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Peso da mochila: mais importante do que a carga é a adaptação gradual da coluna

Especialista explica que a coluna das crianças não é frágil e que a exposição progressiva à cargas é importante para a saúde da coluna e faz parte do processo de adaptação do organismo

Com a volta às aulas, uma preocupação comum entre pais e responsáveis é o peso das mochilas escolares. Embora o excesso de carga e o transporte inadequado mereçam atenção, mais importante do que estabelecer apenas um limite de peso é compreender como o corpo da criança se adapta gradualmente às demandas do dia a dia.

De acordo com a fisioterapeuta Claudia Lomba, coordenadora do curso de Fisioterapia da Estácio, a coluna vertebral não deve ser encarada como uma estrutura frágil, incapaz de suportar cargas. Assim como outras estruturas do organismo, ela possui capacidade de adaptação quando submetida à cargas de maneira progressiva. E essa adaptação se traduz em fortalecimento dos musculos, ossos e articulações, tornando-os mais resistentes.

“A coluna não é frágil como muitos pensam, o que é preciso é que toda carga seja imposta de forma gradativa para que as estruturas musculoesqueléticas tenham tempo para se adaptarem, ou seja, ficarem mais fortes e resistentes. Isso quer dizer que quando a criança começa a frequentar escola, aos poucos, vai adaptando o peso de forma gradativa, pois inicialmente a quantidade que ela carrega na mochila é menor e vai aumentando aos poucos”, explica a especialista.

Isso não significa, porém, que o peso da mochila deve ser ignorado. O problema ocorre, principalmente, quando o corpo não está preparado para receber uma determinada carga, o que se torna um peso excessivo, pois as estruturas musculoesqueléticas não foram preparadas para recebe-lo. A Dor, o desconforto persistente, alterações na postura ou dificuldade para carregar a mochila são situações que merecem avaliação profissional.

Segundo Cláudia, mais importante do que se preocupar com o peso da mochila em 10% ao peso corporal da criança, é que os pais sem empenhem para que ela seja ativa, já que isso vai prepará-la para receber as cargas. Pesquisas apontam que expor a coluna à carga de forma gradativa é importante para que criança seja forte para suportar as necessidades do dia a dia.

“Está mais que comprovado que o que causa dor nas costas é a falta de atividade física associada a outros fatores biopsicossocias como distúrbios do sono, estresse, dentre outros. Portanto, os pais devem se preocupar muito mais em manter a criança ativa com esportes e atividades de lazer que exijam esforço físico para que as estruturas musculoesqueléticas sejam estimuladas e fortalecidas para suportar as necessidades do dia a dia sem dor”, pontua Cláudia.

Além da carga, também devem ser observados fatores como o tempo em que a mochila permanece nas costas, a forma de carregá-la, a distribuição dos materiais e o ajuste das alças. Uma mochila bem posicionada e adequada ao tamanho da criança contribui para uma experiência mais confortável.

“Não é necessário gastar dinheiro com mochilas caras como as de rodinha, por exemplo, pois isso fará com que a coluna da criança não seja fortalecida e ela esteja mais propensa a ter dores nas costas. Obviamente que se uma criança ou qualquer pessoa for submetida a um peso grande sem estar preparada para isso, sentirá dor, por isso a exposição gradativa da carga é importante pois prepara o corpo”, afirma Lomba.

Atenção aos sinais do corpo

Para os pais, a recomendação é observar o comportamento da criança no cotidiano. Queixas frequentes de dor ou desconforto não devem ser consideradas normais apenas por ela estar em idade escolar.

A orientação de um profissional de saúde pode ajudar a identificar se existe algum fator específico que esteja interferindo na postura ou no conforto da criança.

“Mais do que criar medo em relação às mochilas, a proposta é estimular uma relação equilibrada com as atividades cotidianas. A coluna infantil está em desenvolvimento, mas também possui mecanismos naturais de adaptação. O objetivo deve ser oferecer estímulos adequados e progressivos, evitando tanto o excesso quanto a ideia de que a coluna precisa ser constantemente protegida de qualquer tipo de carga”, conclui Cláudia.

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