Pesquisa do MEC com 2,3 milhões de jovens revela que aulas práticas são essenciais para a escola do futuro
Escola prática já. Levantamento nacional mostra que quatro em cada dez estudantes brasileiros veem as aulas práticas como elemento essencial para uma “escola do futuro”, em patamar semelhante ao das práticas esportivas, enquanto atividades ligadas à tecnologia e às mídias digitais também aparecem entre as prioridades dos adolescentes. Os dados integram o Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, que reúne a visão de 2,3 milhões de jovens de todos os estados e é realizado pelo MEC, em parceria com o Itaú Social, o Consed e a Undime. É nesse cenário de transformação da educação brasileira que nasce, em Petrópolis, uma iniciativa sob o guarda-chuva do PNUD que conecta território, sustentabilidade, leitura, escrita e cultura digital para formar jovens mais preparados para o presente e para o futuro.
No Alto da Independência, quatro escolas públicas são mobilizadas em uma proposta voltada a estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, com potencial para alcançar 1.800 alunos e impactar cerca de 20 mil pessoas da comunidade. São três turmas-piloto, cada uma representando uma das frentes, com cerca de 100 alunos. Todos têm a oportunidade de passar pelos três projetos. A iniciativa contempla o Desafio Verde, o Vozes do Alto e a Arquitetura de Games — três experiências que convergem na ideia de que a juventude não deve ser tratada como público passivo, mas como agente de transformação, criação e liderança em seu próprio território.
Desde o início do ano letivo, em 10 de março, a primeira escola a receber a iniciativa é a Escola Municipal Alto da Independência. A próxima a receber o projeto é o CIEP 038 Santos Dumont. As outras duas escolas ainda serão definidas pelo PNUD. Os três projetos percorrem as quatro escolas do Alto da Independência até o fim do ano letivo.
Idealizados por Victor Prado, os três projetos propõem uma experiência integrada de formação cidadã e criativa. “Queremos ampliar perspectivas sobre temas normalmente estigmatizados. Sustentabilidade não é custo, é oportunidade, assim como os games. Mas, antes de tudo, é fundamental que os estudantes se enxerguem como capazes e saibam comunicar suas ideias, daí a importância da leitura e da escrita diante das ferramentas digitais”, afirma Victor Prado.
As três frentes são desenhadas para dialogar com demandas urgentes da chamada “nova escola brasileira”, que hoje busca mais protagonismo estudantil, educação digital, competências socioemocionais, conexão com a vida prática e recomposição de aprendizagens. Nesse contexto, o projeto se destaca por reunir aulas práticas, tecnologia, comunicação e participação comunitária em uma mesma jornada formativa, alinhada ao que os próprios adolescentes vêm apontando como necessário para tornar a escola mais atraente, contemporânea e significativa.
A ONU acompanha as iniciativas e, ao final do percurso, será realizada uma pesquisa acadêmica para avaliar a percepção dos participantes e os impactos gerados. A concepção de conteúdo e a pesquisa dos projetos são da Adhoculum, empresa de pesquisa e desenvolvimento criada para atuar nessa interface entre conhecimento, território e inovação.
Na avaliação do diretor da Escola Municipal Alto da Independência, Carlos Magno, os três projetos têm potencial para promover uma transformação ampla no ambiente escolar e em seu entorno, ao fortalecer o protagonismo estudantil e aproximar a aprendizagem da vida real. “Vejo a implementação desses projetos como uma grande oportunidade de fazer a escola dialogar ainda mais com a realidade, os sonhos e as potências dos nossos alunos”, afirma. Segundo ele, o Desafio Verde ajuda a despertar a consciência ambiental e o cuidado com o território; o Vozes do Alto reconhece que os estudantes “têm história, têm identidade, têm cultura e, principalmente, têm voz”; e o projeto de Games traz para a educação contemporânea linguagens capazes de estimular lógica, criatividade, resolução de problemas e planejamento. O diretor ressalta ainda que o impacto dessas ações vai além da sala de aula e alcança famílias e comunidade. “Projetos com propósito transformam trajetórias.”
