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3º edição do FeLiEJA premia produções de estudantes no Palácio de Cristal

Festival reuniu cordel, poema e prosa e homenageou a professora Rosane Karl

Textos escritos nas turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ganharam espaço no Palácio de Cristal, nesta terça-feira (1/9). A 3ª edição do Festival Literário da EJA (FeLiEJA), promovida pela Prefeitura de Petrópolis, reuniu estudantes e profissionais da rede municipal para a premiação nas categorias cordel, poema e prosa. A noite também homenageou a professora doutora Rosane Karl por sua trajetória na educação pública e pelo trabalho desenvolvido na rede municipal.

As obras partiram de lembranças, experiências, lugares e situações que fazem parte da vida dos estudantes. O processo envolveu leitura, escolha do gênero, escrita e revisão, com a orientação dos professores nas unidades de ensino.

“A EJA reúne pessoas que chegam à escola com repertórios construídos no trabalho, na família e na comunidade. Quando essas vivências passam para o papel, o estudante percebe que sua história também produz conhecimento. O FeLiEJA reconhece essa autoria e dá ao exercício da leitura e da escrita um sentido que vai além da avaliação em sala de aula”, afirmou a secretária de Educação, Ana Carolina Kapler.

Na categoria cordel das fases iniciais, do 1º ao 5º período, o primeiro lugar ficou com “Cordel do amor iluminado”, de Luciana Gonzaga da Silva, aluna da Escola Municipal Professora Maria Campos da Silva. A produção teve orientação do professor André Luis Costa Caboclo.

Entre as fases finais, do 6º ao 9º período, Lucas de Almeida Teixeira, da Escola Municipal Bataillard, venceu na categoria cordel com “Cordel dos nossos sonhos”, sob orientação da professora Raquel Paixão de Sá. Em poema, o primeiro lugar foi para “Minha vida, meu lugar”, de Marleite dos Santos, da Escola Municipal Professora Maria Campos da Silva, orientada pelo professor Jhone Carlos Santos da Cruz.

A Escola Maria Campos também conquistou a primeira colocação em prosa. Maria Aparecida Vieira venceu com “Sou o fruto amadurecido pelo tempo”, trabalho desenvolvido com o acompanhamento do professor Jhone Carlos Santos da Cruz.

“A produção começa muito antes da cerimônia. Cada obra passa por conversas, escolhas, escrita, releitura e mudanças até chegar à versão apresentada. O professor acompanha esse caminho, mas a voz preservada é a do aluno. O festival permite que pessoas com percursos diferentes se reconheçam como autoras e compartilhem aquilo que pensam, recordam e observam”, explicou a subsecretária de Educação, Raquel de Leão.

A homenagem do ano foi dedicada à professora doutora Rosane Karl, que integrou a rede municipal e esteve à frente da EJA. Sua atuação foi marcada pelo diálogo com estudantes e educadores e pela defesa de uma modalidade capaz de considerar diferentes tempos de aprendizagem e histórias de vida. A professora se aposentou em 2025, após uma trajetória ligada ao ensino, à formação de profissionais e à construção de projetos para a EJA.

“Receber essa homenagem em um festival construído a partir das palavras dos estudantes tem um significado especial para mim. A EJA me ensinou que nenhuma trajetória escolar pode ser vista de forma isolada. Cada pessoa chega à sala de aula com saberes, interrupções, recomeços e projetos. Ver esses alunos assumirem a autoria de seus textos e ocuparem o Palácio de Cristal é também reconhecer tudo o que eles carregam e ainda desejam construir”, disse Rosane Karl

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