Foto: Banco Mundial - ONU

Dia Nacional do Combate ao Fumo: parar de fumar traz benefícios em qualquer fase da vida

Especialista alerta para os mitos que ainda cercam o tabagismo e chama atenção para os riscos dos cigarros eletrônicos, especialmente entre os jovens

No Dia Nacional do Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, é importante lembrar que apesar das décadas de campanhas de conscientização sobre os danos provocados pelo cigarro, o tabagismo continua sendo um dos principais fatores de risco evitáveis para doenças e mortes em todo o mundo.

No Brasil, a prevalência de fumantes caiu de cerca de 25% da população no final dos anos 1980 para menos de 10% em 2024, resultado de políticas públicas de controle do tabagismo. No entanto, a popularização dos cigarros eletrônicos e de outros dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), principalmente entre os mais jovens, representa um novo desafio para a prevenção e a cessação do hábito.

Segundo o Dr Alexandre Bretas, pneumologista do Hospital Santa Teresa, o tabaco é a maior causa evitável de doenças no mundo, e a dependência costuma começar justamente na infância ou adolescência, período em que há maior vulnerabilidade ao desenvolvimento da dependência química. A principal responsável por esse mecanismo é a nicotina, substância capaz de provocar forte dependência. “A nicotina é uma droga mais potente do que a cocaína, a heroína e o álcool em causar dependência química”, afirma.

O especialista explica que, ao longo das décadas, a indústria do tabaco recorreu a diferentes estratégias para estimular o consumo. No passado, as campanhas associavam o cigarro a sucesso, status e até mesmo saúde. Atualmente, um dos principais mitos é a ideia de que o cigarro eletrônico seria uma alternativa segura ao cigarro convencional ou uma ferramenta para abandonar o tabagismo.

Os dispositivos eletrônicos para fumar podem conter nicotina e outras substâncias potencialmente tóxicas, além de aromatizantes que tornam os produtos mais atrativos, especialmente para adolescentes e jovens. A exposição não deve ser encarada como inofensiva apenas porque não envolve a combustão tradicional dos cigarro. Além disso, o uso desses dispositivos pode manter ou iniciar a dependência da nicotina e favorecer a manutenção do hábito de fumar.

Os danos do tabagismo também não se restringem ao câncer de pulmão. O consumo de cigarros está diretamente relacionado ao desenvolvimento e à piora de doenças respiratórias, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquite crônica e enfisema, além de aumentar a ocorrência de infecções respiratórias e comprometer progressivamente a capacidade pulmonar. No caso do câncer de pulmão, as substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro provocam lesões e alterações no material genético das células, aumentando significativamente a probabilidade de surgimento de tumores.

O comprometimento dos pulmões pode começar antes mesmo do aparecimento de sintomas importantes. Tosse persistente, produção frequente de catarro, falta de ar aos esforços, chiado no peito, redução da disposição física e infecções respiratórias recorrentes são alguns dos sinais que merecem atenção. Mesmo quem ainda não apresenta sintomas pode se beneficiar de uma avaliação médica quando existe histórico importante de tabagismo, especialmente para identificar precocemente alterações respiratórias e orientar a interrupção do consumo.

E a ideia de que “já é tarde demais para parar” não encontra respaldo médico. Abandonar o cigarro produz benefícios em qualquer idade e independentemente do tempo de exposição. Nas primeiras horas e dias, o organismo já começa a eliminar substâncias tóxicas e a melhorar a oxigenação. Com o passar das semanas e meses, a circulação e a função pulmonar podem apresentar melhora, enquanto tosse e falta de ar tendem a diminuir. No longo prazo, a interrupção reduz progressivamente o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e de diversos tipos de câncer.

Além do impacto individual, o tabagismo também representa um importante desafio econômico e de saúde pública. O Brasil é um dos países signatários da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco e possui um dos programas públicos de combate ao tabagismo considerados mais estruturados do mundo. Ainda assim, o custo das doenças relacionadas ao consumo de tabaco permanece elevado.

Segundo o especialista, os gastos com o tratamento dessas doenças chegam a ser de três a quatro vezes superiores ao valor arrecadado pelo Estado com os impostos provenientes da produção, fabricação e comercialização de cigarros.

Para o Dr Alexandre, manter os avanços conquistados no controle do tabagismo exige atenção especial às novas formas de consumo. “O principal mito, na verdade uma grande propaganda enganosa, é que o cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar”, destaca. Nesse cenário, combater a desinformação e reconhecer precocemente os sinais de comprometimento da saúde são medidas importantes para evitar que uma dependência iniciada muitas vezes na juventude se transforme em doenças graves ao longo da vida.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, o alerta do pneumologista do HST é direto: não existe momento inadequado para parar de fumar. Quanto mais cedo a interrupção acontece, maiores são os benefícios acumulados ao longo da vida, mas abandonar o cigarro continua sendo uma decisão capaz de melhorar a saúde mesmo após anos de consumo.

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