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Agosto Dourado: Ginecologista desmente mitos e reforça os benefícios do aleitamento materno para mãe e bebê

Mês de conscientização sobre a amamentação destaca a importância do leite materno como “vacina natural” e alerta para a necessidade de uma rede de apoio fortalecida nos primeiros dias pós-parto

No oitavo mês do ano celebra-se o Agosto Dourado, período dedicado à conscientização, proteção e apoio ao aleitamento materno. A cor dourada, atribuída ao mês, não foi escolhida por acaso e simboliza o “padrão ouro” de qualidade que o leite materno representa para a alimentação infantil. Segundo a ginecologista do Hospital Santa Teresa, Dra. Diane Leite, os benefícios do aleitamento materno são muitos:

  • Os primeiros dias de colostro (primeiro leite produzido pelas mamas, após o parto) é rico em anticorpos e funciona como uma vacina natural;
  • O leite reduz os episódios de pneumonia, diarreia e otite;
  • Diminui o risco de alergia e dermatite;
  • É de digestão mais fácil e reduz cólicas e refluxo do bebê;
  • Reduz o risco de morte súbita do recém-nascido;
  • Estimula o vínculo materno-fetal e evita quedas de temperatura.

A longo prazo, os ganhos continuam: crianças amamentadas têm menor risco de desenvolver asma, obesidade e diabetes. Além disso, o próprio exercício de sugar o peito ajuda a desenvolver melhor a arcada dentária e a musculatura da face da criança. E as vantagens não são exclusivas do bebê. “A mulher também tem benefícios a longo prazo, como a redução do risco de câncer de mama e de ovário. Isso sem considerar o benefício econômico para a família e a praticidade da amamentação”, completa a Dra. Diane.

Apesar disso, a amamentação não é isenta de desafios, especialmente na primeira semana. É comum que surjam dores no bico do seio ou mesmo rachaduras. Nesses casos, a médica do Hospital Santa Teresa orienta a correção da “pega” do bebê e o uso de cremes de lanolina. Outro quadro comum é o ingurgitamento mamário, quando o peito fica mais duro e dolorido. Para evitar que o leite acumule, a recomendação é oferecer o seio a cada duas horas. O uso de um sutiã compressivo também pode trazer alívio para essa condição, segundo a ginecologista.

“Uma condição muito importante para garantir o sucesso nesses primeiros dias é uma rede de apoio que possa deixar a mãe se adaptar e ficar inteiramente disponível para o bebê. Mamãe e bebê precisam de ajuda no entorno, para garantir o sucesso desses primeiros dias. Depois tudo ficará mais fácil”, explica a ginecologista.

“Leite fraco” e outros mitos desvendados
Muitos mitos e dúvidas acabam atrapalhando a amamentação ao promoverem insegurança na mãe. Um dos mais comuns é a especulação de que seios pequenos produzem pouco leite. No entanto, o que define a quantidade de leite produzido é a quantidade de glândula mamária e o estímulo (sucção e esvaziamento das mamas), e não o tamanho do seio, que é moldado por tecido gorduroso. 

Outra lenda comum é a do “leite fraco”, geralmente associada ao choro do bebê ou à quantidade inicial de leite. “Leite fraco não existe. O leite é sempre adequado para o período de amamentação. O que pode gerar algumas dúvidas é que, no início da amamentação, a produção é de colostro, com leite mais ralo, amarelado e rico em anticorpos”, desmente a Dra. Diane.

No início, é normal que a produção seja em menor quantidade, aumentando gradativamente conforme a necessidade do recém-nascido. É importante notar também que o leite maduro se modifica durante a mamada, tornando-se mais gorduroso no final. Para garantir uma boa produção, a regra de ouro é: sucção frequente, esvaziamento das mamas e hidratação fundamental da mãe.

Embora seja o padrão ouro, existem situações raras em que a amamentação é contraindicada pelo risco de contágio ao bebê: “A contraindicação à amamentação é rara e geralmente está associada ao uso de determinadas medicações, como embriagantes, sedativos e quimioterápicos, ou doenças como o HIV e HTLV, vírus que podem ser transmitidos pela amamentação. Por outro lado, bebês que apresentam intolerância severa a lactose ou que possuem galactosemia não tratada também não podem ser amamentados”, conclui a ginecologista do Hospital Santa Teresa.

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