Divulgação

O futebol entrou na era da ciência e “O Jogo Mudou” mostra por que não dá mais para jogar como antes

Livro do petropolitano Fábio Alves Ferreira será lançado neste sábado, na Bienal do Livro de São Paulo
A bola continua redonda, o gol continua sendo o objetivo e o futebol continua capaz de provocar paixões que desafiam qualquer explicação racional. Mas, por trás dos 90 minutos, o jogo mudou — e muito. É essa transformação que Fábio Alves Ferreira apresenta em “O Jogo Mudou – Do Empirismo à Ciência – As Transformações e Desafios do Esporte das Paixões”, que será lançado neste sábado (05), na Bienal do Livro de São Paulo, com colaboração de Matheus Campos.

A obra parte de uma pergunta simples, mas provocadora: quanto do futebol que conhecemos hoje ainda é decidido apenas pelo talento, pela intuição e pelo chamado “faro” de quem vive o esporte? Para o autor, a resposta passa por uma mudança profunda de paradigma. O futebol deixou de ser compreendido apenas dentro das quatro linhas e passou a funcionar como um sistema que reúne gestão, economia, ciência, tecnologia, preparação física, aspectos técnicos e táticos, psicologia, liderança e análise de dados. “O futebol não deixou de ser paixão. Ele apenas passou a exigir conhecimento”, resume Fábio.
A trajetória começa na própria história do esporte, desde a organização das primeiras regras em Cambridge e a criação da Football Association, até a expansão do futebol pelo mundo. Ao recuperar esse percurso, o autor mostra que a transformação sempre fez parte da modalidade — e que novas mudanças ainda estão por vir.
Um dos pontos centrais da obra é a constatação de que o resultado esportivo começa muito antes do apito inicial. A profissionalização da gestão, por exemplo, é agora um dos fatores determinantes para a competitividade dos clubes. Mais do que colocar dinheiro em campo, é preciso saber onde, quando e como investir. A organização financeira, a profissionalização administrativa, o trabalho de base e a criação de processos consistentes aparecem como elementos capazes de sustentar resultados ao longo do tempo. Palmeiras e Flamengo são apresentados como exemplos dessa transformação.
“O investimento, sozinho, não garante resultado. O que faz diferença é a capacidade de transformar recursos em estrutura, processos, conhecimento e, consequentemente, desempenho”, explica o autor.
O livro acompanha também a evolução tática do futebol. Dos sistemas mais rígidos às estruturas contemporâneas, o jogo passou a valorizar cada vez mais ocupação de espaços, mobilidade, pressão, tomada de decisão e capacidade de adaptação. A conclusão é que não existe uma fórmula única para vencer, mas diferentes maneiras de interpretar e construir o jogo.
Até o talento passou a ser observado sob outra perspectiva. A técnica, antes frequentemente associada a uma habilidade natural, hoje pode ser treinada, mensurada e desenvolvida a partir de conhecimentos como biomecânica, percepção, tempo, espaço e tomada de decisão. Na preparação física, a revolução é igualmente evidente. Força, resistência, velocidade e recuperação são acompanhadas de maneira cada vez mais individualizada, com recursos como GPS, monitoramento da frequência cardíaca e controle de carga. Mas, para Fábio, compreender o atleta exige olhar além do corpo.
A dimensão biológica se soma às dimensões social, psicológica, emocional e cognitiva. É nesse contexto que o autor apresenta os conceitos dos “dois Ps” — propósito e paixão — e das “três inteligências”, relacionando aspectos mentais e emocionais ao desempenho esportivo. A liderança também ganha espaço. No futebol contemporâneo, o treinador não é apenas aquele que conhece sistemas e estratégias. Precisa ser capaz de construir uma visão, estabelecer um propósito, inspirar pessoas, criar confiança e formar uma cultura coletiva.
Ao olhar para os próximos anos, Fábio aponta para um futebol cada vez mais sofisticado, influenciado pela inteligência artificial, pela ciência de dados, pela neurociência e por novas tecnologias de treinamento e análise. Ao mesmo tempo, lembra que há algo que nenhuma ferramenta consegue substituir: o fator humano.
“A bola continua sendo redonda. O jogo continua imprevisível. Mas cada vez menos coisas acontecem por acaso”, observa Fábio Alves. No fim, a provocação do livro permanece: o grande desafio do futebol contemporâneo não é apenas aprender a jogar. É compreender o jogo.

ED 531-CLIQUE AQUI