Vacinação, alimentação, prevenção de doenças e acompanhamento veterinário estão entre os gastos essenciais que devem entrar no planejamento de quem pretende ter ou já tem um pet
No Dia do Médico-Veterinário, celebrado em 9 de setembro, a discussão sobre os custos envolvidos na criação de um animal de estimação ganha espaço. A integração dos animais de estimação às dinâmicas familiares contemporâneas transformou profundamente a relação entre humanos e pets. Entretanto, essa convivência harmoniosa exige a compreensão de que a guarda responsável vai além do afeto, demandando planejamento financeiro e compromisso com a saúde do animal. O desconhecimento dos custos reais envolvidos na manutenção de um pet é, frequentemente, umas das principais causas de abandono e do comprometimento do bem-estar animal.
Segundo Julianna Ferreira de Azevedo, veterinária e docente da Estácio, um dos principais pontos é entender que os gastos começam antes mesmo de eventuais problemas de saúde.
“A prevenção deve fazer parte do planejamento financeiro desde o momento em que a família decide ter um animal. Vacinação, vermifugação, controle de pulgas e carrapatos e consultas periódicas não são gastos extras, mas cuidados básicos para garantir saúde e qualidade de vida”, explica.
Entre os primeiros investimentos estão a vacinação e o protocolo sanitário do animal. Filhotes e pets recém-adotados precisam passar por avaliação veterinária e seguir um calendário de imunização adequado. Os cuidados não terminam com as primeiras doses: algumas vacinas exigem reforços periódicos durante toda a vida.
A prevenção de parasitas também deve fazer parte do orçamento. A vermifugação e o controle de pulgas e carrapatos ajudam a evitar doenças e complicações que podem gerar gastos maiores posteriormente, além de contribuírem para a prevenção de zoonoses.
“A vermifugação regular não apenas previne quadros graves de anemia, desnutrição e alterações gastrointestinais no animal, como também atua diretamente na proteção da saúde pública, prevenindo zoonoses transmissíveis aos tutores”.
Outro item permanente é a alimentação. A escolha entre rações comerciais ou alimentação caseira deve considerar as necessidades individuais do animal e, no caso de dietas formuladas em casa, contar com orientação de um médico-veterinário especializado em nutrição. Uma alimentação inadequada pode favorecer problemas como obesidade e doenças metabólicas.
“Quando falamos em custo de um animal, não podemos olhar apenas para o preço da ração ou para uma consulta eventual. É preciso considerar o cuidado ao longo de toda a vida: alimentação adequada, prevenção, higiene, vacinas, controle de parasitas e acompanhamento veterinário”, destaca Julianna.
A guarda responsável também exige um investimento que não aparece diretamente no orçamento: tempo. Passeios, atividades físicas, brincadeiras e enriquecimento ambiental são importantes para a saúde física e mental dos animais. A falta de estímulos e de interação pode contribuir para problemas comportamentais, como ansiedade, agressividade e comportamentos compulsivos. Além dos cuidados como banhos regulares, corte correto das unhas e higienização otológica (limpeza das orelhas) previne otites, dermatites e problemas de locomoção.
“É imprescindível enfatizar que todos os insumos utilizados devem ser estritamente de uso veterinário, formulados para o pH específico da pele do cão ou gato, evitando alergias e lesões graves causadas por produtos humanos.
Outro ponto de atenção é a priorização dos gastos. Não há problema em investir em estética e acessórios quando as necessidades básicas já estão garantidas. O problema acontece quando esses gastos recebem prioridade enquanto a prevenção, a alimentação adequada ou uma consulta veterinária são adiadas”, alerta a especialista.
O acompanhamento veterinário regular também pode ajudar a identificar alterações antes que elas evoluam para quadros mais graves. Doenças renais, cardíacas, endócrinas e oncológicas, por exemplo, podem apresentar sinais inicialmente discretos, e o diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento e reduzir a necessidade de procedimentos mais complexos.
“A medicina preventiva é uma forma de cuidar da saúde do animal e também de evitar despesas muito maiores no futuro. Um problema identificado precocemente pode demandar um tratamento mais simples do que uma doença descoberta apenas quando já está em estágio avançado”, afirma Julianna.
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