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Monitoramento por câmeras: início da instalação reforça debate sobre ampliação da cobertura nos distritos

Unita defende mais vigilância para os distritos

Depois da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou o colapso do sistema de videomonitoramento de Petrópolis, suspenso desde fevereiro, a Prefeitura iniciou nesta quarta-feira (19) a instalação das câmeras da nova Central de Monitoramento da cidade. A medida atende à determinação judicial de retomada do serviço, mas reacende outro debate: para a Unidos por Itaipava (Unita), a reconstrução do sistema deve ir além da simples reposição dos equipamentos e garantir uma distribuição mais equilibrada entre o primeiro distrito e os demais, ampliando a cobertura em regiões de grande circulação de pessoas, importância econômica e vulnerabilidade a eventos climáticos.

O município já contou com uma estrutura considerada referência na região. Inaugurado em maio de 2018, o Centro Integrado de Operações de Petrópolis (Ciop) iniciou suas atividades com 45 pontos de monitoramento e, ao longo dos anos, o sistema foi ampliado até alcançar 111 câmeras urbanas instaladas em vias públicas, integradas à Guarda Civil, Polícia Militar e órgãos de trânsito. A estrutura, no entanto, começou a sofrer um processo de desmonte por falta de manutenção e pela demora na renovação dos contratos. Em fevereiro deste ano, após o vencimento do contrato da empresa responsável pelos equipamentos, todas as câmeras foram retiradas, deixando a cidade sem monitoramento justamente durante o período de chuvas de verão.

Embora o antigo sistema tenha alcançado 111 câmeras em vias públicas, a Prefeitura nunca divulgou quantos equipamentos estavam instalados em cada distrito. O detalhamento sempre foi tratado como informação estratégica para a segurança, o que impede até hoje uma avaliação precisa sobre a distribuição do monitoramento no município. Na prática, porém, a maior concentração de equipamentos sempre esteve no primeiro distrito, enquanto os demais receberam cobertura pontual em áreas comerciais e vias de maior circulação.

A prefeitura divulgou que o novo sistema contará com 127 câmeras distribuídas em 67 pontos nos diferentes distritos do município, contrato emergencial firmado pela gestão municipal no valor de R$ 1, 4 milhão, com vigência de até 12 meses. A prefeitura anunciou que está abrindo uma licitação para contratação em definitivo.

Apesar da retomada, a própria solução emergencial mantém uma diferença entre a estrutura prevista e a necessidade apontada pelos estudos técnicos do município. Segundo manifestação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) na Ação Civil Pública que apura a desativação do sistema, a contratação emergencial prevê 127 câmeras em 67 pontos, enquanto estudo elaborado pelo setor técnico da própria Prefeitura apontaria a necessidade de 211 câmeras distribuídas em 144 pontos. Na prática, 77 pontos considerados estratégicos ficam fora da cobertura prevista no contrato emergencial.

Para o presidente da Unidos por Itaipava, Alexandre Plantz, a reconstrução do sistema deve ser encarada como uma oportunidade para corrigir um desequilíbrio entre primeiro e distritos. “O monitoramento eletrônico deixou de ser apenas uma ferramenta de combate ao crime. Hoje, ele auxilia na gestão do trânsito, na resposta a acidentes, no acompanhamento das chuvas e na prevenção de riscos. Se a cidade vai investir novamente nesse sistema, é fundamental que ele contemple também os distritos, onde vivem milhares de pessoas e que recebem um fluxo intenso de visitantes durante todo o ano.”

Alexandre Plantz destaca que Itaipava, com cerca de 30 mil moradores, recebe turistas e veranistas durante todo o ano, especialmente nos fins de semana, feriados e na temporada de inverno, quando sua população praticamente dobra com a chegada de visitantes. Além disso, Corrêas, Nogueira, Pedro do Rio e Posse concentram importantes polos comerciais, gastronômicos e turísticos, registrando grande circulação de pessoas, acidentes de trânsito e áreas sujeitas a alagamentos.

“Ao tratar de monitoramento, estamos falando de proteger pessoas. Itaipava recebe milhares de visitantes todos os fins de semana, movimenta a economia da cidade e concentra um grande fluxo de veículos. Os demais distritos também cresceram muito nas últimas décadas. É natural que o novo sistema considere essa realidade e distribua os equipamentos de forma técnica, atendendo quem mora, trabalha ou visita essas regiões.”

Outro aspecto apontado pela entidade é o papel das câmeras durante os períodos de chuva intensa. As imagens disponibilizadas à população permitem acompanhar, em tempo real, a situação de rios, vias e pontos sujeitos a alagamentos, auxiliando na tomada de decisões e reduzindo riscos. O secretário da Unita, Fabrício Santos, lembra que esse tipo de monitoramento também precisa refletir a geografia do município.

“Os distritos possuem áreas sujeitas a enchentes, enxurradas e problemas viários da mesma forma que o Centro. Em muitos casos, moradores precisam decidir se podem ou não se deslocar, e as imagens ajudam justamente nessa avaliação. Um sistema moderno deve atender tanto à segurança pública quanto à Defesa Civil e à população”, aponta Fabrício. A entidade defende que o novo projeto considere critérios como população residente, circulação diária de veículos, atividade econômica, vocação turística, histórico de acidentes e áreas de risco hidrológico, permitindo uma distribuição mais equilibrada dos equipamentos.

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