O primeiro projeto é o Desafio Verde, iniciativa de educação ambiental que aposta em oficinas, dinâmicas colaborativas e mobilização comunitária para transformar os estudantes em protagonistas de soluções socioambientais no território. Mais do que ações pontuais de conscientização, a proposta trabalha reflexão, criação e prática em temas como reaproveitamento de recursos, sustentabilidade local e responsabilidade coletiva.
O segundo projeto é o Vozes do Alto, voltado à leitura, à escrita, à comunicação e à produção de conteúdo. A iniciativa convida os jovens a observar o lugar onde vivem, refletir sobre a própria realidade e transformar experiências locais em narrativas autorais. Em um contexto marcado por redes sociais, algoritmos e inteligência artificial, o projeto busca fazer com que os estudantes não sejam apenas receptores de informação, mas também produtores de conteúdo, capazes de construir relatos, textos e visões críticas sobre a comunidade.
Já o terceiro projeto é a Arquitetura de Games. Os games aparecem como linguagem cultural, campo tecnológico e porta de entrada para temas como criatividade, design, estratégia, narrativa, trabalho em equipe e possibilidades de carreira em uma indústria em expansão. Como desdobramento, será lançado o e-book gratuito Games: para além da diversão – história, criatividade e indústria, desenvolvido com base no conteúdo pedagógico do projeto, mas aberto ao público em geral.
O diferencial da iniciativa está justamente na convergência entre essas três frentes. De um lado, o cuidado com o território e a consciência socioambiental; de outro, a valorização da voz dos estudantes e da memória comunitária; ao mesmo tempo, a aproximação com linguagens contemporâneas que despertam interesse genuíno nos jovens. O resultado é uma proposta inclusiva e contemporânea, capaz de ampliar repertórios, fortalecer vínculos e inspirar novas formas de participação social.
Mais do que apresentar atividades isoladas, o projeto do Alto da Independência propõe uma nova forma de olhar para a escola e para a comunidade: como espaços de experimentação, expressão e construção de futuro. Em vez de separar meio ambiente, comunicação e tecnologia, a iniciativa reúne essas dimensões em uma narrativa única de formação cidadã, mostrando que o jovem pode, ao mesmo tempo, cuidar do lugar onde vive, contar sua própria história e vislumbrar novas possibilidades de estudo, trabalho e vida.
A proposta ganha força também por dialogar com características muito próprias de Petrópolis. Além de ser um dos principais polos econômicos da Região Serrana, a cidade reúne tradição educacional, força turística e vocação tecnológica. Petrópolis abriga o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e o supercomputador Santos Dumont, além de ter sido declarada Capital Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro em 2025, reforçando um ambiente favorável a projetos que conectam educação, inovação e desenvolvimento local.
As ações integram o Programa PISTA, iniciativa conjunta da Secretaria Estadual de Ambiente e Sustentabilidade, da Faperj e do PNUD, o que reforça o caráter estruturante e inovador da proposta.
Victor Prado é doutorando em Informática pela UFRJ, especialista em gamificação, pesquisador e desenvolvedor de tecnologias educacionais. É CEO da For Games, empresa pioneira na utilização de jogos como ferramenta educacional e social. É autor de algumas das primeiras ações gamificadas no Brasil e criador do primeiro torneio intercolegial de games do país.
Leia também
-
Abril Azul: UNIFASE participa de evento no Pátio Petrópolis para conscientização sobre o autismo
-
Angela Azevedo conquista ouro internacional e coloca Petrópolis no topo do taekwondo nas Américas
-
Dia Nacional do Parkinson: Avanços no tratamento e atenção multidisciplinar transformam a qualidade de vida dos pacientes
-
Inscrições para corrida de rua em Itaipava estão no lote final
-
Super Estadual de Judô Rio 2026 movimenta o Parque Olímpico neste fim de semana
































































