As atividades de crochê, tricô, feltro, bordado, tecelagem manual e outras práticas manuais, que até pouco tempo eram associadas principalmente às mulheres na terceira idade, ganharam novos ares e vêm despertando o interesse de um público cada vez mais jovem. Janaina Bernardino, artesã responsável pelo @janalinhas.atelier, confirma a tendência.
“Ainda temos um número maior de alunos adultos e idosos nas atividades artesanais, mas a técnica do amigurumi tem despertado o interesse de pré-adolescentes e adolescentes”, comenta.
Por meio de criaturas fofas criadas a partir de receitas, o amigurumi, técnica com origem no Japão, vem se popularizando no Brasil desde os anos 2000. A estudante de 14 anos, Lia Corrêa iniciou as aulas ainda aos 10 anos e, atualmente, ao lado de dona Elisa, de 68 anos, é uma das alunas mais experientes do ateliê.
“Minha vó já tinha me ensinado o básico do crochê e, quando eu conheci o amigurumi, me encantei! Aprender uma coisa nova sempre é difícil, mas, com o tempo, fui me acostumando e gostando cada vez mais. Tenho satisfação a cada peça que termino e, depois, fico ainda mais animada para criar outras!”, relata a estudante.
Seja entre crianças, adultos ou idosos, as atividades manuais contribuem significativamente para a concentração e o bem-estar. A artesã destaca a percepção de outros alunos sobre a prática.
“Já tivemos alunos com TEA, Síndrome de Tourette, Síndrome das Pernas Inquietas, depressão e em tratamento contra câncer, por exemplo. Segundo esses alunos, as atividades contribuíram para o controle da ansiedade e para o bem-estar emocional”, afirma.
Atividades manuais e ansiedade
Os trabalhos manuais também podem auxiliar na redução da ansiedade e no desenvolvimento da atenção plena, já que exigem foco, repetição de movimentos e estímulo à criatividade.
Segundo a psicóloga e professora do curso de Psicologia da Estácio, Pamela Cristina, atividades artesanais podem funcionar como ferramentas terapêuticas complementares, promovendo redução da tensão, sensação de pertencimento e fortalecimento emocional.
“Quando o indivíduo se engaja em uma manualidade que exige destreza fina e coordenação viso-motora, ocorre um redirecionamento vital dos recursos cognitivos. O foco contínuo exigido pela tarefa inibe ativamente a hiperativação da rede cerebral associada à ruminação e à preocupação antecipatória crônica”, explica.
A especialista diz ainda que, além disso, o movimento rítmico e o contato com os materiais atuam como uma âncora somática.
“Esse engajamento físico no tempo presente estimula o sistema nervoso parassimpático, auxiliando na redução dos níveis de cortisol e mitigando a agitação motora típica da ansiedade. Assim a criação torna-se um contêiner simbólico e seguro para a energia psíquica e pode até mesmo potencializar o vínculo social”.
Mais um ponto significativo para ser considerado é que a escolha da atividade a ser realizada deve levar em conta características individuais como a propensão para estímulos sensoriais específicos, capacidade de abstração, imaginação, tendências estéticas, extroversão e introversão.
“Nem todas as pessoas se sentirão beneficiadas realizando a mesma atividade”, acrescenta a especialista.
Ainda segundo a psicóloga Pamela Cristina, a promoção do contato e do diálogo entre diferentes gerações também é um dos benefícios dessas atividades. Lia concorda: “A turma me acolheu muito bem, e foi muito legal ter mais contato com pessoas de várias idades”.
Leia também
-
“Homem-Aranha: Um Novo Dia” segue como atração exclusiva do Cinemaxx Bauhaus em sua segunda semana
-
Marcela de Sá celebra a força da criação feminina no espetáculo “A Arte é Mulher”, no Soberano Jazz Club
-
Bunka-Sai abre inscrições para concurso de fotografia que celebra a florada das cerejeiras em Petrópolis
-
Encontro com o Cinema Petropolitano abre inscrições para oficinas gratuitas com cineastas da cidade
-
Jazz Experience reúne grandes nomes do jazz e da música brasileira na Locanda Della Mimosa
































































