Cristina Ferreira leva literatura, música e memória aos trilhos da história de Petrópolis em um projeto que celebra a infância, o patrimônio e o poder da imaginação
O apito do trem volta a ecoar em Petrópolis — não pelos trilhos de ferro, mas pelos caminhos da memória, da Literatura e da infância. O projeto “Agapito e Leopoldina – Trilhando histórias para ler e contar”, idealizado pela escritora, e contadora de histórias Cris Ferreira, propõe uma experiência literária que une fantasia, música e história em encontros voltados a crianças, famílias e professores.
Realizado com apoio da Prefeitura de Petrópolis e do Governo Federal por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), o projeto percorre três importantes espaços culturais da cidade — Museu Casa de Santos Dumont, Centro Cultural Estação Nogueira e Casa Stefan Zweig —, transformando cada um deles em cenário vivo de contação de histórias, mediação de leitura e formação de professores.
Um livro que embarca a cidade inteira
A proposta nasce do livro Agapito e Leopoldina, escrito por Cristina Ferreira e ilustrado pelo músico e educador Renato Lins, publicado pela Franco Editora. A narrativa acompanha as aventuras de dois personagens encantadores — um vagão e uma locomotiva — que ganham vida em meio a lembranças, canções e memórias da cidade imperial.
Na história, um vagão abandonado, uma locomotiva exposta em um museu, o passeio de bicicleta de duas crianças e o eco distante de um apito de trem se transformam em metáforas sobre pertencimento, descoberta e amor pela história local.
“Levar Agapito e Leopoldina para espaços históricos e culturais como o Museu Casa de Santos Dumont, o Centro Cultural Estação Nogueira e a Casa Stefan Zweig é uma forma de aproximar crianças e adultos em torno de um livro que entrelaça fantasia e a História da nossa cidade”, explica Cristina Ferreira.
Entre o passado e o presente: um diálogo vivo com a cidade
Mais do que um projeto literário, Agapito e Leopoldina – Trilhando histórias para ler e contar é um convite para revisitar a memória da cidade e reencantar o olhar das novas gerações. A iniciativa faz parte das celebrações pelo Bicentenário de D. Pedro II, figura histórica que tanto incentivou a educação, a ciência e as inovações tecnológicas — como as ferrovias que impulsionaram o progresso nacional.
“A história do trem é também a história da nossa cidade. Ela nos ensina sobre o tempo, sobre o movimento e sobre as pessoas que ajudaram a construir Petrópolis. Quando uma criança escuta uma história que fala da sua terra, ela passa a se reconhecer como parte dela”, reflete a autora.
Contação, mediação e formação: uma programação para todas as idades
O projeto contempla duas apresentações de contação de histórias — no Centro Cultural Estação Nogueira e no Museu Casa de Santos Dumont —, com mediação literária, canções do cancioneiro popular e participação do músico Renato Lins, também ilustrador do livro.
As atividades reúnem literatura, música, arte e brincadeiras, criando um ambiente de imaginação compartilhada entre crianças e adultos.
O ciclo se encerra com uma oficina de formação literária para professores e professoras, realizada na Casa Stefan Zweig. A proposta é ampliar o alcance da literatura no espaço escolar e refletir sobre novas formas de mediação da leitura.
“Além da mediação do livro para alunos da rede pública e privada da cidade, também vamos oferecer uma oficina de formação para professores e professoras. É fundamental sensibilizar educadores para que a Literatura tenha um lugar de destaque no currículo e no cotidiano escolar”, destaca Cristina Ferreira.
Um trem de afetos e acessibilidade
As atividades são gratuitas e contam com recursos de acessibilidade comunicacional e arquitetônica, incluindo tradução em Libras especialmente no Museu Casa de Santos Dumont, espaços adaptados e equipe preparada para acolher pessoas com deficiência.
Para Cristina, a inclusão é parte essencial do projeto: “A literatura é para todos. Quando ela chega com música, afeto e respeito à diversidade, ela abre portas e janelas na alma”, diz.
Sobre Cristina Ferreira
Cristina Ferreira vive em Petrópolis (RJ), onde foi professora por 38 anos — 26 deles dedicados à rede municipal de ensino. Hoje, é educadora museológica na Casa Stefan Zweig, além de autora de diversos livros infantis, entre eles Quantas portas cabem numa porta? (Casa do Lobo), Meu amigo fala com as mãos, quinTAL? (Bem Cultural) e Agapito e Leopoldina (Franco Editora).
Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a formação leitora, o diálogo entre educação e cultura e a valorização da infância como espaço de criação e escuta.
Serviço
Projeto: Agapito e Leopoldina – Trilhando histórias para ler e contar
Idealização e mediação: Cris Ferreira
Locais
Centro Cultural Estação Nogueira
Museu Casa de Santos Dumont
Casa Stefan Zweig
Período: Outubro a novembro de 2025
Atividades gratuitas – com acessibilidade em Libras e espaços adaptados
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