Uma caravana de Petrópolis marcou presença na 15ª Lavagem do Cais do Valongo, realizada no Rio de Janeiro, reunindo representantes de terreiros, lideranças culturais e integrantes do segmento de culturas afro-brasileiras. A participação petropolitana foi organizada pelo Segmento de Culturas Afro-Brasileiras, Quilombolas e de Matrizes Africanas do Conselho Municipal de Cultura de Petrópolis, fortalecendo a presença da cidade em um dos mais importantes atos de preservação da memória da população negra no Brasil.
Reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o Cais do Valongo foi o principal porto de chegada de africanos escravizados nas Américas. Todos os anos, a tradicional lavagem reúne povos de terreiro, movimentos sociais, pesquisadores, artistas e representantes da sociedade civil em um ato de reverência aos ancestrais, de valorização da cultura afro-brasileira e de combate ao racismo.
A caravana petropolitana contou com o apoio da Vereadora Professora Lívia (PCdoB) e da Deputada Estadual Dani Balbi, que contribuíram para viabilizar a participação do grupo na atividade.
Para Guilherme Freitas Gomes, historiador, um dos coordenadores do Coletivo Povo do Santo e conselheiro municipal de cultura pelo segmento de culturas afro-brasileiras, quilombolas e de matrizes africanas, a presença de Petrópolis reafirma o compromisso da cidade com a preservação da memória e o fortalecimento das políticas culturais.
“Participar da Lavagem do Cais do Valongo é reafirmar que a memória dos povos africanos e afro-brasileiros precisa ocupar o centro da nossa história. Estar presente com uma caravana organizada pelo segmento afro do Conselho de Cultura demonstra que Petrópolis reconhece a importância da ancestralidade, da luta contra o racismo e da valorização dos povos de terreiro. Levar nossa representação a esse espaço é fortalecer a identidade do nosso município e ampliar o diálogo sobre memória, patrimônio e justiça social.”
A integrante da caravana Carol Guerra, Mãe Pequena do Terreiro de Vovó Maria Conga e membro do Segmento de Culturas Afro-Brasileiras de Petrópolis, destacou a emoção vivida durante o evento.
“Estar na Lavagem do Cais do Valongo foi uma experiência que atravessou a história e a espiritualidade ao mesmo tempo. Enquanto caminhava por aquele lugar, eu me lembrei das histórias que meu Preto Velho conta sobre a travessia forçada, sobre as separações e as violências do cativeiro, e senti que aqueles relatos ganhavam chão, nome e memória. Lavar aquele cais é um gesto de reverência: não apaga a dor, mas afirma que essas vidas não serão reduzidas ao esquecimento. É reconhecer que a história do Brasil foi construída também por essas mãos e que preservar essa memória é um compromisso com a verdade, a dignidade e a justiça.”
A Vereadora Professora Lívia (PCdoB) ressaltou a relevância da iniciativa para a preservação da memória e o enfrentamento ao racismo.
“A Lavagem do Cais do Valongo é um ato de preservação da memória e de reparação simbólica. Manter viva a história dos povos africanos escravizados é fundamental para compreendermos a formação do Brasil e enfrentarmos o racismo que ainda estrutura a nossa sociedade. Valorizar iniciativas como essa é reafirmar o compromisso com a cultura afro-brasileira, com a ancestralidade e com o direito à memória.”
Nas redes sociais, a deputada estadual Dani Balbi também destacou o significado da celebração. Ao participar da cerimônia ao lado de Mãe Edelzuita de Osaguian, a parlamentar definiu a Lavagem do Cais do Valongo como um momento de “profunda emoção, fé e resistência”, lembrando que o local é o maior vestígio material da chegada forçada de africanos escravizados nas Américas. Dani ressaltou que a lavagem representa um ato político, espiritual e coletivo de reparação histórica, reverência aos ancestrais e fortalecimento da memória do povo negro, enfatizando ainda o protagonismo das mulheres negras e das lideranças dos povos de terreiro na preservação dos saberes, da espiritualidade e da identidade afro-brasileira.
A participação da delegação de Petrópolis reforça o compromisso com a valorização das culturas afro-brasileiras, quilombolas e de matrizes africanas, fortalecendo ações de preservação da memória, promoção da igualdade racial e reconhecimento da contribuição dos povos negros para a construção da história e da identidade do Brasil.
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