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Uso irracional de medicamentos ainda preocupa e pode levar a riscos graves à saúde

No Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, especialista alerta para automedicação, interações perigosas e uso incorreto de antibióticos no Brasil

Ontem, dia 5 de maio, foi celebrado o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, uma data de grande relevância para a saúde pública. Isso porque a automedicação é responsável por cerca de 20 mil mortes por ano no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma) com estudos mais recentes realizados em 2025. Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária considera o problema uma questão de saúde pública.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais da metade dos medicamentos utilizados pela população são consumidos de forma irracional, um alerta importante para entidades e órgãos de saúde, como o Conselho Federal de Farmácia.
O farmacêutico Arthur Luiz Correa destaca que a promoção do uso racional de medicamentos é uma das diretrizes da Política Nacional de Medicamentos, criada em 1998, com o objetivo de garantir à população acesso a medicamentos com segurança, qualidade e eficácia. “A promoção do uso de racional de medicamentos envolve uma série de etapas que se inicia com a seleção do medicamento pelo profissional de saúde. Essa seleção deve ser baseada no diagnóstico e nas características e necessidades do indivíduo”, explica.
Arthur, que é professor do curso de Farmácia da Estácio, observa que o uso inadequado pode ocorrer por diferentes fatores, como prescrições incorretas, falhas na dispensação, dificuldade de entendimento das orientações — muitas vezes devido à caligrafia médica —, armazenamento inadequado ou ainda pelo não cumprimento do tratamento por parte do paciente, que deixa de seguir horários e períodos recomendados.
O profissional ressalta que o uso irracional pode trazer sérias consequências à saúde. “Entre os principais riscos estão a ineficácia do tratamento, agravamento do quadro clínico, intoxicações e interações medicamentosas perigosas. Em casos mais graves, essas situações podem levar à necessidade de atendimento de urgência, hospitalizações e até colocar a vida do paciente em risco”.
Outro ponto importante destacado pelo especialista é que a automedicação tem sido uma prática bastante comum na sociedade e associada ao autocuidado, no qual o indivíduo seleciona medicamentos por conta própria para tratar seus sinais e sintomas. No entanto, ele alerta que é preciso levar em consideração que não são todos os medicamentos que são disponíveis para a automedicação e que as pessoas devem fazer isso com cautela.
“Quando o paciente se automedica, ele deve observar alguns pontos, como: seguir as orientações da unidade de saúde ou do fabricante; utilizar o medicamento por curto período de tempo e apenas em problemas de saúde leve”, orienta. Segundo ele, problemas de saúde leve são aqueles que apresentam resolução rápida, geralmente entre três e cinco dias. Caso haja piora dos sintomas ou ausência de melhora, é fundamental procurar atendimento médico.
O doutor em Ciências Aplicadas para a Saúde, também alerta que a automedicação deve ser evitada ou rigorosamente acompanhada em grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, especialmente aquelas que fazem uso contínuo de medicamentos.

Interação medicamentosa com alimentos
Além disso, Arthur chama atenção para os riscos das interações medicamentosas e entre medicamentos e alimentos. “Um exemplo comum ocorre com suplementos de ferro, cálcio ou outros sais minerais, que não devem ser administrados junto com café ou chás, como o mate e o chá preto, pois essas bebidas contêm substâncias que dificultam a absorção desses nutrientes pelo organismo”, exemplifica.
Outro exemplo preocupante envolve pacientes que utilizam medicamentos anticoagulantes. “Nesses casos, o uso concomitante de substâncias como a aspirina ou até mesmo chás com propriedades anticoagulantes, como o guaco, pode aumentar significativamente o risco de hemorragias, especialmente se não houver acompanhamento médico adequado”.

Uso inadequado de antibióticos
O professor da Estácio também destaca o uso inadequado de antibióticos como um dos principais problemas relacionados ao uso irracional de medicamentos. Ele reforça que esses medicamentos são indicados exclusivamente para o tratamento de infecções bacterianas e não devem ser utilizados em casos de gripes ou resfriados. O uso incorreto, como a interrupção precoce do tratamento ou o uso sem prescrição, pode favorecer a resistência bacteriana, tornando as infecções mais difíceis de tratar no futuro.
“Apesar das regulamentações da Vigilância Sanitária, que exigem a retenção de receita para a compra de antibióticos, ainda é comum que pessoas utilizem sobras de tratamentos anteriores ou medicamentos obtidos com terceiros, o que representa um risco significativo à saúde”, lamenta.
Por fim, Arthur reforça que o uso racional de medicamentos depende de uma responsabilidade compartilhada entre profissionais de saúde, sistema de saúde e pacientes. “Seguir corretamente as orientações médicas, evitar a automedicação indiscriminada e buscar informação confiável são atitudes essenciais para garantir tratamentos eficazes e seguros”, conclui.

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