Campanha do Dia Mundial de Prevenção do Afogamento mobiliza todo o país com ações educativas, iluminação de monumentos, cursos gratuitos e eventos para reduzir uma das principais causas de mortes evitáveis na infância
As férias escolares representam um período de diversão para as crianças, mas também exigem atenção redobrada dos pais e responsáveis. Com o aumento do tempo em casa, em clubes, sítios e áreas de lazer, cresce também o risco de afogamentos, especialmente em piscinas residenciais. Dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) mostram que cerca de metade dos afogamentos envolvendo crianças acontece dentro do ambiente doméstico, tornando a supervisão constante e as medidas preventivas fundamentais para evitar tragédias.
O alerta ganha ainda mais força neste mês de julho, quando é celebrado, no dia 25, o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenado mundialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a campanha é organizada pela SOBRASA e reúne órgãos públicos, instituições privadas, universidades, escolas, clubes, bombeiros, guarda-vidas e milhares de voluntários em uma ampla mobilização nacional.
O afogamento continua sendo um grave problema de saúde pública. Atualmente, uma pessoa morre afogada no Brasil a cada 90 minutos, totalizando aproximadamente 5.742 mortes por ano. É a segunda principal causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos, a terceira entre 5 e 9 anos e a quarta entre jovens de 10 a 24 anos. Entre as crianças pequenas, aproximadamente 50% dos casos acontecem em casa, envolvendo piscinas, banheiras, baldes, caixas d’água, poços, cisternas e outros reservatórios. No entanto, os responsáveis devem ficar atentos também em ambientes externos como praias, rios e cachoeiras.
Segundo especialistas da SOBRASA, até 95% dos afogamentos podem ser evitados com medidas simples, como supervisão permanente de um adulto, instalação de barreiras de proteção em piscinas, isolamento de reservatórios de água e educação sobre segurança aquática desde a infância.
- Durante as férias, as crianças passam mais tempo próximas da água e basta um instante de distração para que um acidente aconteça. O afogamento é silencioso, rápido e pode ocorrer em poucos centímetros de água. A prevenção continua sendo a principal ferramenta para salvar vidas – destaca o diretor médico da SOBRASA, David Szpilman.
Mobilização nacional
A campanha de 2026 será marcada por três grandes ações em todo o Brasil.
A primeira é o movimento Go Blue – Vista-se de Azul, que incentiva a iluminação de monumentos, prédios públicos e pontos turísticos na cor azul, além da participação da população nas redes sociais para ampliar a conscientização sobre a prevenção dos afogamentos.
Outra frente é o projeto Celebrando sua Cidade, que promoverá palestras, workshops, cursos, atividades educativas e treinamentos sobre segurança aquática em escolas, universidades, clubes, academias, órgãos públicos e diversas instituições espalhadas pelo país.
Já o desafio Dando a Volta no Planeta Azul reunirá praticantes de modalidades como natação, surf, stand up paddle, remo, canoagem e outras atividades aquáticas para somar simbolicamente quilômetros percorridos, reforçando a importância do esporte aliado à prevenção.
Campanha cresce a cada ano
A mobilização nacional tem ampliado seu alcance a cada edição. Em 2025, os 27 estados brasileiros participaram das ações, envolvendo 554 instituições, mais de 8.300 voluntários e 369 atividades presenciais. Ao todo, 51 monumentos foram iluminados de azul durante mais de 6.600 horas, gerando milhões de visualizações nas redes sociais e ampla repercussão em todo o país.
Para 2026, a expectativa da SOBRASA é superar esses números, ampliando a participação de instituições públicas e privadas e fortalecendo a cultura da prevenção.
A entidade reforça que o afogamento não acontece por acaso e que informação, vigilância e comportamento seguro continuam sendo as formas mais eficazes de evitar mortes. A campanha convida toda a sociedade a participar das ações e a transformar o mês de julho em um grande movimento pela preservação da vida.
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