleta profissional de vôlei de praia, apoiado pelo Instituto Yduqs, ex-integrante da seleção brasileira em Jogos Pan-Americanos e instrutor da modalidade, o crescimento é facilmente percebido no dia a dia das quadras espalhadas pelo país.

“Existe um aumento no interesse do público, especialmente em períodos mais quentes. As pessoas buscam sol, atividade física e contato com a natureza. Esse conjunto atrai quem quer melhorar o condicionamento físico, o bem-estar e a qualidade de vida, além da interação social”, afirmam.

Para André Fernandes, educador físico e professor da Estácio, o sucesso dessas modalidades está diretamente ligado à acessibilidade e à experiência proporcionada.

“São esportes altamente sociáveis, com regras simples e fáceis de aprender. Além disso, costumam ser praticados em ambientes agradáveis e ao ar livre, o que amplia ainda mais o interesse”, explica.

Da praia para o interior

Embora estejam em evidência nos últimos anos, algumas dessas modalidades têm história antiga. O vôlei de praia surgiu no início do século XX, chegou ao Brasil na década de 1930 e, ao longo das décadas, passou de atividade recreativa à prática profissional, estreando como esporte olímpico em 1996, nos Jogos de Atlanta.

O que mudou foi a escala. Atualmente, quadras de areia se espalham por cidades sem litoral e grandes centros urbanos, ampliando o acesso e consolidando os esportes de areia como uma prática nacional.

Pandemia e expansão do mercado

Para Fernandes, dois fatores explicam o salto recente: a pandemia e o investimento em infraestrutura.

“Durante e após a pandemia, houve uma busca maior por exercícios ao ar livre. Ao mesmo tempo, empresários passaram a investir na construção de quadras de areia em espaços urbanos. Isso democratizou a prática e impulsionou o crescimento”, analisa.

Os números confirmam a tendência. O beach tennis passou de cerca de 400 mil praticantes em 2021 para 1,1 milhão em 2023, segundo a Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Entre 2023 e 2024, a adesão ao futevôlei cresceu 168%, enquanto o vôlei de praia avançou 126%.

Benefícios físicos e cuidados

O terreno instável da areia aumenta o gasto calórico e exige maior ativação muscular. “O pé afunda, o deslocamento exige mais força e os músculos estabilizadores trabalham o tempo todo, protegendo as articulações e fortalecendo o sistema proprioceptivo”, explica Fernandes.

Apesar dos benefícios, iniciantes precisam de atenção. As torções estão entre as lesões mais comuns no início da prática, o que reforça a importância da orientação profissional, aquecimento adequado e progressão gradual dos movimentos.

“Os esportes de areia são indicados para crianças, adultos, idosos e pessoas com sobrepeso, desde que com adaptações. O mais importante é unir prazer e segurança. O esporte traz convivência, regras e motivação, mas sempre com acompanhamento de um profissional de educação física”, conclui.

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